Autárquicas
Manifesto
O
PAN assume o compromisso histórico de se candidatar pela primeira vez ao
município de Cascais, com a candidatura à Câmara Municipal encabeçada por
Francisco Guerreiro, e à Assembleia Municipal, por Sandra Marques. Esta demanda
que dinamizou uma equipa muito coesa só foi possível com o forte apoio dos
filiados e simpatizantes do PAN ao longo dos últimos dois anos. E para garantir
que Cascais tem uma nova voz na defesa do ambiente, nas causas sociais, num
novo paradigma económico e na proteção e bem-estar animal é preciso garantir
que cumpramos o objetivo de eleger pelo menos um deputado à Assembleia
Municipal.
Durante
os próximos quatro anos teremos o desafio de dinamizar esta mudança, de
transitar para este novo modelo. A estratégia municipal, já gizada neste
programa autárquico, firma o nosso compromisso com uma estratégia nacional de
reforço da nossa presença na sociedade.
Só juntos conseguimos garantir que Cascais
seja um município mais próspero, ético, justo, equitativo e ecológico.
Façamos história a 1 de Outubro.
Pela candidatura do PAN Cascais.
INTRODUÇÃO
Este
documento apresenta as principais medidas propostas pelo PAN para o município.
As medidas enquadram-se em 10 eixos estratégicos: transparência, mobilidade,
saúde, habitação, educação e cultura, desporto, desenvolvimento local e
equidade social, economia e inovação, proteção, saúde e bem-estar animal,
sustentabilidade e ambiente. No âmbito de cada eixo estratégico as medidas
específicas propostas partem de uma visão integrada de longo prazo.
O PAN acredita que este conjunto de medidas
virá contribuir para um município mais sustentável (do ponto de vista social,
económico e ecológico), mais inclusivo e transparente. Por outro lado, não se
tratam de medidas confinadas apenas a um período eleitoral, mas de linhas
estratégicas para o curto e longo prazo, que vêm estabelecer as bases para a
transição para um sistema social, económico e ecológico mais sustentável. Sendo
o partido das Pessoas, Animais e Natureza, o PAN parte de uma visão sistémica e
integrada, considerando sempre estes três pilares centrais no âmbito de cada
eixo estratégico. Deste modo, embora algumas medidas foquem especificamente uma
área de intervenção no que respeita às pessoas, animais e natureza, todas as
medidas têm um carácter transversal e são propostas mediante os benefícios que
podem trazer para melhorar o sistema socialeconómico-ecológico em que vivemos.
PROGRAMA AUTÁRQUICAS 2017 – EIXOS ESTRATÉGICOS
E MEDIDAS PARA CASCAIS
EIXO 1: TRANSPARÊNCIA NO MUNICÍPIO
E NAS FREGUESIAS DA VILA
É
fundamental que o funcionamento dos órgãos do município e das respetivas
freguesias seja transparente, inclusivo e participativo. Para tal, o PAN propõe
que os sítios web autárquicos disponibilizem toda a informação institucional
relevante, nomeadamente: calendarização das reuniões, documentos submetidos a
deliberação aos órgãos municipais e às freguesias e respetivas votações, atas
das reuniões e pareceres referentes às propostas. Os órgãos do município e as
freguesias deverão também disponibilizar a inscrição online da população para promover a participação pública e
intervenção nas reuniões públicas.
Em particular, as
seguintes medidas são propostas:
•
Garantir que o jornal de Cascais, apelidado de
Jornal C, tenha a respetiva abertura a todas as forças políticas representadas,
pelo menos, na Assembleia Municipal;
•
É imperativo haver mais e melhor transparência
nas contas do município em todos os mandatos, independentemente do partido ou
coligação que ganhar as eleições autárquicas, deverá haver uma auditoria geral,
independente e externa às contas da Câmara e da Assembleia Municipal.
Resultados das auditorias devem publicados antes do fim do mandato municipal;
• Os
Orçamentos Participativos aproximam as/os cidadãs/ãos das políticas locais,
dando-lhes a hipótese de propor e decidir sobre os projetos locais,
verificando-se uma crescente participação da população, pelo que propomos que:
1) Seja
aumentada a verba que é destinada ao orçamento participativo;
2) Seja
criado um orçamento participativo jovem, ligado a todas as escolas do concelho,
com verbas próprias, promovendo a participação e a cidadania desde a mais tenra
idade e como forma de conhecer os desejos da população mais jovem;
3) Os
projetos vencedores fiquem desde logo com os prazos de execução estabelecidos,
devendo fazer parte da comissão de acompanhamento do projeto pelo menos uma das
pessoas proponentes iniciais;
4) Os
projetos vencedores não sejam disfarçados de políticas já previstas pelo
executivo, ficando claro em cada projeto que a origem foi uma proposta
vencedora de um orçamento participativo;
5) A
votação destes orçamentos seja apenas por cidadãos residentes no Concelho;
6) Todo
o processo seja mais transparente com as várias fases difundidas, através de
site próprio criado para o efeito, atualizado no mínimo mensalmente.
EIXO 2:
MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE
A
mobilidade é a quantidade de movimento. Em Portugal aumentar a mobilidade
significa geralmente investimentos na circulação automóvel. Sabe-se hoje que
aumentar o número de estradas, faixas de rodagem e túneis no acesso às cidades
não melhora o congestionamento do tráfego, mas antes promove o aumento do
número de veículos particulares que todos os dias entram nos centros urbanos.
Já a acessibilidade, no sentido de acessibilidade para todas/s, promove maior
bem-estar e igualdade social.
A
mobilidade universal das/os cidadãs/ãos em meio urbano é um direito e um fator
de combate às desigualdades. Para ser sustentável, este combate deve
proporcionar níveis adequados de mobilidade no presente sem comprometer as
condições de mobilidade das futuras gerações.
Em
Cascais defendemos um modelo de mobilidade no qual o automóvel é afastado dos
centros urbanos, privilegiando a utilização do transporte público, os meios de
mobilidade suave, a partilha de veículos e, transversalmente, a utilização de
energias renováveis, libertando o espaço urbano para espaços verdes, de lazer e
de convívio.
O PAN entende igualmente que a mobilidade
deve ser pensada em conjunto com adaptação e mitigação às alterações
climáticas; Como abordagem geral, o PAN propõe:
1) Manter
as cidades compactas;
2) Reduzir
a velocidade do tráfego;
3) Conceber
as ruas pensando prioritariamente nas pessoas e não nos veículos
particulares;
4)
Investir em transporte público seguro, limpo,
acessível e conveniente.
2.1 TRANSPORTES PÚBLICOS
• É
importante fortalecer as redes de transportes públicos, estruturando-as a nível
supramunicipal;
• Aumentar
o número de paragens dos transportes públicos, adaptando os circuitos à
procura;
• Renovar
de forma sistemática a frota a gasóleo e substituí-la por frota elétrica
(redução de gases nocivos, partículas inaláveis e menor ruído);
• Ampliar
as faixas BUS e segregar os troços principais de modo a que o tráfego
particular não afete o desempenho e eficácia do transporte público;
• Adaptar
a rede de transporte público priorizando o acesso às escolas, hospitais, lares,
centros de dia e serviços públicos relevantes;
• Criar
passes familiares para as famílias numerosas;
• Garantir
a gratuidade dos passes da Mobi Cascais até aos 18 anos (atualmente até aos 12
anos) e para cidadãos/ãs com mais de 65 anos (substituindo os descontos atuais
para esta faixa etária);
• Promover
a alteração das regras dos transportes públicos, passando a permitir o
transporte de animais de companhia de médio e grande porte, com os habituais
meios de contenção legalmente previstos para a sua circulação na via e demais
lugares públicos: transportadora, trela e/ou açaime;
• Isentar
o pagamento de bilhete dos animais em razão das condições socioeconómicas das
pessoas detentoras e do porte do animal;
• Disponibilizar
na página da internet e nos demais locais habituais de consulta dos utentes de
informação relativa ao número total de animais de companhia permitido por
veículo e por passageiro, períodos diários em que o transporte de animais de
companhia não é permitido, preço do transporte do animal de companhia, local
onde as pessoas interessadas podem obter as informações relativas ao transporte
de animais de companhia;
• Adjudicar
uma nova concessão de transportes rodoviários coletivos (em detrimento da
ScottURB) que garanta a ligação interna e intermunicipal a preços acessíveis,
de forma sustentável, regular e ecológica;
• Requalificação
da Linha de Cascais para a tecnologia de 25.000 Volts de tensão;
• Promover
junto dos Comboios de Portugal a urgência de limpeza e o reforço de estruturas
de apoio aos seus utilizadores na linha de Cascais;
• Garantir
que todos os elevadores e acessos a cidadãos/ãs com mobilidade reduzida estejam
em pleno funcionamento e operacionais (ao contrário do que acontece na estação,
por exemplo, de São João do Estoril);
• Garantir
que as casas de banho das estações têm as condições condignas para quem usufrui
deste serviço;
• Garantir
que a renegociação da A5 não implique aumento de faixas de circulação e se
promova uma solução viável e sustentável de “Metro-Bus”.
2.2. RETIRAR AUTOMÓVEIS DA VILA
•
Será importante reduzir o acesso a veículos
movidos a energia fóssil, particularmente os diesel, incluindo táxis, pela emissão
de partículas PM 2.5 que contribuem para problemas de saúde;
•
Promover campanhas de tolerância zero a
estacionamentos irregulares;
•
Melhorar a rede de parques de estacionamento,
sem prejuízo do ambiente, com pagamento integrado nos passes de transporte, nas
principais vias de acesso à vila, aos centros mais urbanizados, e junto a
terminais multimodais;
•
Reforçar a articulação dos transportes coletivos
nas zonas metropolitanas;
• Promover
o transporte escolar coletivo para reduzir o congestionamento junto às escolas.
