AUTORIDADE DE SAÚDE DE CASCAIS NÃO EXCLUI AUMENTO DE CASOS DE SARNA NAS ESCOLAS

Por Cascais24

21.01.2016
Apesar de ter a "situação sob controlo", a Autoridade de Saúde Pública de Cascais não exclui que o número de afetados com sarna nos estabelecimentos de ensino do concelho venha a aumentar nos próximos dias, apurou Cascais24 junto da médica de saúde pública Ana Paula Perry Sousa Uva.

Em declarações ao Cascais24, a médica que titula a Unidade de Saúde Pública, sedeada em São João do Estoril, assegurou, no entanto, não "haver motivo para determinar o encerramento dos estabelecimentos de ensino", não sem deixar de recomendar aos responsáveis, pais e encarregados de educação atenção redobrada e, em caso do surgimento dos sintomas, que consultem de imediato o médico assistente e, temporariamente, suspendam as atividades escolares.

Neste momento, garantiu, ainda, Ana Paula Uva, "estamos a contatar com todos os responsáveis pelos agrupamentos de escolas do concelho de Cascais, no sentido de nos reportarem eventuais casos, bem como pais e encarregados de educação de alunos com vista a seguirem as nossas recomendações".

Ana Paula Uva reconheceu, por outro lado, que "estamos a assistir a um aumento de casos de sarna relativamente aos anos anteriores", o que atribuiu à forte "humidade e frio", causados pelas condições climáticas.
 

Os primeiros casos de sarna em estabelecimentos de ensino do concelho de Cascais surgiram na Escola Básica Prof. António Pereira Coutinho, no Bairro do Rosário. "Há seis casos confirmados e quatro outros a aguardar diagnóstico", revelou Ana Paula Uva.

No mesmo Agrupamento de escolas de Cascais foram, ainda, registados, três outros casos de sarna em alunos da Escola Branquinho da Fonseca, onde também funciona um jardim de infância.

A Autoridade de Saúde de Cascais registou, também, três outros casos no Agrupamento de Escolas de Alcabideche, nomeadamente na IBN Mucana, soube Cascais24.

Ana Paula Uva que, a nível da Autoridade de Saúde, coordena a saúde escolar, assegurou a Cascais24 que "a Autoridade de Saúde de Cascais tem no terreno equipas "atentas ao problema" e que, à partida, "não há razão para alarmismo".

O QUE É A SARNA
"A escabiose, conhecida popularmente por sarna humana ou pereba, é uma doença de pele causada por um ácaro chamado Sarcoptes scabiei. A sarna é uma infecção contagiosa, que pode espalhar-se rapidamente através de contato físico próximo. Os ácaros são seres microscópicos de oito patas, da classe dos aracnídeos.
O Sarcoptes scabiei, com um tamanho médio de 0,3 milímetros, é um parasita que vive, alimenta-se e reproduz-se em nossa pele. O ciclo de vida deste ácaro dura cerca de 30 dias. Após a cópula, o ácaro macho morre, enquanto a fêmea penetra através das camadas superficiais da pele, criando um microscópico túnel, onde fica entocada, depositando os seus ovos durante toda sua vida, que dura cerca de 30 a 60 dias. A fêmea do Sarcoptes scabiei liberta 2 a 3 ovos por dia. Os ovos eclodem em três ou quatro dias, e as larvas recém nascidas fazem o caminho de volta em direção à superfície da pele, onde amadurecem e podem espalhar-se para outras áreas do corpo.

Os ácaros Sarcoptes scabiei produzem enzimas que degradam as proteínas da pele, principalmente a queratina, que serve de alimento para os mesmos. Conforme as suas movimentações através da epiderme, vão deixando para trás as suas fezes, criando lesões lineares na pele. As lesões e a coceira da escabiose são resultados de uma reação alérgica da pele contra o próprio ácaro, seus ovos e fezes.
Ter sarna não é necessariamente um sinal de má higiene. A escabiose é uma infecção transmitida entre pessoas através de contato próximo. Os casos mais habituais são entre familiares que vivem na mesma casa. A via sexual é outra maneira comum de adquirir a sarna. Exército, lares para idosos, creches e presídios são locais onde frequentemente há surtos de sarna.
O contato entre crianças e adolescentes na escola não costuma ser próximo o suficiente para causar a transmissão, o que de modo algum significa que não haja risco. Do mesmo modo, um simples aperto de mão ou um rápido abraço não costumam ser suficientes para haver transmissão.
O ácaro Sarcoptes scabiei consegue sobreviver no ambiente por 24 a 48 horas, o que torna possível a transmissão através de roupas, lençóis ou toalhas, apesar desta via não ser a mais comum.
Animais, como cães e gatos, também podem ter sarna, mas o ácaro que os infecta é diferente, tornando a transmissão para humanos pouco comum. Quando ela ocorre é geralmente em animais realmente infestados de ácaro. Todavia, como o homem não é o hospedeiro habitual da sarna canina ou felina, o ácaro não se reproduz e a infecção dura apenas alguns dias (o tempo de vida do ácaro).
O período médio de incubação da sarna é de cerca de 6 semanas. Porém, nos pacientes reinfectados, os sintomas podem surgir em apenas 24 horas. Uma pessoa contaminada é capaz de transmitir a sarna, mesmo que ainda esteja sem sintomas, no período de incubação.
 As lesões típicas da escabiose são pequenas pápulas (pontinhos ou bolinhas com relevo) avermelhadas, de 1 a 3 mm de diâmetro. As lesões, às vezes, são tão pequenas que podem passar despercebidas ou camufladas pelos arranhões causados pela intensa coceira.

As lesões da sarna podem ser difusas. Os locais mais envolvidos são as mãos (principalmente entre os dedos), pulsos, cotovelos, axilas, mamilos (especialmente em mulheres), áreas ao redor do umbigo, genitália (especialmente em homens), joelhos, nádegas, coxas e pés. As costas são habitualmente poupadas e a cabeça, palmas e solas só costumam ser acometidas em crianças.
Os túneis produzido pelas fêmeas do Sarcoptes scabiei também podem ser visíveis, apesar de não serem tão comuns como as pápulas. Eles geralmente se apresentam como finos traçados na pele, discretamente elevados, que podem ter até 10mm de comprimento.”  Dr.º Pedro Pinheiro/ in MD.Saúde
 
 



Sem comentários:

MULTIMÉDIA. SEGURANÇA

A PSP e o Metro recomendam: "Durante a abertura de portas não utilize o telemóvel. Pode ser vítima de roubo."

Abrigos precisam-se!

Quem põe na ordem donos de caninos?

Hospitalização domiciliária traz benefícios para o doente agudo

Hospitalização domiciliária traz benefícios para o doente agudo
Artigo de OPINIÃO Drª Francisca Delerue

Expulsemos as traquitanas