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Enfermeiros fazem mais de 60 horas por semana no Hospital de Cascais

Saúde

Por Redação
10 novembro 2018

No Hospital de Cascais há enfermeiros contratados a recibo verde a trabalhar 60 horas por semana e em alguns serviços, sobretudo durante a noite, existe apenas um profissional por turno.

A denúncia é feita pela Ordem dos Enfermeiros que, no final de outubro, enviou um relatório à ministra da Saúde, Marta Temido.

Segundo o relatório, feito a partir de uma visita da Ordem dos Enfermeiros, em agosto último, o Hospital de Cascais "tem enfermeiros contratados em regime de prestação de serviço, a recibos verdes, com contratualização de 250 horas mensais de trabalho (62,5 horas/semanais)", o que "configura um gravíssimo risco na segurança dos cuidados prestados e também na qualidade".



Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros
A bastonária Ana Rita Cavaco sublinha no documento que o Hospital de Cascais, embora sendo uma parceria público-privada, devia aplicar as 35 horas semanais definidas para todo o Serviço Nacional de Saúde e ao não o fazer "gera uma situação de profunda desigualdade entre instituições".

A Ordem dos Enfermeiros denuncia, ainda, que há serviços no Hospital de Cascais com apenas um enfermeiro a assegurar um turno, como a pediatria ou a ginecologia, no horário noturno, entre as 20h00 e as 8h30.

Para a Ordem dos Enfermeiros, o Hospital de Cascais estará ainda a cometer uma ilegalidade ao "dispensar" enfermeiros de turnos, avisando-os na véspera, alegando que "há poucos doentes internados". "Este tipo de gestão, que já agora é ilegal, faz com que alguns enfermeiros fiquem a dever horas ao serviço. Em alternativa acontece também serem mobilizados, durante o turno em curso, para outros serviços, que nem conhecem".



Outra das situações que em Cascais preocupa a Ordem prende-se com a constituição da equipa de emergência médica intra-hospitalar, que integra um enfermeiro da unidade de cuidados intensivos. No entanto, esse profissional continua a ter doentes atribuídos durante aquele turno, o que faz com que o enfermeiro seja "forçado" a deixar os doentes dos cuidados intensivos quando a emergência intra-hospitalar é ativada. Deste modo, a unidade de cuidados intensivos fica com número insuficiente de enfermeiros.

A bastonária dos Enfermeiros alerta a ministra da Saúde que "a falta de contratação de enfermeiros" para as "desfalcadas equipas" deixa os serviços "incapazes de garantir a segurança das pessoas e dos próprios profissionais de saúde".

Confrontada pela agência Lusa, a administração do Hospital de Cascais não desmentiu as situações denunciadas pela Ordem dos Enfermeiros.

Numa declaração enviada por escrito, o Hospital de Cascais assegura que a unidade "rege-se pelas melhores práticas laborais e cumpre todas as normas em vigor" que regulam a prática profissional dos enfermeiros.

"A segurança dos doentes e a qualidade dos cuidados prestados é uma prioridade para o Hospital de Cascais. Assim, determinadas as necessidades, os horários e turnos são ajustados de acordo com a disponibilidade dos profissionais de saúde e de forma a garantir a prestação de cuidados e a multidisciplinaridade das equipas", conclui a nota enviada à agência Lusa.



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