2.3. VEÍCULOS E SERVIÇOS PARTILHADOS
•
A autarquia deverá favorecer a circulação de
viaturas partilhadas híbridas e elétricas, criando mecanismos de diminuição
gradual da circulação de viaturas a gasóleo ou a gasolina;
•
Será importante proceder à atualização
tecnológica dos postos de carregamento elétricos públicos, através da adaptação
para fichas normalizadas e comuns a toda a União Europeia, levando também a
cabo o alargamento da rede de pontos de carregamento público em espaços de
acesso público;
• Devem
ser criados incentivos para a partilha de viaturas entre particulares. Por
exemplo, recorrendo a parcerias com universidades e empresas, chamando a si a
coordenação, o planeamento, implementação e gestão de sistemas de transportes
partilhados.
2.4. CICLOVIAS: UMA APOSTA FORTE
•
A rede de ciclovias deve ser adequadamente
integrada na restante rede de meios de transportes, reforçando o plano
intermodal, que integra transportes públicos, bicicletas, automóveis e estacionamentos
(Mobi Cascais);
•
As ciclovias (existentes e a projetar) devem ser
integradas em redes alargadas às áreas metropolitanas, articulando as ciclovias
entre municípios, a fim de permitir a existência de percursos de maior
distância e assegurar percursos intermunicipais e regionais, com a devida
sinalização;
•
Tanto quando possível, será importante
incentivar a circulação partilhada de forma segura entre todos os veículos nas
vias já existentes, privilegiando em primeiro lugar a redução da quantidade de
tráfego e a redução da velocidade de circulação;
•
Devem ser analisadas e avaliadas as soluções de
ciclovias já implementadas, detetando-se os eventuais black spots;
•
É necessário evitar ciclovias em cima dos
passeios;
•
Devem ser consultadas entidades especialistas na
matéria para validação das soluções propostas;
•
Propõe-se a criação de lugares de estacionamento
de bicicletas seguros (de preferência com circuito filmado) perto de terminais
de transporte, em todos os jardins públicos, à entrada de todos os estabelecimentos
de ensino públicos, com número de lugares dependente da dimensão do equipamento
em causa;
• Propõe-se
a criação de uma regra para que todos os estacionamentos pagos (empresas,
centros comerciais, etc.) sejam obrigados a ter uma área para estacionamento de
bicicletas correspondente a 10% do número de vagas do estacionamento (se o
estacionamento tem 500 vagas de carros, seria obrigado a ter 50 vagas para
bicicletas), ajustando-se à medida das necessidades reais observadas no
terreno.
2.5. PERCURSOS PEDONAIS PARA TODAS E TODOS
•
O PAN visa promover um levantamento das
situações de falta de ligação pedonal entre áreas/ zonas do município;
•
Garantir a continuidade dos passeios, eliminando
os “vazios” nos percursos pedonais, com especial incidência nas ligações entre
zonas da cidade e junto das grandes infraestruturas, como as vias rodoviárias
de acesso à cidade e de estádios;
Manter/reparar os
bebedouros existentes e instalar novos bebedouros na cidade, criando ainda
instalações sanitárias públicas em mais locais da cidade para melhoria das
condições de fruição da cidade;
•
Reforçar a construção de passeios entre
freguesias para melhorar a acessibilidade dos cidadãos/ãs mas também para
embelezar e ordenar o município;
• Criar
uma plataforma/aplicação com percursos pedonais pela cidade, com a sinalização
dos pontos mais interessantes da cidade, dos bebedouros e instalações
sanitárias existentes, disponibilizada através da internet e de mapas colocados
em diversos locais da cidade.
2.6. REDUÇÃO DA SINISTRALIDADE
•
As auditorias de segurança rodoviária devem ser
aplicadas na rede rodoviária nacional e na rede rodoviária municipal, incluindo
os projetos em áreas urbanas consolidadas, com a finalidade de mitigar o risco
de sinistros e de reduzir as respetivas consequências;
•
A utilização das infraestruturas rodoviárias
novas ou que sofreram obras profundas deve ser antecedida de inspeção;
•
Devem ser modificadas as vias onde se sabe ser
mais comum o excesso de velocidade, ou colocar meios de acalmia de velocidade
(nomeadamente em grandes retas);
•
Deverá haver um aumento da fiscalização ao
excesso de velocidade e à utilização de telemóvel durante a condução;
•
O aumento da fiscalização ao estacionamento em
passadeiras, em cima de passeios, nas ciclovias e em segunda fila;
•
O aumento da fiscalização relativamente ao
transporte de crianças sem os adequados sistemas de retenção homologado e
adaptado ao seu tamanho e peso;
• A
autarquia deve realizar campanhas de sensibilização locais alertando para os
perigos da velocidade.
EIXO 3: SAÚDE
A
saúde é um tema fundamental da vida comunitária. O poder local tem atualmente
algumas competências nesta área, nomeadamente, nos cuidados primários. Também
assistimos à vontade política de descentralizar mais poderes aos órgãos locais
nesta área, nomeadamente no investimento e na gestão de equipamentos, na gestão
das/os trabalhadoras/es inseridas/os na carreira de assistentes operacionais de
estruturas locais do Serviço Nacional de Saúde, serviços de apoio logístico e
no apoio de programas de saúde pública, comunitária e vida saudável e de
envelhecimento ativo.
Focando-se
na necessidade urgente de implementar um sistema de saúde que ultrapasse os
parâmetros em que vivemos, o PAN tem a obrigação de propor e lutar a nível
local pelas medidas que tem sonhado levar a nível nacional. Como notas
principais, sem ordem de importância, temos as pessoas necessitadas de cuidados
paliativos, pessoas idosas isoladas e sem recursos para tratamentos continuados
dignos, temos uma carência enorme ao nível de assistência por parte de
profissionais da psicologia e psiquiatria, e políticas de costas voltadas às
terapias não convencionais.
Em
Cascais desejamos garantir um serviço público de qualidade e excelência tal
como reduzir a dependência com instituições privadas de saúde. Há que repensar
onde desejamos estar daqui a uma década no que concerne à qualidade de vida dos
Cascalenses pelo que urge prevenir e esclarecer os malefícios de determinados
hábitos de consumo.
• O
PAN considera que: o município, em
articulação com o Ministério da Saúde, deve promover o alargamento de serviços
de saúde no âmbito:
o Da
saúde oral, incluindo médicos dentistas nos centros de saúde;
o Da
saúde mental, garantindo as especialidades de psiquiatria e psicologia nos
centros de saúde;
o Das
terapias não convencionais, garantido a existência das mesmas nos centros de
saúde.
•
O município deve fazer cumprir a legislação em
vigor, garantido que os menus disponibilizados nas cantinas e refeitórios da
autarquia, nomeadamente as das escolas, independentemente da dieta alimentar,
são equilibrados nutricionalmente. Introduzir nas cantinas do município
gradualmente alimentos de origem biológica e produção local;
•
Seja promovido na vila, junto das unidades
hoteleiras e de restauração, a importância de haver opções vegetarianas;
O município deve
promover campanhas de sensibilização no sentido de acabar com o preconceito da
amamentação em público. Estas campanhas devem ser realizadas desde logo nos
serviços da autarquia, nos serviços da administração autárquica ou que se
encontrem sob a sua gestão, nas escolas e nas empresas. O leite materno é o
melhor e mais completo alimento que existe para a/o bebé, adaptável às
necessidades fisiológicas e imunitárias em cada momento da sua vida. A
amamentação é um fator fundamental para o desenvolvimento psicoafectivo do
bebé;
•
Implementar sessões de esclarecimentos sobre o
plano de parto com os profissionais de saúde do Hospital de Cascais e
respetivos utentes;
• Tendo
em conta o agravamento das condições climáticas, o PAN propõe que a autarquia instale
medidores de ultravioleta nas praias, zonas ribeirinhas, piscinas municipais e
grandes jardins e parques urbanos, promovendo uma maior consciencialização das
populações para os perigos de uma exposição em períodos com elevados níveis de
radiação ultravioleta.
Medidas:
•
O PAN compromete-se a fiscalizar o cumprimento
do previsto no Plano de Ação de Ruído, devendo a autarquia disponibilizar na
internet os dados recolhidos para um eficaz acompanhamento pela população;
•
Promover o retorno à esfera pública o Hospital
de Cascais em detrimento da possibilidade de extensão da concessão privada
desta unidade hospitalar;
•
Garantir que, em caso de concessão a privados, o
Hospital de Cascais não tenha parque de estacionamento pago;
•
Privilegiar o apoio institucional e camarário a
unidades públicas de saúde em detrimento de aglomerados privados de saúde;
• Garantir
que o investimento do município de Cascais na área de saúde seja acompanhado de
um reforço efetivo de médicos de família.
EIXO 4: HABITAÇÃO
Acreditamos
verdadeiramente que é possível dar uma vida digna a todas/os. Para muitas/os
ter uma casa decente e segura é ainda um sonho, no entanto, a possibilidade de
usufruir de uma habitação condigna de forma acessível é, não raras vezes,
entendido como um peso social.
