50 adeptos ruidosos em WC sobre leito de cheia fazem despoletar insegurança em bancada do Estádio Municipal do Estoril

Segurança

Por Redação

A concentração maciça e ruidosa de mais de 50 adeptos na casa de banho da bancada norte do campo do Estoril, aliada à vulnerabilidade do solo- em leito de cheia- poderão estar na origem das fissuras no chão e nas paredes que, esta segunda-feira, culminaram na suspensão da segunda parte do jogo entre a equipa do Estoril e do Futebol Clube do Porto, apurou Cascais24.

 

No entanto, só no final da semana, porventura esta sexta-feira, deverá ser conhecido o parecer dos técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) relativo às condições de segurança da bancada norte do Estádio Municipal António Coimbra da Mota, cujo projeto foi de autoria de uma empresa da região Centro do País, com construção, imposta pela UEFA, a cargo da Arouconstrói, empresa de montagem de pré-fabricados com sede em Arouca. 

 

 

A bancada norte do Estádio Municipal António Coimbra da Mota foi inaugurada em setembro de 2014.

 

Segundo Cascais24 apurou, as fissuras no chão e nas paredes da casa de banho, instalada na banca norte do estádio, terão surgido na sequência de uma alegada “concentração maciça e ruidosa de mais de 50 adeptos”.

 

“Nunca terá estado em causa a segurança da bancada, mas optou-se, por precaução, pela sua interdição”, disse uma fonte a Cascais24.

 

Já ouvido na altura pela Antena 1, o comandante Pedro Araújo, comandante dos Bombeiros de Parede e esta segunda-feira destacado na Autoridade Nacional de Proteção Civil explicou que “havia sinais visíveis de falta de segurança da bancada”.

 

Entretanto, esta terça-feira, ao final da tarde e depois de peritagens efetuadas pelos técnicos do LNEC, a Câmara Municipal de Cascais divulgou uma nota oficial, segundo a qual explica que “o alargamento do Estádio António Coimbra da Mota é uma obra que não carece de licenciamento, uma vez que se trata de um equipamento municipal”. 

 

De acordo com o mesmo comunicado, o município esclarece que “o projeto foi analisado por uma vasta equipa de técnicos qualificados, tanto da Câmara Municipal de Cascais como de organizações externas”.

 

Ainda segundo a nota municipal, “o terreno onde está implementado o Estádio está tipificado como Rede Agrícola Nacional. A RAN não exclui a construção de equipamentos, quadro legal em que se integra um Estádio Municipal (equipamento desportivo), instalado naqueles terrenos há mais de 70 anos”.

 

A Câmara Municipal de Cascais, que promete não deixar de acompanhar todo este processo,  salvaguarda que “a obra foi vistoriada pelas entidades nacionais e internacionais competentes, atendendo a que a nova bancada veio cumprir um requisito da UEFA. Mais, as instalações  do Estádio são vistoriadas pela Liga Portuguesa de Futebol e demais entidades no arranque de cada época”.

 

Interrompida na sequência do incidente, a segunda parte do jogo entre o Estoril e o Porto, a contar para a 18ª. Jornada da I Liga, está, entretanto, marcada para o próximo dia 21 de fevereiro, com a equipa estorilista a partir com a vantagem de um golo frente aos Dragões.

Em leito de cheia
O antigo vereador com o pelouro do Desporto na Câmara Municipal de Cascais, João Sande e Castro, publicou um texto no Facebook, no qual revela que a bancada norte foi construída em leito de cheia.

«Em 2002, quando assumi a função de vereador do desporto no Município de Cascais, o Estoril tinha um projeto para uma piscina que estava parado há vários anos. O local indicado para a sua construção era de reserva ecológica e ficava em leito de cheia”, escreve o antigo vereador e candidato vencido nas autárquicas de outubro último pela coligação “Também És Cascais”.

E, João Sande e Castro, acrescenta: “Que este terreno era pouco estável saltava à vista: em 12 anos, por três vezes foi necessário reparar abatimentos no solo dos campos sintéticos contíguos. Saí da Câmara em 2013 e confesso que me causou algum espanto quando em 2015 vi iniciar-se no local a construção de uma grande bancada”, escreve o antigo vereador e candidato que, em 2016, lançou o livro “Desporto em Cascais”, em que passa revista ao seu trabalho como vereador no município cascalense.

“Acreditei que tinham conseguido encontrar uma solução técnica adequada para resolver a questão da instabilidade do terreno e que, certamente, os responsáveis sabiam o que estavam a fazer. Afinal não sabiam», concluí na sua página do Facebook.








1 comentário:

Anónimo disse...

A culpa desta situação deve ser da empregada da limpeza da Câmara .
Nem uma palavra do responsável nº1 da segurança em Cascais.
Já nem ao futebol podemos ir descansados com os nossos filhos .
Uma vergonha, todos a sacudir agua do capote, em especial quem tem responsabilidades públicas, gestora do subsolo, missão e valores de salvaguarda de bens e pessoas .
Como será tudo isto possivel ? construir numa zona da RAN ? IncompetEncia e negligência pura .
Já agora, peçam ao LNEC para validar projecto da construção do novo campo de treino do Estoril na Tapada da Adroana, na envolvencia do recinto da Feira d Adrona...já nada nos merece confiança neste concelho .

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