Atual
Por Redação29 março 2020
O
presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, suspendeu, por despacho de
esta sexta-feira, dia 27, o período de discussão pública da alteração pontual
ao Plano Diretor Municipal (PDM).
Por
coincidência ou não, a decisão de suspender a consulta pública surgiu depois da
publicação de posts de indignação nas redes sociais, publicadas na última
semana.
Alguns
comentários sugeriam, mesmo, que o presidente do Município, que tem estado na
linha da frente no pacote das medidas de prevenção no concelho ao Covid19,
pudesse estar “distraído”, atendendo ao momento que vivemos com a crise
pandémica.
A
verdade é que, esta sexta-feira, dia 27, Carlos Carreiras assinou o despacho de
suspensão, o qual, no entanto, não foi tornado público em tempo útil e quer as
várias correntes políticas de Cascais, quer a sociedade civil, não o conheciam.
A
própria Comissão Concelhia de Cascais do PCP, que desconhecia o despacho, em
nota divulgada este sábado, dia 28, acusou o executivo PSD/CDS que lidera o
município de “num processo tudo menos claro (…), aproveitando a crise pandémica
do COVID19 e com o Estado de Emergência declarado no País, tentar fazer passar,
entre os pingos da chuva, uma Alteração Pontual do PDM carregada de situações
duvidosas”.
Na
nota divulgada à Imprensa este sábado, a Comissão Concelhia do PC “manifesta o
seu repúdio pelo comportamento da Câmara de Cascais em todo o processo relativo
à alteração do Plano Director Municipal, em curso” e acusa “o executivo PSD/CDS
da CMC, liderado por Carlos Carreiras, sabendo que havia aprovado diversos
planos de urbanização em desconformidade com o PDM vigente, tentou alterá-lo no
sentido de o compatibilizar com os planos aprovados indevidamente”.
A
nota do PCP de Cascais recorda que “depois de uma primeira tentativa de
alteração gorada na sequência da intervenção do Ministério Público, que obrigou
a declarar a nulidade da supressão do articulado do Regulamento o parâmetro
urbanístico – “número de pisos acima da cota de soleira”, a Câmara de Cascais
foi obrigada a seguir os trâmites normais para proceder a uma alteração do PDM,
determinando a abertura de um período para participação pública”.
“A
“Alteração Pontual” levada a cabo, apesar da grande maioria das participações
entregues serem manifestamente discordantes, traduziu-se na eliminação dos
parâmetros urbanísticos contemplados na primeira correcção material, que havia
sido declarada ilegal”, denuncia a concelhia de Cascais dos comunistas, que
acrescenta: “Mas, inacreditavelmente, a CMC “por lapso não fixou o prazo de
elaboração da Alteração Pontual” e vem agora submeter a discussão pública por
um período de 30 dias, a proposta de Alteração Pontual do Plano Diretor
Municipal de Cascais, para a recolha de reclamações, observações ou sugestões,
e fixar em 10 meses o prazo de elaboração da Alteração Pontual do Plano Diretor
Municipal de Cascais à CCDRLVT, com efeitos retroactivos a 3 de setembro de
2019”.
“A
abertura e manutenção desta consulta pública, no período crítico que
atravessamos, é reveladora de uma inaceitável postura que não se coaduna com o
funcionamento democrático do poder local, onde a salvaguarda dos interesses das
populações deve estar acima de qualquer outro”, conclui a nota divulgada pela
estrutura concelhia comunista de Cascais.
Acusa comunistas e extrema- direita
A
propósito da polémica em torno da alteração pontual ao PDM, Carlos Carreiras
publicou um post na sua página pessoal do Facebook, na qual afirma que “os
comunistas e a extrema direita em Cascais, ambos cada vez com menos
credibilidade, não deixam de provocar e tentarem destabilizar, mesmo em
períodos como o que atravessamos”.
O
presidente do município, que tem privilegiado o seu Facebook pessoal com toda a
informação sobre o Covid19 em Cascais, acusa, ainda, comunistas e extrema direita de fazerem “processos de
intenção e formularem acusações”.
Carreiras
assegura no seu post que “mais uma vez A REALIDADE VEM DESMENTI-LOS”.
“Já
tinha assinado um Despacho a suspender o período de discussão pública da
“Alteração Pontual do Plano Director Municipal”, assegura o presidente do
município.
“O
que o presidente não diz no seu post é que só assinou o despacho no dia 27,
quando a contestação começou dias antes”, explicou uma fonte que pediu o
anonimato.



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