Acreditamos
que as cidades mais sustentáveis e produtivas no futuro serão aquelas onde os
territórios vulneráveis se tornam bairros vibrantes, completamente integrados
no tecido das cidades. Em particular, no Concelho de Cascais os custos de vida
têm aumentado de modo abrupto, devido ao aumento de rendas e à especulação
imobiliária. Urge dedicar os nossos esforços a desenvolver um plano estratégico
eficaz para lidar com este desafio. É no âmbito desta visão estratégica que as
seguintes medidas são propostas:
•
Mudar o paradigma de “habitação social” para
“habitação condigna para todas e todos”;
•
Que o município insista na necessidade de criar
um Pacto Nacional para a Habitação1. A implementação de um Pacto não
é algo imediato, nem pode corresponder aos ciclos políticos das governações, o
que constitui um fator crítico para o seu sucesso. O Pacto deverá ser dinâmico,
conseguindo aceitar revisões devido às rápidas alterações sociais e económicas,
sem por em causa a sua base inicial “habitação para todas e todos” e deve ser
coordenado por uma estrutura nacional mas trabalhado a nível local, a partir do
terreno, com soluções decididas com a comunidade local;
•
Fazer um levantamento atualizado do parque
habitacional existente de “bairros sociais”, do seu estado de conservação e
ocupação, levantamento e análise da procura de habitação no município e do tipo
de agregados e rendimentos dos mesmos;
•
Criar um novo programa municipal que garanta o
acesso ao direito à habitação;
•
Melhorar o parque habitacional existente através
de programa de reabilitação dos edifícios, envolvendo os residentes em medidas
pontuais;
•
Reabilitar o parque habitacional devoluto
pertencente à autarquia;
• De
preferência, integrar o programa de “habitação para todas e todos” na vila
consolidada, de forma dispersa, não criando bairros distintos da envolvente;
Criar novas
habitações reconvertendo áreas degradadas e criando novas centralidades nesses
locais, através da miscigenação de usos, evitando aumentar o perímetro da
cidade;
•
Acompanhar a construção de novas habitações e a
requalificação das existentes com programas integrados de inclusão social
(empregos, escolas, transportes e comércio local);
•
Corresponsabilizar todas/os, desde o ato de
planear, cuidar e gerir, até ao nível da contribuição financeira ou de trabalho
dentro das possibilidades de cada um/a. Para tal, são necessárias formas de
participação ativas, e essa participação da população tem de ser sentida;
•
Acompanhar e fiscalizar de modo adequado,
inclusive por residentes, a situação das habitações: estado de conservação,
ocupações ilegais, falta de cumprimento das obrigações, entre outras;
•
Garantir a mobilidade dos agregados dentro do
parque habitacional mediante a sua alteração de configuração;
•
Em estreita colaboração com a Administração
Central, afetar mais verbas a programas como o subsídio de renda;
•
Criar uma comissão permanente de acompanhamento
e monitorização da implementação do Pacto, com apresentação de relatórios
semestrais disponibilizados na internet com linguagem acessível a todas/os;
•
Combater a gentrificação no concelho devido ao
crescimento do turismo;
• Promover
o decréscimo da especulação imobiliária na região de modo a garantir rendas
justas e acessíveis aos munícipes Cascalenses.
EIXO 5: EDUCAÇÃO E CULTURA
A educação e a
cultura são a base de uma sociedade próspera, porém pouco se tem feito para
exponenciar estas áreas de expressão social e económica no concelho de Cascais.
Há que dotar o concelho de melhores infraestruturas educacionais e culturais.
Há também que promover a troca de conhecimentos e aprendizagem entre gerações.
Há que possibilitar o renascer de antigas formas de arte local, artesanato e
saberes tradicionais.
Será
importante aprender com os saberes e práticas antigas, mas também partilhar novos
conhecimentos e experiências que possam promover novas práticas e inovações
locais. A educação e cultura local deverão usufruir de uma troca frutífera e
contínua entre passado e presente, construindo-se novas culturas, mas também
recuperando práticas e culturas antigas. A descentralização de competências
para os municípios oferece uma excelente oportunidade para coletivamente
desenvolvermos e implementarmos medidas que promovam uma transição para uma
sociedade mais consciente e ativa perante os desafios e oportunidades que com
que deparamos.
Cascais
será em 2018 a Capital Europeia da Juventude, o que configura uma excelente
oportunidade para desenvolver uma consciência coletiva sobre os desafios que o
concelho, o país, a Europa e o mundo, enfrentam e promover a nível local a
mudança global. Desejamos sobretudo promover um novo paradigma que interligue
pessoas, animais e ecossistemas numa base de cooperação e não-violência em
contra corrente à corrente ideológica vigente de competição e antropocentrismo.
Deste modo, as principais medidas propostas são:
• Em
2018, sendo Cascais a Capital Europeia da Juventude, garantir que se promova
ações de educação e sensibilização para um novo paradigma social, cultural e
económico que reconheça a importância da simbiose entre pessoas, animais e
ecossistemas;
• Cascais crie a Semana da Cultura local;
• Deve haver um incentivo aos artesões e ao fortalecimento do artesanato municipal tal como a realização de mais feiras e exposições;
• Dinamizar
centros e núcleos museológicos para dignificar o património do concelho (e.g.
núcleo do Mar, de Paleontologia, de Pré-História e Arqueologia, Geologia e
Espeleologia);
• Se crie novos espaços de acolhimento para eventos, cultura, artes e formação nas Freguesias do interior do concelho;
• Valorize e organize o Carnaval de Cascais em articulação com as Freguesias e todos os intervenientes, permitindo mais autonomia por parte das coletividades;
• Se reforce e estimule a integração de todas as freguesias numa convergência de culturas;
• Promova a recuperação de espaços edificados abandonados em todo o concelho;
•
A autarquia crie um programa estratégico de
Biblioteca XXI que vise a recuperação e alargamento da rede de bibliotecas na
vila. Este programa renovará também a vida
das bibliotecas
tornando-as mais dinâmicas e próximas de outras ações culturais como o teatro,
a dança, entre outras;
•
Se promova na vila teatros de proximidade que
envolvam a comunidade Cascalense;
•
A autarquia deve garantir, em articulação com o
Ministério da Educação, percursos de aprendizagem formais, não formais e
informais para a reintegração no ensino e para a programas de redução e
prevenção do abandono escolar precoce;
•
Urge definir uma promoção da igualdade de acesso
ao ensino infantil, primário e secundário de boa qualidade;
•
Com o objetivo de minimizar as situações de
abandono e absentismo escolar, detetar e prevenir situações de violência
psicológica e/ou física em meio escolar e de consumo de substâncias
psicoativas, a autarquia deve garantir a existência em todas as escolas do
funcionamento de serviços de apoio alunas/os e à família. Este serviço, que
deve ser dotado da componente de Psicologia, deverá criar as pontes necessárias
entre a criança, a família e a comunidade escolar;
•
Impera promover, junto do Ministério da
Educação, a universalidade do serviço público para berçário, infantário e
creche na vila. Não obstante a oferta privada o Estado e o município devem
garantir que haja uma cobertura base e universal destes serviços;
•
A autarquia deve promover, através de campanhas,
formação de formadoras/es e educadoras/es dos vários níveis de ensino, assim
como a educação emocional, ensinando comportamentos e emoções, ajudando as
crianças/jovens e famílias a conhecer melhor as suas emoções e a lidar com
elas;
•
Devem existir programas de 1º Ciclo e 2º Ciclo
onde sejam facilitadas práticas de Mindfulness/Atenção
Plena;
•
A autarquia deve promover horas anuais
pedagógicas, desde a pré-primária, para ações cívicas, ambientais e de ação das
escolas do seu território, promovendo assim a cidadania jovem mais ativa no
Concelho;
•
Durante a época de férias escolares, a autarquia
deve reforçar o funcionamento de ateliers
de tempos livres para crianças e jovens, associando programas de lazer ações de
solidariedade, ligadas ao voluntariado em áreas de proteção da natureza, dos
animais e apoio a idosos;
• A
autarquia tem de definir um Programa Municipal de Educação Ambiental e
Desenvolvimento Sustentável, que preveja, entre outras ações:
o A introdução de uma disciplina de
Literacia Ambiental nas escolas, desde o ensino pré-escolar, com o objetivo de
alterar comportamentos de consumo que levarão inevitavelmente a uma redução do
dispêndio de recursos naturais
e o objetivo de salvaguardar o património
natural, respeitando as características naturais dos ecossistemas;
o A
criação de atividades lúdico-pedagógicas nas temáticas da Cidadania, da Água,
dos Ecossistemas, dos Resíduos, do Desenvolvimento Sustentável, da Alimentação,
da Mobilidade Sustentável, da Energia, da Natureza, dos Animais, da
Biodiversidade, destinadas a escolas públicas e privadas, desde o ensino
pré-escolar até ao ensino secundário, e também famílias;
o O
reforço de ações de educação e sensibilização que fomentem o conhecimento das
espécies existentes, a preservação dos habitats e a relevância para o
equilíbrio dos ecossistemas. Estas ações devem ter como públicos-alvo tanto a
comunidade escolar, como a população em geral;
•
É urgente dotar todas as escolas públicas do
concelho de coberturas nas áreas de lazer, apelidadas de recreios, para que
as/os alunas/os possam não só ter uma proteção efetiva em períodos chuvosos
como solarengos. Estas condições devem ser adaptadas à realidade de cada escola
e condicionadas a um plano de prioridades;
• Os
parques infantis e juvenis permitem uma atividade lúdica, estimulando o
movimento e a interação entre as crianças e jovens, e também entre gerações.
Por isso propomos a criação de mais e melhores equipamentos lúdicos destinados
a crianças e jovens:
o Integrados
na cidade em áreas consolidadas, aproveitando por exemplo espaços de edifícios
municipais em ruína, nos jardins e praças e nos parques urbanos;
o Inclusivos,
permitindo a utilização por crianças com deficiência e/ou diversidade
funcional, devendo ser adaptados os parques já existentes;
o Parques
construídos com materiais resistentes que permitam a interação de diversas
faixas etárias;
o Com
pavimentos que permitam a correta drenagem e sem impermeabilizarem a área de
implantação do equipamento;
o Instalação
de cobertura em alguns parques, pois tanto a chuva como o excesso de incidência
solar impedem a sua utilização, devendo acautelar tanto a proteção da chuva
como proteção UV;
o Garantir
que os equipamentos instalados tenham manutenção constante e de qualidade.
•
Garantir que o património urbanístico comum,
e.g. Forte de São Teodósio de Cadaveira ou o Forte de São Pedro da Poça, se
mantenham na esfera pública.
