Autárquicas
O movimento cívico "Plataforma Cascais" faz, em comunicado divulgado esta semana, um
balanço das eleições de 1 de outubro, no qual denuncia que "as consequências negativas
do poder absolutista alicerçado na propaganda, na subsidiodependência e nas
festividades fizeram-se sentir nestas eleições" e aponta “perspetivas para defender
Cascais”.
Segundo o movimento cívico “a abstenção no concelho diminuiu de
62% para 57% mas continua a ser das mais elevadas do país (mais 12% do que a
média nacional) com mais de metade dos cascalenses a não exercerem o seu
direito de participação. Assim, o PSD/CDS ganhou a maioria absoluta com apenas
20% dos votos dos inscritos nos cadernos eleitorais”.
Depois de destacar que “os cascalenses que se pronunciaram contra
a Coligação PSD/CDS são mais do que os que votaram a seu favor”, o movimento
afirma que “houve mais 2400 eleitores a votar nas diversas forças alternativas
do que aqueles que votaram no PSD/CDS”.
“Apesar de ter menos votos, dada a aplicação do método eleitoral
de Hondt às forças que concorreram separadas, a Coligação PSD/CDS manteve a sua
maioria absoluta na Câmara, com 6 vereadores (em 11). Na Assembleia Municipal
continua a ter menos um eleito do que o conjunto da oposição (16 eleitos face a
17 eleitos do PS, da CDU, do BE, do PAN e Independentes) mas com a
participação, por inerência, dos 4 presidentes (3 eleitos em listas do PSD/CDS
e 1 um eleito na lista do PS) de Juntas de freguesia, o PSD/CDS poderá
continuar a contar com mais um voto decisivo”, diz a “Plataforma Cascais”.
Nas Freguesias verifica-se que em S. Domingos de Rana o conjunto
das forças da atual solução governativa (PS, CDU, BE) continua a contar com a
maioria dos eleitos e o PS continua a ter a presidência da Junta, mesmo tendo o
PSD/CDS aumentado de 7 para 9 o número dos seus eleitos; em Carcavelos-Parede a
maioria continua a ser do conjunto PS-CDU-BE (10 eleitos) ainda que a Coligação
PSD/CDS (com 9 eleitos) tenha sido a força mais votada com consequente direito
à presidência da Junta; em Alcabideche o PSD/CDS ganhou a maioria absoluta (10
eleitos em 19) que não tinha antes e em Cascais-Estoril o PSD/CDS reforçou a
sua maioria absoluta passando de 12 para 13 eleitos (em 21).
“Com esta realidade cada força política fará, a partir do seu
ponto de vista, a análise dos resultados com enfoque nos aspetos que considerar
mais importantes e, naturalmente, definirá a estratégia que considerar melhor”,
adianta o movimento cívico em comunicado.
“A Plataforma Cascais desde que se constituiu, em Abril de 2016”, refere
o comunicado, “sempre salientou a especificidade do projeto autocrático e
populista do PSD/CDS chefiado por Carlos Carreiras. As consequências negativas
do poder absolutista alicerçado na propaganda, na subsidiodependência e nas
festividades fizeram-se sentir nestas eleições. Esta atuação tem-se traduzido
num grave prejuízo da vida pública que demasiados responsáveis políticos, a
nível local e nacional, aceitam e acobertam”.
Para o movimento cívico, “a cooperação entre as forças políticas
democráticas e a intervenção dos cidadãos são os dois pilares essenciais para
resistir e vencer o projeto desta direita populista”.
Em S. Domingos de Rana, cuja Junta de Freguesia era constituída
por uma aliança PS-CDU-BE e onde a participação dos cidadãos era incentivada, foi
possível derrotar a coligação PSD/CDS, mesmo apesar desta na freguesia ter tido
votação maioritária para a Câmara.
Em Carcavelos-Parede o facto de o PS, a CDU e o BE manterem a
maioria na Assembleia de Freguesia deve-se, em grande medida, à intervenção que
os fregueses têm desenvolvido com persistência (nomeadamente na luta contra o
PPERUCS, em defesa do património, contra os parquímetros) e ao diálogo
existente entre estas forças políticas.
Ainda segundo o “Plataforma Cascais”, “os Partidos políticos têm
um papel central na defesa de uma cultura democrática, transparente e aberta à
participação dos cidadãos. Mesmo que a presença de autarcas sem vinculação
partidária tenha aumentado (são agora 2 vereadores na Câmara e 4 eleitos na
Assembleia Municipal), a responsabilidade dos Partidos não fica diminuída”.
De acordo com o mesmo comunicado, “compete-lhes dar voz ao sentir
e ao querer das populações promovendo uma efetiva e continuada ligação com os
cascaenses. É decisiva a capacidade que tiverem para dialogar e convergir
ativamente nos objetivos necessários para um desenvolvimento justo, sustentável
e harmonioso, bem como para a requalificação ambiental e a defesa do património
local”.
“O diálogo que a Plataforma Cascais encetou com as forças
políticas democráticas em torno das "20 propostas para uma alternativa
democrática em Cascais" pode constituir uma referência para a convergência
de ação que importa prosseguir e na qual a Plataforma continuará empenhada”,
conclui o comunicado divulgado pelo movimento cívico.


Sem comentários:
Publicar um comentário