Queda de aeronave em Tires que fez cinco mortos arquivada pelo Ministério Público por "insuficiência de indícios de crime"

Segurança


Por Redação
13 novembro 2018
O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), através da sua 1ª. Secção, em Cascais, determinou o arquivamento, por “insuficiência de indícios de crime”, do inquérito à queda da aeronave que, em abril do ano passado, provocou cinco mortos e elevados estragos materiais junto ao Lidl, em Tires.


“Realizado o inquérito, recolhida a prova documental e pessoal necessária ao apuramento dos factos, o MP concluiu que não se logrou apurar a causa imediata da queda da aeronave que transportava os quatro ocupantes e, por essa via, a causa da morte dessas pessoas e do motorista do veículo pesado de mercadorias”, refere o despacho de arquivamento do Ministério Público de Cascais, que dirigiu o inquérito ao trágico acidente.

Recorda-se que, uma falha no motor esquerdo e a falta de experiência do piloto, Jean Plé, 69 anos, diretor da  Symbios Orthopedic, estiveram na origem da queda do bimotor que, a 17 de abril do ano passado, despenhou-se na área de cargas e descargas do supermercado LIDL, em Tires.

Esta foi a conclusão do relatório final do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado em agosto último, conforme Cascais24 então noticiou e, segundo a qual, “a falta de formação adequada do piloto, dentro do contexto da emergência real de falha de motor crítico, imediatamente após a descolagem", foi determinante para a tragédia. 


                                                                      (Foto Luís Curado/Cascais24)
No entanto, os investigadores salvaguardaram no relatório que as causas da falha do motor esquerdo (motor crítico) do bimotor (modelo Piper PA-31T Cheyenne II) "não puderam ser determinadas devido aos danos do impacto e ao fogo intenso". 

Também o relatório toxicológico do piloto "revelou a presença de etanol (álcool)" de 0,38 gramas de álcool por litro de sangue. 

No final da manhã de 17 de abril do ano passado, o bimotor Piper descolou do Aeródromo Municipal de Tires com destino a Marselha, França, mas acabou por despenhar-se a 700 metros.


Jean Plé, o piloto
A aeronave era pilotada pelo francês, com passaporte suíço, Jean Plé, 69 anos, diretor da Symbios Orthopedic e nela seguiam, ainda, e três franceses, Jean-Pierre Franceschi, conhecido cirurgião ortopédico ligado ao mundo do desporto, da sua mulher e de uma amiga de ambos. Morreram os quatro.


Jean Pierre Fraceschi, cirurgião ortopédico
A quinta vítima mortal foi um camionista português, da empresa transportadora CargaQuatro, que estava a descarregar produtos no parque de mercadorias do LIDL. 

Moradores que estavam em duas habitações contíguas ao cais lograram escapar, nomeadamente uma avó e o neto, Martin, de 2 anos.

Os investigadores explicam que numa aeronave de dois motores, quando um motor falha, o momento de guinada deve ser contrariado pela ação do piloto nos comandos, acrescentando que, após uma falha do motor na descolagem, é "necessária uma intervenção rápida e precisa" do piloto. O que não aconteceu e podia ter evitado a tragédia em Tires.

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