EIXO 6:
ATIVIDADE FÍSICA E DESPORTO
A
capacidade de proximidade às populações, bem como o crescente grau de autonomia
numa política de descentralização fazem com que as autarquias locais sejam
entidades privilegiadas no diagnóstico de problemas e no consequente
planeamento e operacionalização de políticas municipais na área do Desporto e
da Atividade Física. Assim, recorrendo à Carta Europeia do Desporto,
recomendações da Comissão Europeia do Desporto, recomendações do movimento
associativo dos profissionais de Educação Física em Portugal e Objetivos para o
Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o PAN em Cascais propõe as
seguintes orientações para a criação de uma política de promoção e
generalização da prática de atividade física e do desporto:
6.1. DESPORTO E EDUCAÇÃO
•
Criar programas que concorram para uma efetiva
Educação Física ao longo de toda a escolaridade obrigatória, com maior foco no
pré-escolar e no 1º ciclo do Ensino Básico, garantindo a universalidade e
gratuidade de uma formação desportiva de base, de uma educação promotora de
estilos de vida saudáveis, da inclusão e da multiculturalidade e de uma
educação para a sustentabilidade;
•
Criar programas de formação que apoiem o
desenvolvimento de competências dos vários intervenientes no processo de
formação e educação desportiva (pais/mães, professores, dirigentes e
treinadores), na promoção e generalização da atividade física, na promoção da
ética desportiva e na educação para a saúde e sustentabilidade;
• Garantir
uma maior ligação entre escolas, clubes e outras organizações através da
constituição de projetos/protocolos que tenham como objetivo estimular a
prática de atividade física recreativa e do desporto.
6.2. ESPAÇOS PÚBLICOS DESPORTIVOS
•
A autarquia deverá garantir que existem espaços
públicos onde seja possível realizar atividades físicas recreativas ou
desportivas em ambientes seguros e saudáveis e sem qualquer tipo de
discriminação;
•
Garantir um maior acesso da comunidade aos
espaços desportivos públicos de modo a aumentar as possibilidades de prática de
atividade física recreativa ou desportiva;
•
Em conjugação com escolas, clubes desportivos,
coletividades e outras organizações devidamente certificadas garantir uma boa
gestão dos espaços públicos desportivos existentes de modo a possibilitar o
reforço do currículo de Educação Física e da oferta extracurricular do Desporto
Escolar;
• Fazer
respeitar os valores da natureza e da preservação do meio ambiente nos
processos de planeamento associados à construção e desenvolvimento de
instalações, públicas ou privadas, vocacionadas para a prática de atividades
físicas recreativas e desportivas.
6.3. DESPORTO E COMUNIDADE
•
Criar e gerir programas de apoio aos clubes
desportivos, coletividades e outras organizações devidamente certificadas com o
objetivo de garantir que todas/os as/os cidadãs/ãos terão a possibilidade de
desenvolver as suas competências desportivas e caso o entendam ter acesso a
oportunidades de melhorar o seu nível de rendimento e alcançar níveis de
excelência;
•
Melhorar as condições de acesso à prática
regular e devidamente orientada de atividade física recreativa e desportiva
para toda a população, reforçando esforços para incidir sobre os sectores
identificados como mais problemáticos - mulheres, população sénior, doentes,
portadoras/es de deficiência, cidadãs/ãos sem emprego;
•
Fomentar o desenvolvimento de competências
sociais associadas ao fair play, cooperação,
equidade, igualdade, integridade, direitos humanos, respeito pelas capacidades
dos outros, trabalho de equipa, inclusão social e liderança;
• Para
que as/os trabalhadoras/es dos setores público e privado tenham acesso à
prática de atividade física recreativa e desportiva numa perspetiva de saúde,
bemestar e de aumento da produtividade laboral, a autarquia deve desenvolver
parcerias com escolas, clubes desportivos, coletividades, empresas ou outras
organizações devidamente certificadas.
6.4. DESPORTO E ECONOMIA
•
A autarquia deverá promover a realização de
eventos e espetáculos desportivos que contribuam para o desenvolvimento de uma
cultura desportiva eclética, inclusiva e sustentável, para a promoção da
prática de atividade física recreativa ou desportiva e para a economia local;
•
O imperativo ambiental deve ser matriz em todos
os eventos desportivos. Todos os desportos devem ser acompanhados de uma ética
ecológica e o município deverá acompanhar as exigências físicas desta simbiose
disponibilizando todos os meios necessários para concretizar este objetivo
(e.g. mais pontos de reciclagem, maiores contentores de resíduos sólidos,
funcionários/as camarários de limpeza, entre outros);
•
Promover junto de agrupamentos escolares
atividades de Educação Física, com aulas práticas e em horário escolar, ligadas
com o mar (e.g. Surf, Vela, WindSurf, entre outros);
• Com
o objetivo de potenciar boas práticas de gestão que garantam a melhoria da
oferta desportiva local numa perspetiva de adaptação às necessidades e
possibilidades do contexto do local e de continuidade, a autarquia deve
concorrer para a criação de programas de formação para dirigentes e gestoras/es
desportivas/os;
6.5. DESENVOLVIMENTO DESPORTIVO LOCAL
•
Rever a carta desportiva local (instalações
desportivas, espaços naturais de recreio e desporto, associativismo desportivo,
hábitos desportivos, condição física das pessoas, enquadramento humano, não
discriminação em função do género) de modo a melhorar o apoio a projetos
desenvolvidos pela autarquia e que concorram para uma caracterização nacional
da situação desportiva nacional;
•
Estudar e caracterizar as necessidades e
potencialidades de desenvolvimento da oferta de atividade física e desportiva
local e de definir, numa lógica de projeto, planos de intervenção a curto,
médio e a longo prazo no sentido de promover e generalizar a prática desportiva
local.
EIXO 7:
DESENVOLVIMENTO E EQUIDADE SOCIAL
A
iniquidade combate-se, em grande parte, pelo sentido de comunidade, pela
garantia de igualdade no acesso a bens, locais e serviços tal como pela
sensibilização que é na diferença que está a multiculturalidade e pluralidade
democrática de um país, de uma região. É por esta demanda que o PAN Cascais se
debate tendo em especial consideração os que mais necessitam de políticas
eficazes em prol do desenvolvimento e equidade social. O nosso compromisso
social não se prende a 4 anos de mandato, visa sobretudo promover uma maior
consciencialização e sensibilização das comunidades locais para uma sociedade
mais inclusiva, transparente e participativa.
7.1. PROMOÇÃO DA IGUALDADE
•
Havendo já um consenso internacional de que os
objetivos estabelecidos pela Agenda 2030 das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável[1]
incluem a necessidade de alcançar a igualdade de género e o empoderamento das
mulheres e das meninas, o município terá de garantir, nos serviços da
autarquia, nos serviços e empresas sob a sua gestão ou às quais pertençam, uma
total participação e direitos iguais em todos os campos, nomeadamente na
liderança ao nível das tomadas de decisão, na garantia do emprego e no
pagamento igual para trabalho igual, não permitindo qualquer discriminação
verbal e psicológica e qualquer forma de violência ou assédio contra mulheres e
crianças;
•
A autarquia deve também incentivar a promoção da
igualdade de género em empresas privadas e institutos, criando prémios,
distinções ou “selos” de boas práticas;
•
A autarquia deve garantir o cumprimento dos
planos anuais que advêm da Estratégia Municipal para a Igualdade de Género;
•
A autarquia deve adotar uma linguagem escrita e
visual promotora da igualdade de género (não discriminatória em função do
sexo/género) em todos os documentos emitidos pelos serviços autárquicos,
empresas municipais, empresas e escolas cuja gestão se encontre dependente da
autarquia, dando igual estatuto a mulheres e homens. Para tal deve elaborado um
guião orientador facilitando a adoção desta medida;
•
As bibliotecas escolares e municipais devem ser
dotadas de oferta diversificada e inclusiva no que toca temas relacionados com
sexualidade, género, orientação sexual, identidade e expressão de género,
diversidade funcional, multiculturalidade, interdependência, diversidade de
modelos familiares, saúde reprodutiva, saúde mental, proteção animal e
ambiental, entre outros;
• Devem
ser promovidas ações de formação obrigatórias na área da igualdade e não
discriminação, nas suas várias vertentes, para profissionais dos quadros
autárquicos e outros cuja função seja de elevado interesse para o município, de
forma a melhorar os serviços de atendimento e as respostas municipais às
necessidades e especificidades de todas/os, combatendo assim o estigma e o
preconceito dentro das próprias equipas de trabalho.
7.2. ACESSIBILIDADE IGUAL A INCLUSÃO
•
É fundamental intensificar a fiscalização de
operações urbanísticas sujeitas a controlo prévio, assegurando o cumprimento
das condições de acessibilidade a satisfazer no projeto e na construção de
espaços públicos, equipamentos coletivos e edifícios públicos e habitacionais;
•
Elaborar um levantamento das situações de
incumprimento dos prazos para adaptação de instalações, edifícios,
estabelecimentos, equipamentos de utilização pública e via pública, da
administração pública central, regional e local, promovendo a correção das
situações que sejam identificadas;
•
Criar um banco de ajudas técnicas onde se
disponibilizem produtos de apoio para pessoas com deficiência ou incapacidade,
permanente ou temporária, por meio de empréstimo, mediante a avaliação das
necessidades e dos produtos mais adequados. Este banco deve funcionar com uma
base de produtos permanentemente atualizada online para que as várias entidades
envolvidas (Câmara, Juntas de Freguesia, IPSS, entre outras) saibam quais os
produtos disponíveis em tempo real;
•
Criar um subsídio municipal de apoio a
proprietárias/os e moradoras/es para a adaptação dos edifícios e habitações
existentes tornando-os acessíveis a todas/os, nomeadamente através da
introdução de elevadores, rampas amovíveis e outros equipamentos, procurando
minimizar o isolamento das pessoas com deficiência e/ou mobilidade
condicionada. Este subsídio deve ser acompanhado de aconselhamento técnico e de
análise dos pedidos de subsídio e dos respetivos projetos ou instalações. Deve
ser um processo aligeirado, com pouca burocracia e com linguagem acessível;
• Combater
a ocupação abusiva de lugares reservados para população com mobilidade reduzida
através de uma maior fiscalização e isentar estes de pagamento de quaisquer
taxas de estacionamento;
• Combater a toxicodependência em todo o concelho apostando na prevenção;
• Integrar novos equipamentos urbanos nomeadamente wc's e fraldários no concelho.
