POLÉMICA. Comentário de vereador do PCP no Facebook cria "faits divers" politico em Cascais

Atual

01 abril 2020


Ao partilhar na sua página do Facebook uma notícia sobre a aquisição, por parte do município, de um contentor frigorífico para eventual preservação de cadáveres de Covid19 no concelho e, em resposta a um comentário, ter escrito “A morte fica-lhe tão bem”, o vereador do PCP, Clemente Alves, tornou-se no centro de uma grande polémica local, mas em declarações, esta quarta-feira, à noite, a Cascais24, afirmou que “o comentário foi para uma caricatura que alguém colocou na minha página de Facebook e apenas se refere à caricatura em si e não ao que nela está caricaturado”.

No entanto, partindo do princípio de que o comentário do vereador comunista era dirigido ao presidente do município, Carlos Carreiras, o também vereador e presidente da concelhia de Cascais do PSD, Nuno Piteira Lopes, saiu em defesa do chefe do executivo e, esta quarta-feira, na sua página do Facebook anunciou que vai fazer uma “exposição ao Partido Comunista Português para que ponha fim à política de ódio, de vergonha e de insulto que enxovalha a história do PCP e tinge de negro a democracia em Cascais”.

Nuno Piteira Lopes considera, ainda, o comentário “moralmente abjeto, desumano e bem elucidativo da completa falta de escrúpulos do eleito do PCP em Cascais”.

A primeira reação partiu de Nuno Piteira Lopes
Em defesa do chefe do executivo, Piteira Lopes escreve que, “Carlos Carreiras, concordando-se ou não, tem feito tudo o que pode para defender a vida dos cascalenses. Isso implica falar verdade e prever todos os cenários, sobretudo os piores, esperando o melhor. Carlos Carreiras, concorde-se ou não, tem dado a cara. Tem estado ao lado dos cascalenses. Todos os dias está na rua. Com quem trabalha, com os profissionais de saúde, com os motoristas, com todos. Carlos Carreiras, concorde-se ou não, não tem olhado a cores partidárias e tem ajudado outros concelhos, como o do Seixal e o de Setúbal, ambos dirigidos pelo PCP. E Clemente Alves? Alguém o viu?”.

Depois de afirmar que o vereador comunista está escondido cobardemente atrás de um teclado”, tendo-se refugiado “lá longe, em Lamego, onde certamente pode continuar confortavelmente a "Luta", Nuno Piteira Lopes conclui que “na política, como na vida, não pode haver espaço para o ódio e para desejos de morte. Espero, por isso, que o PCP tome as devidas medidas com o seu representante em Cascais”.

PS condena…


O comentário do vereador Clemente Alves foi, também, alvo de crítica por parte do presidente da Concelhia do Partido Socialista (PS).

Em declarações, a Cascais24, Luís Miguel Reis considerou que “esta é uma situação que naturalmente condeno e não faz parte da minha forma de estar na política. A credibilização da ação política passa exatamente por fugir à crítica estéril e à fulanização”.

Luís Miguel Reis
“Por mais que estejamos em campos opostos aquilo que nos divide são as políticas e as opções, pelo que entendo que jamais se devem exaltar as posições para o campo pessoal e muito menos com afirmações desse tipo que resvalam para a promoção das dimensões do extremismo e do ódio”, adiantou o presidente da estrutura concelhia do PS de Cascais.

"Vivemos hoje enquanto comunidade um momento profundamente atípico, que nos deve levar a todos para uma reflexão sobre aquilo que nos deve mobilizar e que nos deve igualmente afastar de questiúnculas e minudências que nada resolvem, na esperança que se dê palco ao que é importante e ao que procura promover o bem comum. As demais questões não devem ter palco”, conclui Luís Miguel Reis.

…E CDS também


Também o presidente da concelhia do CDS de Cascais, Francisco Kreye, repudiou o comentário de Clemente Alves.

Francisco Kreye
“Na política não vale tudo. Desejar a morte a alguém, por muito que não se concorde com suas posições, não pode ter lugar no combate político, na sociedade que construímos e na sociedade que as gerações vindouras hão de construir”, diz o presidente do CDS em Cascais, segundo o qual “Cascais, Portugal e o Mundo enfrentam, hoje, um desafio sem precedentes e na luta contra o novo Corona Vírus, espera-se que os decisores políticos saibam pôr de parte as suas diferenças ideológicas e trabalhar em prol de um objetivo comum: o de proteger as pessoas”.

Ameaças de morte

O vereador Clemente Alves, que está ausente de Cascais, na sua terra natal, na região de Lamego, denunciou esta quarta-feira, à noite, a Cascais24, que tem vindo a ser alvo de ameaças de morte nas redes sociais.

Clemente Alves
O meu comentário foi para uma caricatura que alguém colocou na minha página de Facebook e apenas se refere à caricatura em si e não ao que nela está caricaturado”, começou por declarar Clemente Alves.

“Quanto a ameaças de morte, essas sim, tenho-as eu recebido e por sinal quase todas repetem a frase usada pelo vereador Piteira Lopes sobre a minha estada em quarentena na minha aldeia. Ameaças que não me atemorizar mas que não podem deixar de se ligar ao escrito do Sr. Vereador Piteira, que não sei se está a trabalhar a favor do Concelho que lhe paga o salário enquanto, ao mesmo tempo, se dedica a espreitar o que outros fazem ou não fazem nas redes sociais”, acrescenta Clemente Alves.

“Mas registo, com ironia, a parte final da mensagem daquele que também se assume como Presidente do PSD de Cascais e que diz ir pedir os meu partido para me puxar as orelhas”, conclui o vereador, em declarações a Cascais24.

Já uma fonte próxima do PCP, que pediu o anonimato, por não estar autorizado a prestar oficialmente declarações, afirmou que “o vereador Clemente Alves é um lutador, um homem íntegro e honesto com os seus ideais, que tem cumprido extraordinariamente a sua missão como vereador, na defesa dos interesses dos munícipes de Cascais, constituindo neste mandato praticamente a única oposição à maioria PSD/CDS em exercício no executivo municipal”.
“Tratando-se de uma pessoa com altos valores humanísticos, acreditamos que o seu comentário foi mal interpretado, sobretudo pelos seus inimigos, que criaram um caso político local, esses sim aproveitando-se da atual conjuntura em que vivemos”, concluiu a mesma fonte.
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1 comentário:

João Casanova Ferreira disse...

Parece que alguém se anda a entreter explorando a tragédia e a morte. Há obviamente um excesso de protagonismo e de mediatismo que está longe da maxima "faz o bem sem olhar a quem". Aqui nao é assim onde uma suposta boa acção leva atrás de si uma profusa campanha de sensacionalismo ampliada pelos meios proprios do municipio, pagos com o dinheiro de todos mas as servico pessoal.

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