7.3. PESSOAS IDOSAS
O
PAN defende a permanência da pessoa idosa, mesmo que dependente, na sua
habitação.
Deste
modo, são sugeridas algumas medidas específicas:
•
Criar um Plano Municipal de Envelhecimento em
Casa ou Plano Gerontológico Municipal;
•
Assumir um papel mais dinamizador e forte na
Rede de Cuidados Continuados Integrados, em estreita colaboração com as Juntas
de Freguesia, associações locais, e administração central, nomeadamente a
Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde, aproveitando estruturas já
existentes como as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e a
Santa Casa da Misericórdia, dinamizando equipas multidisciplinares de apoio aos
idosos dependentes, seguindo o que se entende pela legislação em vigor por
“cuidados continuados integrados, melhorando a funcionalidade da pessoa em
situação de dependência, através da sua reabilitação, readaptação e reinserção
familiar e social;
•
Elaborar e promover campanhas de sensibilização
referentes ao envelhecimento e à corresponsabilidade da comunidade no apoio e
cuidados a dependentes, promovendo o voluntariado nesta área;
• Criar
um conjunto diversificado de equipamentos de residências alternativas para as
pessoas idosas, quando já não seja possível permanecerem no seu lar, com um
valor de renda definido mediante os rendimentos mensais de cada pessoa e com
distintos graus de assistência, com a possibilidade de levarem o seu animal de
companhia, seguindo diversos modelos, como por exemplo:
o “repúblicas”,
modelo que já foi experimentado noutros países, como no Brasil e em Espanha,
onde as/os residentes têm total liberdade de movimentos, podendo partilhar as
tarefas entre si ou ter apoio externo;
o residências,
com tipologia T1, com serviço de apoio permanente e assistência completa,
incluindo alimentação, higiene pessoal, serviços de limpeza da casa e de
roupas, atendimento médico e de enfermagem, com funcionamento assegurado por
protocolos com IPSS ou outras instituições;
o unidade
residencial assistida para pessoas idosas que necessitem de alojamento
temporário assistido, para curtos períodos de tempo, com funcionamento
assegurado por protocolos com IPSS ou outras instituições;
• Criação
de um serviço de apoio a pessoas idosas em situação de carência e que vivam
sós, ou com menores e animais, para serem efetuadas de forma gratuita pequenas
reparações domésticas e entregas domiciliárias nas residências através de
protocolos com empresas.
7.4. CIDADES SEGURAS E INCLUSIVAS
•
A autarquia deverá desenvolver programas de
educação de combate a todas e quaisquer formas de discriminação e de
intolerância em função da deficiência, da orientação sexual, da etnia, da
religião, da identidade de género, ou qualquer outro fator, em parceria com
escolas, associações e forças de segurança, a partir do préprimário;
•
Desenvolver uma Estratégia Local de Prevenção de
Crime, não esquecendo a participação da população que deve ser envolvida na
definição dos problemas e nas soluções encontradas;
•
Reforçar parcerias entre o poder local
(autarquias e juntas de freguesia), as diversas forças policiais (PSP, Policia
Municipal onde existe, GNR) e a sociedade civil e utilizar em diversas ações,
por exemplo em campanhas nas escolas, apresentando as parcerias à população;
•
Apoiar todos os Corpos de Bombeiros do Concelho
para que se garanta uma melhoria do socorro aos Cascalenses;
•
Utilizar o modelo de Policiamento de Proximidade
ou Comunitário;
•
Construir espaços urbanos mais seguros,
particularmente os espaços públicos, tornando-se centros de socialização e de
segurança;
•
Capacitar funcionárias/os da autarquia de forma
a criar uma equipa de revisão dos projetos, garantindo o cumprimento da
abordagem Crime Prevention Through
Environmental Design (CPTED) e incorporar aspetos de segurança tanto no
planeamento urbano utilizando os princípios de desenho da abordagem CPTED ou
Prevenção Criminal através do Desenho Urbano.
EIXO 8: ECONOMIA E INOVAÇÃO
A
estratégia do PAN para a inovação e dinamização da economia do Concelho, passa
por uma visão de longo prazo, que inclui um projeto piloto em Cascais para o
Rendimento Básico Incondicional (RBI). Este seria um projeto piloto também a
nível nacional e permitiria avaliar os impactos e efeitos do RBI na sociedade.
O RBI visa atenuar os efeitos do desemprego estrutural (que poderá resultar do
avanço tecnológico na robótica e inteligência artificial). No entanto, embora
esta medida esteja já a ser testada em alguns países, não foi ainda realizado
em Portugal um projeto piloto, que permita avaliar os impactos (positivos e
negativos) desta medida.
Queremos
também afirmar Cascais como um concelho onde os munícipes aumentam a sua
independência energética, com base em energias totalmente renováveis,
promovendo o dinamismo entre novas Pequenas Médias Empresas (PME) e tecnologias
de informação e energias renováveis. Mais que quantidade, desejamos qualidade
económica, empresarial e turística em Cascais.
Deste
modo, o PAN contempla também um conjunto de medidas que focam por um lado
promover um maior acesso a fundos comunitários e ao financiamento externo, e
por outro dinamizar a economia e o comércio local:
• A
elaboração de uma candidatura aos programas da Estratégia 2020 é algo complexa,
exigindo conhecimentos e um dispêndio de tempo que nem todas as entidades e
particulares possuem. As candidaturas aos Programas que fazem parte da
Estratégia do Portugal 2020 estão concentradas na plataforma “Balcão 2020” https://www.portugal2020.pt/Portal2020/.
Contudo, o formato do site e a linguagem utilizada não são acessíveis a todas
as pessoas e entidades interessadas. Com o objetivo de se atingir as metas
definidas e de maximizar os recursos financeiros disponibilizados pela Comissão
Europeia, o PAN propõe que o município dinamize as candidaturas aos programas
da Estratégia 2020 com base territorial no concelho, através das seguintes
ações:
o Capacitação
de funcionárias/os com as competências necessárias para desempenhar as funções
de apoio e esclarecimento relativas às candidaturas acima referidas;
o A
criação de uma página integrada no portal da Câmara Municipal exclusiva para
esta matéria, associada uma linha telefónica e a um endereço de correio
eletrónico;
o Caso
a procura das linhas de apoio o justifique, deverá ser criado um balcão de
atendimento.
Os mercados
municipais são espaços privilegiados de comércio local, mas também de convívio
e de socialização intergeracional. Ao longo dos anos, estes espaços foram
perdendo clientes devido às grandes superfícies, motivo pelo qual o PAN defende
a urgência da sua revitalização, introduzindo novas funções (por exemplo
restaurantes, como já tem sido feito noutras cidades) mas sobretudo recuperando
estes espaços para distribuir e consumir produtos locais e regionais, de
preferência sazonais e biológicos, promovendo a produção e a economia locais,
diminuindo ao mesmo tempo a pegada ecológica;
• O
PAN considera essencial que por vários motivos, nomeadamente para reduzir a
utilização de novos recursos e reduzir a produção de resíduos, a autarquia
estimule a reutilização dos bens e objetos ou a sua reparação, procurando
mantê-los para serem reutilizados e voltarem a gerar valor mesmo quando os
produtos já não são úteis a quem os possui. Para tal propomos que a
autarquia:
o Impulsione
a criação de lojas com o conceito de loja de “empréstimos”, não baseada na
falta de poder económico mas na consciencialização de que os recursos não são
infinitos e que é necessário reutilizar;
o Incentive
a criação de oficinas de arranjos, diminuindo assim o custo final da reparação
e estimulando a criação de postos de emprego e a reutilização dos produtos;
o Disponibilize,
para efeitos do acima proposto, espaços municipais com rendas acessíveis ou até
gratuitas por um espaço de tempo a determinar a quando da apresentação do
projeto, podendo, por exemplo, em cada mercado municipal definir um espaço para
estas atividades;
•
O PAN defende que o município deve proceder à
gradual substituição, sempre que possível, do software pago por software livre
e aberto, confirmando assim o empenho do município na utilização racional dos
recursos locais;
•
O PAN propõe que o município crie e promova uma
plataforma municipal de crowdfunding,
de forma a possibilitar o apoio a projetos de pequena e média dimensão cujas atividades
tenham por base ou destino o concelho;
•
O PAN propõe que sempre que reconhecidamente
seja desenvolvida uma profissão de modo permanente, pelo menos há mais de três
anos, nos serviços da autarquia, nos órgãos representativos das autarquias, nos
serviços da administração autárquica ou que se encontrem sob a sua gestão, a
pessoa passe a integrar o quadro;
Desejamos
fomentar a criação de emprego e captação de investimento no concelho através de
mecanismos de apoio à contratação como estágios e incentivos à contratação de
habitantes do concelho;
• O
PAN propõe que a autarquia, em parceria com as universidades e outros atores,
se converta num município do Bem Comum, nomeadamente através das seguintes
ações:
o Reforçar
programas de incentivo ao empreendedorismo social, procurando estimular a
implementação de modelos de negócios capazes de pensar o território no qual
estão sediados e de definir prioridades que contribuam para o desenvolvimento
socio-ecológico e sociocultural das comunidades locais;
o Importar
e adaptar ao nosso território modelos de organizações económicas cooperativas e
projetos de economia solidárias.
•
O PAN defende ainda que a autarquia deve
estreitar a relação e contribuir para o desenvolvimento do trabalho das
associações, Instituições Particulares de Solidariedade Social ou outras
entidades que prossigam fins de interesse público municipal no âmbito dos
Direitos Humanos, da ação social, da defesa ambiental, da proteção animal e/ou
desenvolvimento cultural, não só através da atribuição de apoios financeiros e
não financeiros, como através da chamada pública à participação para a
definição de políticas e planos de ação locais;
•
O PAN considera essencial o município
declarar-se livre de TTIP, CETA e TISA, como forma de posição simbólica de cada
município em favor do planeta, da saúde, segurança alimentar e direitos sociais
de quem trabalha;
•
Tendo em consideração o crescente urbanismo e a
expansão de interesses privados consideramos que a Marina de Cascais não deve
ser expandida, nem usada como plataforma de concessão de loteamentos
habitacionais;
•
Reduzir o Imposto Municipal sobre os Imóveis
(IMI) para freguesias/bairros que cumpram elevadas taxas de separação de lixo
(via ecoponto);
•
Implementar um projeto-piloto de um Rendimento
Básico Incondicional no concelho em conjunto com entidades académicas e baseado
em fundos municipais, nacionais e europeus;
•
Estudar a implementação de uma moeda local, para
reforço da economia regional, apelidada de Cascalho, como já ocorre noutros
municípios do país (e.g. Junta de Freguesia de Campolide);
•
Garantir que a Economia do Mar não seja motriz
de uma acentuação da degradação ambiental. Todos os projetos relacionados com a
gestão do mar devem basear-se no reforço da sustentabilidade marinha;
• Assegurar
que o dinheiro público não é gasto em fogos de artifício no concelho; Declarar
Cascais como um município livre da possibilidade de prospeção de combustíveis
fósseis (e.g. gás e petróleo);
Garantir que os
polos económicos e de inovação, como o DNA Cascais, se especializam no sector
das energias e tecnologias renováveis para cimentarem a transição energético do
concelho para uma economia descarbonizada;
• Criar
mecanismos de captação de investimento tais como os apoios às PME do concelho,
programas de Business Angels, criação de Incubadoras de Ideias.
EIXO 9:
PROTEÇÃO, SAÚDE E BEMESTAR ANIMAL
Atualmente
a sociedade exige um novo paradigma que contemple o bem-estar e a proteção
animal na sua plenitude. Cremos que é um sentimento crescente e que muito há a
fazer para salvaguardar a proteção dos animais no Concelho de Cascais porém já
muito tem sido realizado pelas diversas organizações de proteção animal. Há que
expandir este trabalho a mais cidadãos/ãs e garantir que a proteção, saúde e
bem-estar animal é mais que uma política no papel, é sim uma política aplicada
em Cascais. Deste modo, o PAN propõe e recomenda as seguintes ações
específicas:
•
Criar um Hospital Público Veterinário para
Animais em situação de Risco destinado a animais errantes, abandonados ou
detidos por pessoas em situação de especial vulnerabilidade socioeconómica que
não tenham capacidade para assegurar aos seus animais de companhia os cuidados
básicos de saúde ou de socorrê-los em situação de emergência;
•
Criar programas de apoio aos animais detidos por
pessoas em especial situação de vulnerabilidade social e de sem-abrigo, geridos
pela autarquia ou em parceria com as associações zoófilas, que permitam
assegurar a alimentação dos animais, a prestação de cuidados básicos, como o
plano de vacinação, cuidados de saúde e higiene animal;
•
Para além do apoio ao nível da alimentação e dos
cuidados médico-veterinários, assegurar a revisão dos Planos de Contingência
Municipal, nomeadamente contra o frio, de proteção civil ou de estratégia de
intervenção, visando a inclusão dos animais das pessoas em situação de
sem-abrigo e permitindo o seu acesso dos animais aos espaços existentes, sejam
de acolhimento temporário ou casas-abrigo;
Promover a
realização de ações de apoio social aos animais de pessoas idosas, combatendo
por um lado o isolamento da pessoa idosa e por outro as dificuldades muitas
vezes sentidas por esta parte da população relativamente às necessidades
básicas dos animais de companhia, como os cuidados médico-veterinários, a
higiene ou o passeio. Os programas devem promover também a criação de uma rede
de voluntariado por parte da pessoa idosa como família de acolhimento
temporário dos animais alojados no Centro de Recolha Oficial, assegurando o
município as despesas inerentes à alimentação e aos cuidados
médico-veterinários dos animais;
•
Assegurar a inclusão dos animais de companhia
nos Planos Municipais contra a Violência Doméstica, quer no âmbito das ações de
sensibilização e de prevenção, quer permitindo o acesso dos animais aos espaços
existentes, sejam de acolhimento temporário, apoio à vítima ou casas-abrigo.
Para além disso, sempre que não seja possível assegurar a permanência do animal
junto da vítima de violência doméstica, a autarquia deve assegurar o seu
alojamento no Centro de Recolha Oficial;
•
Realizar campanhas de esterilização anual,
possibilitando a esterilização dos animais de companhia detidos pelos munícipes
que comprovem ter dificuldades financeiras e ainda dos animais errantes ou
abandonados do concelho, inclusive que se encontrem à guarda ou sob a
responsabilidade das associações zoófilas e de sensibilização da população para
os benefícios da esterilização animal, com vista a prevenir o flagelo do
abandono e a reprodução descontrolada de animais de companhia. Devem ainda ser
dados incentivos à esterilização através da isenção de pagamento da taxa de
registo quando o animal se encontre esterilizado;
•
Dar resposta à problemática do aumento de
colónias de gatos silvestres e assilvestrados, através dos programas CER –
Capturar, Esterilizar e Recolocar, fomentando a sua implementação, sempre que
necessário em parceria com as associações zoófilas ou dos cuidadores localmente
existentes, nomeadamente, através de ações regulares (e até massivas) de
esterilização destes animais e de sensibilização dos munícipes para os
benefícios do controlo da população animal por meio destes programas;
•
Criar pelo menos um parque canino em cada
freguesia da vila, integrados nos espaços de lazer já existentes ou em zonas
verdes, constituídos por um espaço vedado com vários obstáculos, que permitam
que os cães possam correr e brincar soltos em segurança, proporcionando o seu
exercício e socialização. Os equipamentos devem ainda integrar bebedouros para
pessoas e animais e dispensadores de sacos para os dejetos caninos e respetivos
recolectores;
•
Criar a figura do/a Provedor/a Municipal dos
Animais, a qual deve atuar com autonomia, independência, de forma apolítica e
apartidária e tendo por missão zelar
pelos direitos e interesses dos animais da
vila, sendo-lhe assegurados todos os meios que lhe permitam exercer a tempo
inteiro as suas funções;
Promover a
criação de um Observatório Municipal de Bem-estar Animal, convidando a
sociedade civil, as instituições públicas e munícipes a tomarem parte do mesmo,
sendo no entanto coordenado pelo/a Provedor/a Municipal dos Animais;
•
Rever o Regulamento Municipal de Proteção, Saúde
e Bem-estar Animal para que promova uma maior proteção e bem-estar animal na
autarquia, fomentando a posse e a detenção responsável, disciplinando a
identificação e o registo de animais detidos, a circulação na via pública e o
alojamento de animais de companhia, a execução das respetivas medidas de
profilaxia médica e sanitária, o funcionamento do próprio Centro de Recolha
Oficial, a detenção e demais questões relativas a outras espécies,
designadamente animais selvagens e animais de quinta, regulando também a
apascentação de animais e da sua permanência em espaço público e privado e
adotando princípios de precaução contra atos que inflijam sofrimento físico ou
psíquico aos animais;
•
O produto das coimas decorrentes da aplicação do
Regulamento Municipal de Proteção, Bem-estar e Saúde Animal, bem assim como as
taxas municipais relacionadas com esta matéria devem reverter para um Fundo
Municipal de Intervenção Animal criado pela câmara municipal, possibilitando
assim a aplicação dessas verbas na melhoria das condições dos animais da cidade,
nomeadamente por meio das ações de proteção animal realizadas pela autarquia;
•
Por uma questão ético-humanitária, mas também de
saúde pública e animal, a autarquia deve proceder à alteração dos Regulamentos
ou Posturas municipais que proíbam a alimentação de animais nas vias e demais
lugares públicos, permitindo a sua alimentação, nomeadamente a dos animais das
colónias controladas ao abrigo do programa CER, salvaguardando sempre a
salubridade dos locais definidos para o efeito e que a alimentação é feita através
de alimento seco e adequado à espécie;
•
Quer pela sua ineficiência, quer sobretudo por
razões humanitárias, a autarquia deve assegurar o fim das capturas e abates
compulsivos da população de pombos da cidade, promovendo a implementação de uma
rede de pombais contracetivos, aliada à identificação das aves, substituição
dos ovos, controlo de doenças e alimentação adequada à espécie. A autarquia
deve promover ainda uma correta ação de informação e sensibilização da
população, que não passe pela estigmatização destes animais, deixando de os
referir como “pragas” ou advertir incorretamente quanto a possíveis doenças que
não são sequer transmissíveis ao ser humano. A par destas medidas, deve ainda
ser possibilitado o acolhimento e tratamento de animais feridos no Centro de
Recolha Oficial ou noutro equipamento municipal que venha a ser designado para
o efeito;
•
Através do seu poder regulamentar, a autarquia
deve assegurar a proibição da instalação de circos ou atividades similares com
animais no concelho, bem assim como não permitir qualquer tipo de apoio
institucional, nomeadamente de cariz financeiro ou cedência de quaisquer outros
benefícios ou isenções a estas atividades;
•
Através do seu poder regulamentar, a autarquia
deve igualmente assegurar a proibição da instalação de quaisquer recintos
fixos, temporários ou improvisados, destinados à realização de espetáculos
tauromáquicos, de quaisquer atividades tauromáquicas ou eventos similares no
concelho, bem assim como não permitir qualquer tipo de apoio institucional,
nomeadamente de cariz financeiro ou a cedência de quaisquer outros benefícios
ou isenções a estas atividades;
•
Com vista a potenciar o cumprimento da
obrigatoriedade de identificação, licenciamento e o registo de animais de
companhia, apuramento do número de animais existentes e a combater a
dificuldade de identificação dos detentores dos animais, mormente, sempre que
estes se encontrem perdidos ou abandonados, devem ser realizadas campanhas de
identificação eletrónica dos animais da autarquia;
•
Deve ainda ser promovida a desmaterialização dos
meios tendentes ao registo e licenciamento de animais de companhia nas Juntas
de Freguesia, permitindo, por exemplo, o recurso aos meios eletrónicos,
devidamente certificados e incentivada a esterilização e adoção, mediante a
isenção do pagamento das taxas do registo destes animais;
•
Visando combater o flagelo do abandono e dos
maus tratos, a autarquia deve realizar campanhas de sensibilização para uma
adoção responsável de animais de companhia, alertando a população para as
responsabilidades inerentes à detenção de uma animal de companhia,
designadamente quanto aos cuidados de vacinação, alimentação, saúde, bem-estar
e adequadas condições de alojamento;
•
A autarquia deve ainda assegurar a existência de
protocolos e termos de adoção, os quais devem incluir uma avalização prévia dos
potenciais adotantes dos animais alojados no Centro de Recolha Oficial e
mecanismos de apoio e acompanhamento após adoção, com vista a potenciar o
sucesso da adoção e a reduzir o número de animais devolvidos e/ou abandonados;
• Atualmente
verifica-se que os veículos automóveis afetos ao Centro de Recolha Oficial
apresenta um grande desgaste e até desadequação das suas caraterísticas às
necessidades de bem-estar, higiene e segurança de pessoas e animais a
transportar. Tal problemática agudiza-se nos locais de circulação limitada,
como as Zonas de Emissão Reduzida (ZER). A autarquia deve assim assegurar a
substituição dos veículos automóveis afetos ao Centro de Recolha Oficial,
privilegiando sempre que possível a sua substituição por veículos elétricos;
A autarquia deve
adaptar e modernizar os equipamentos municipais existentes, adequando-os às
necessidades de recolha e alojamento de animais abandonados, que deambulem na
via pública ou que por qualquer motivo e em razão das suas competências tenham
de ser alojados no Centro de Recolha de Oficial, sempre que necessário
procedendo à ampliação do espaço existente. Tal medida deve incluir espaços
adequados ao alojamento e recuperação de animais de grande porte, como os
equídeos e demais fauna existente (autóctone ou não autóctone);
•
Devem ser criadas equipas técnicas
multidisciplinares, integrando Médicos Veterinários Municipais, Biólogos,
Polícias Municipais e Assistentes Sociais, visando o reforço da fiscalização em
matéria de proteção e bem-estar animal no âmbito das competências municipais,
com vista à prevenção dos crimes contra animais, permitindo uma atuação mais
célere, concertada e eficiente, nomeadamente, na verificação das condições de
alojamento e bem-estar animal e sempre que necessário, nos procedimentos
inerentes à apreensão cautelar dos mesmos;
•
A morte por subnutrição e falta de água é uma
forma de sofrimento cruel e prolongado para com os animais, que não pode ter
lugar numa sociedade eticamente evoluída. Assim, por questões de bem-estar,
saúde e controlo da população animal existente na vila, em particular dos cães
e gatos comunitários, deve ser igualmente planeada pela autarquia a existência
de uma rede de bebedouros, dispensadores de comida e abrigo para animais;
•
A autarquia deve promover a realização de ações
de educação e sensibilização da população, em particular das crianças e jovens
nas escolas, contra o abandono e os maus tratos, para uma detenção responsável
de animais de companhia e respeito pela vida animal, nomeadamente quanto aos
benefícios da esterilização e controlo da reprodução não planificada de animais
de companhia, deveres e cuidados de saúde e bem-estar animal a observar,
fomentando uma atitude mais consciente perante a decisão de adotar ou adquirir
um animal de companhia;
•
Com vista a promover uma maior proteção, saúde,
bem-estar animal e sensibilização da população quanto às suas características,
necessidades e preservação dos seus habitats, a autarquia deve contribuir para
o desenvolvimento do conhecimento sobre os animais existentes na cidade,
promovendo a realização de estudos em parceria com instituições de ensino,
investigação e proteção aos animais;
•
As autarquias devem dotar-se de pessoal
competente, com a aptidão e os conhecimentos técnicos adequados e necessários
para salvaguardar a saúde e o bem-estar dos animais que se encontram aos seus
cuidados ou sobre aqueles que no âmbito das suas competências devam fiscalizar.
A autarquia deve assim assegurar
a realização de
ações de formação contínua dos seus colaboradores, nomeadamente, em matéria de
legislação, saúde, bem-estar e adequado maneio animal;
•
Uma vez que a câmara municipal é a entidade
legalmente competente para a captura, recolha e o alojamento de animais
errantes e/ou que se encontrem perdidos, com vista a potenciar a de restituição
do animal ao seu detentor e a diminuir o tempo de permanência do animal no
Centro de Recolha Oficial, deve proceder à criação de uma plataforma online,
integrada com os serviços municipais, que permita identificar os animais que se
encontram abandonados ou perdidos na via pública, proceder à sua
georreferenciação e identificação fotográfica e informar os munícipes da
resolução do pedido de recolha do animal. As bases de dados de animais que se
encontrem disponíveis para adoção devem igualmente ser dinamizadas e integradas
com as redes sociais;
•
Garantir que exista pelo menos uma praia no
município que permite a entrada e a permanência de animais de companhia;
•
Criar um Centro de Recuperação de Animais Silvestres,
como o Lx Cras, no concelho pois devido ao parque natural Sintra-Cascais existe
um elevado número animais silvestres.
EIXO 10:
SUSTENTABILIDADE E PLANEAMENTO AMBIENTAL
10.1. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
Cabe
à autarquia promover uma gestão racional da energia e procurar utilizar
energias renováveis. Assim, o PAN propõe:
•
Elaborar e implementar uma Estratégia Local para
a Eficiência Energética;
•
Substituir gradualmente a iluminação pública e a
semaforização por soluções mais eficientes, de preferência com aproveitamento
das energias alternativas, com especial incidência sobre a energia solar;
•
Implementar equipamentos de produção local de
energia renovável para autoconsumo (fotovoltaico e eólico) nos edifícios
públicos, através da aplicação dos critérios europeus de compras públicas
ecológicas;
•
Integrar sistemas solares térmicos nos
equipamentos do município onde se utilize muita água quente, nomeadamente
escolas, pavilhões desportivos, quartéis de bombeiros, piscinas, etc.;
•
Promover ações de sensibilização a
funcionárias/os da autarquia e à população em geral, com especial relevância
nas escolas, focando boas práticas para a redução de consumos energéticos em
todos os edifícios públicos;
•
Criar incentivos para que os privados
(investidores e particulares) instalem unidades de produção de energia,
nomeadamente através da diminuição das taxas de licenciamento e aumento do
apoio técnico;
•
Dar o exemplo às empresas e privados, promovendo
a renovação gradual de veículos da autarquia e de serviços ou empresas que
tenham participação da autarquia por veículos elétricos, podendo a autarquia
candidatar-se ao programa de apoio, no valor de 10 milhões de euros, para a
substituição de veículos que estará disponível através do Fundo Ambiental, sob
a égide do Ministério do Ambiente;
•
Estabelecer o objetivo de substituir todos os
veículos municipais movidos a energias fósseis para elétricos até 2025;
• Rever
o modus operandi e estrutura da
Cascais Ambiente tal como os seus objetivos a médio longo prazo;
Reforçar o PECAC
(Plano Estratégico de Cascais face às Alterações Climáticas) garantindo a
descentralização na produção e consumo de energia em Cascais;
• Criar
uma empresa municipal que produza e distribua energia totalmente renovável a
preços competitivos no Concelho de Cascais com um modelo organizacional similar
à da Coopérnico.
10.2. ÁREAS VERDES E BIODIVERSIDADE
A
Infraestrutura Verde Urbana já foi referida pela Comissão Europeia como uma das
prioridades de investimento futuro e sendo reconhecido o seu papel nas
políticas regionais de desenvolvimento sustentável na Europa, pelo que para o
PAN é prioritário que o município desenvolva, em articulação com o Plano
Diretor Municipal, um Plano de Infraestrutura Verde Urbana. A autarquia deve
elaborar e cumprir um Plano de Ação Local para a Biodiversidade, considerando
os objetivos definidos pela Convenção sobre a Diversidade Biológica, as 20
Metas de Aichi e a Estratégia para Estratégia da União Europeia para a
Biodiversidade 2020, estabelecida em 2011. Devendo este plano ser articulado
com outros planos dos concelhos limítrofes. A fim de promover a proteção e
resiliência da biodiversidade local, o PAM propõe em Cascais:
•
A execução de corredores ecológicos, devendo o
seu planeamento ser considerado em todas as áreas novas da vila mas também
estudados e executados nas áreas urbanas consolidadas, onde por vezes parece
impossível. Consideramos que se for assumido um compromisso sério de
conectividade, dentro de 10 a 15 anos, podemos ter uma área urbana completamente
diferente. Os corredores ecológicos devem ser planeados e articulados ao nível
supramunicipal;
•
Considera essencial serem pensadas ligações
verdes, por cima ou por baixo das infraestruturas rodoviárias, garantindo a
continuidade do corredor ecológico e dessa forma o cumprimento da sua função
básica de reduzir os efeitos da fragmentação dos ecossistemas, permitindo a
livre deslocação de animais em segurança;
•
Defende a identificação e sinalização dos locais
mais críticos de em termos de sinistralidade da vida animal e de fauna
autóctone, bem como a criação de mecanismos de acalmia de tráfego eficazes
nesses locais e a necessária colocação de sinalética, meios de acalmia de
tráfego e a realização de ações de sensibilização e educação sobre a fauna
existente e a importância da preservação da vida animal para a cidade. Esta
medida, associada à anterior, referente à criação de ecovias (aéreas ou
subterrâneas especialmente na A5) irá contribuir grandemente para a preservação
da biodiversidade;
Defende a análise
das áreas fragmentadas espalhadas na cidade, criando manchas verdes entre
edifícios e estradas (quando com área suficiente para serem sustentáveis e
terem alguma função de forma a serem utilizados pela população);
•
Considera que a autarquia deve incentivar as
coberturas e fachadas verdes e a proteção de logradouros não impermeabilizados;
•
Propõe renaturalizar as áreas degradadas e
muitas vezes abandonadas;
•
Defende o envolvimento do setor privado e da
população nesta área dada a complexidade e o conflito de agendas, nomeadamente
com setores como a habitação, infraestruturas, transportes, entre outras.
•
Criar com brevidade uma equipa para análise do
Impacto Ambiental das operações de loteamento, de urbanização e os trabalhos de
remodelação de terrenos em área não abrangida por operação de loteamento, bem
como daquelas que nos termos de regulamento municipal sejam consideradas como
de impacte relevante, de forma a apresentarem ao promotor propostas de
diminuição do impacto ambiental negativo e paralelamente propor ao município a
criação de uma taxa ambiental;
•
Todos os dividendos da taxa ambiental serão investidos
na transição energética dentro do Concelho e direcionada para os seus
residentes;
•
Incluir nos planos de arborização do território
local espécies de frutos comestíveis, não só porque pode auxiliar na
alimentação das camadas mais carentes da população, como também contribui para
a preservação da biodiversidade, em zonas adequadas;
•
Elaborar um regulamento municipal que estabeleça
as regras e normas relativas ao planeamento, implantação, gestão, conservação e
manutenção de Espécimes Arbóreos e Arbustivos. Este regulamento tem como
objetivo não só que em todo o município haja uma atuação uniforme e lógica no
que concerne a estas matérias mas também que seja garantida a utilização das
melhores práticas em questões diversas como por exemplo podas, abate, transplantação
e escolha de espécies;
•
Investir numa aplicação informática interativa
que permita visualizar todas as árvores do município com a programação da
manutenção e o estado fitossanitário de cada árvore;
•
Repensar os procedimentos para abate de árvores:
o património arbóreo de cada município único, demora anos a crescer e deve ser
respeitado. O abate de qualquer árvore ou conjunto de espécies arbóreas deve
ser precedido não só de um parecer técnico que o justifique, mas também de uma
informação às/aos cidadãs/ãos. Esta comunicação à população deverá ser feita,
com trinta dias de antecedência, no site da autarquia, através da afixação de
placas informativas no local em cada árvore que será abatida e através da
distribuição de folhetos a moradoras/es;
Aumentar o
investimento na criação de espaços verdes mas também na manutenção e
reabilitação de espaços verdes existentes, garantindo que reúnem as condições
adequadas para o seu usufruto;
•
Garantir, na análise dos loteamentos, que os
espaços verdes cedidos têm áreas sustentáveis e com dimensão para serem de
facto utilizados e não áreas sobrantes entre edifícios ou molduras dos mesmos,
pois são espaços com custos de manutenção elevados e sem utilidade prática, que
nem sequer cumprem as funções básicas de área verde;
•
Reconhecendo a elevada importância das abelhas
para a biodiversidade, propomos a criação de zonas protegidas para colmeias.
Esta estratégia deve ter como guia padrões nacionais de conservação da
biodiversidade e não deve ser usada para fins económicos ou comerciais;
•
O controlo de animais rastejantes que possam
constituir um fator de risco para pessoas e animais, como é o caso da lagarta
do pinheiro, deve ser feito preferencialmente de forma preventiva, permitindo
que a médio longo prazo não constitua um problema para as populações, através
da sinalização das zonas de risco, colocação de cintas no arvoredo que impeçam
a descida destes animais e de ninhos que potenciem a presença de determinadas
aves, como os chapins e que forma natural procedam ao controlo destas espécies;
•
Introduzir, através de formação dos munícipes,
princípios e práticas permaculturais nas hortas urbanas e jardins da autarquia;
•
Sensibilizar as/ munícipes para a compostagem de
alimentos, praticável também em habitações urbanas;
•
Criar um serviço municipal de compostagem,
responsável pela implementação de centros de compostagem em diversos locais do
município, nomeadamente nas horas comunitárias, nas escolas, bem como pela
fiscalização e garantia do seu correto funcionamento;
•
Promover campanhas de sensibilização junto da
comunidade piscatória e dos restantes cidadãos/ãs para a importância de colocar
os resíduos decorrentes desta atividade em locais próprios para o efeito;
• Disponibilize
ecopontos junto de locais habitualmente utilizados para a pesca, nomeadamente
perto de algumas arribas, de modo a evitar o despejo de resíduos que decorrem
desta atividade.
10.3. HORTAS URBANAS
Aumente as áreas
de hortas na cidade e criação de novas áreas hortas urbanas de preferência
biológicas;
•
Regularize as pequenas hortas e produções
individuais já existentes, pois estas localizam-se onde a população mais
precisa delas;
•
Promova e reforce, através da criação de
mecanismos de escoamento, ou de pequenos mercados junto às áreas das hortas,
uma maior sustentabilidade alimentar da cidade e o consumo de produtos
sazonais;
•
Permita a atribuição dos talhões das hortas
urbanas a grupos organizados (coletividades, associações, grupos de
cidadãs/ãos, ou outras entidades como lares, casas de repouso, escolas, etc.),
promovendo o encontro geracional e a valorização da integração de todas/os;
•
Incentive a criação de pequenas unidades de produção,
hortas, pomares, jardins no interior dos quarteirões da cidade e nas áreas
permeáveis existentes, através de formação aos munícipes e apoio técnico;
•
Crie na internet, um portal específico para as
pessoas usufrutuárias das hortas urbanas da cidade, promovendo uma rede de
troca de conhecimentos e até de sementes e outros produtos e materiais,
promovendo paralelamente encontros entre os usufrutuários/as de hortas;
•
Elabore campanhas de sensibilização junto das
escolas que relacionem os graves problemas ambientais que vivemos e a
necessidade de garantirmos a nossa soberania alimentar;
•
Promova campanhas de formação e de
sensibilização no sentido das hortas passarem a ser de produção exclusivamente
biológica, fornecendo para tal o apoio técnico para a prossecução desta prática
agrícola;
•
Introduza, através de formação de munícipes,
princípios e práticas permaculturais nas hortas urbanas e jardins da autarquia;
• Reveja
o Regulamento Municipal de Hortas Urbanas, abrangendo as diferentes tipologias
de hortas urbanas municipais existentes, com a definição das regras específicas
para a sua atribuição e utilização.
10.4. ABANDONO DO GLIFOSATO E OUTROS HERBICIDAS / PESTICIDAS DE SÍNTESE
• PAN
visa proibir a utilização do glifosato declarando o território como
"Autarquias Sem Glifosato", aderindo à iniciativa desenvolvida pela
Quercus e Plataforma Transgénicos Fora (PTF);
O controlo de
plantas infestantes adotando os meios técnicos de combate manuais, térmicos,
mecânicos, biológicos ou culturais e/ou produtos com o menor risco para a saúde
humana e animal e o ambiente, como é o caso dos produtos certificados para
utilização em agricultura biológica;
•
A recolha de amostras nos principais jardins e
espaços verde urbanos, camarários e de freguesia, para realização de análises
trimestrais para deteção de resíduos de glifosato;
•
A recolha de amostras de solo intersticial nas
principais vias pedonais, camarárias e de freguesia, para realização de
análises semestrais para deteção de resíduos de glifosato;
•
Análises mensais para deteção de glifosato à
água de consumo do município e às suas Estação de Tratamento de Águas Residuais
(ETAR) urbanas;
• Análises
mensais para deteção de glifosato aos alimentos introduzidos na cadeia de
consumo nos mercados abastecedores municipais/regionais, principais cadeias de
hipermercados e pontuais/estatísticas em pequenas mercearias e mercados urbanos
(formais ou informais).
10.5. RESÍDUOS URBANOS
O PAN considera
importante:
•
Eliminar todos os recipientes de plástico e
descartáveis de eventos promovidos pela Câmara Municipal. Apostar na
substituição destes materiais por outros recicláveis e biodegradáveis;
•
A recolha concertada entre a câmara e as juntas
de freguesia dos diversos tipos de resíduos nos ecopontos e postos de limpeza
onde estão colocados contentores, evitando as atuais situações de
insalubridade;
•
O reforço da fiscalização aos locais da cidade
mais afetados pelos dejetos caninos que habitualmente não são recolhidos pelos
responsáveis dos animais;
•
A intensificação da lavagem do espaço público
com recursos a detergentes biodegradáveis;
•
A realização de novas campanhas sensibilização
sob o tema “Recolha de Dejetos Caninos”;
•
A promoção de campanhas nas escolas, empresas e
junto de munícipes para a promoção e sensibilização para a reciclagem,
mostrando os efeitos nefastos da sua não execução;
Investimento na
recolha seletiva porta-a-porta;
• Substituir
as embalagens de serviço de plástico (copos, talheres e pratos) por embalagens
ecológicas, contribuindo para a diminuição dos aterros sanitários, nos serviços
da autarquia, nos órgãos representativos das autarquias, nos serviços da
administração autárquica ou que se encontrem sob a sua gestão, e ainda no
âmbito de serviços concessionados ou patrocinados pelos órgãos autárquicos (por
exemplo, regatas, festivais, mercados, festas populares).
10.6. PAPEL DO MUNICÍPIO NA GESTÃO DOS PARQUES NATURAIS E DAS ÁREAS PROTEGIDAS
•
PAN visa promover ações de proteção do ambiente
e defini-las como prioritárias, respeitando simultaneamente as populações;
•
Promover a participação pública na elaboração
dos Planos de Ordenamento/ Proteção de áreas naturais, bem como na sua gestão.
As populações são essenciais na proteção e vigilância do ambiente, devendo ser
as primeiras a ser ouvidas e a quem deve ser explicado o plano;
•
Promover ações de educação e de sensibilização
ambiental, bem como criar os mecanismos necessários para aumentar a vigilância,
e atuar com rigor em caso de infração;
• Para
além do previsto na legislação em vigor, o PAN propõe que o Plano de
Ordenamento e Gestão destas áreas:
o Apresente
regras transparentes, numa linguagem acessível a todos os que estejam
interessados em conhecê-lo e consultá-lo;
o Esteja
estreitamente articulado com o Plano Diretor Municipal do Concelho ou
Concelhos abrangidos; o Distinga
de forma inequívoca os usos e atividades existentes e os permitidos, não pondo
em causa os direitos previamente existentes.

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