Atual
Fundada naquela que, outrora,
foi conhecida pela Biarritz portuguesa, com todo o seu glamour, palco de
encontro e desencontro de Reis e rainhas, de milionários, de espiões e de outros
que tais, a Associação Humanitária dos Bombeiros do Estoril completou, esta
quarta-feira, 95 anos de existência, com relevantes serviços prestados à
comunidade e ao concelho, que tem servido com grande profissionalismo, quer ao
nível do socorro, na proteção de vidas e haveres, quer nas áreas desportiva e
de saúde, que explora como suporte financeiro para manter uma instituição quase secular.
Com um corpo ativo de cerca de
70 abnegados e voluntariosos bombeiros, muitos deles jovens, e uma frota de 17 veículos, os Bombeiros
do Estoril têm à sua responsabilidade toda a freguesia, que inclui Estoril,
Monte Estoril, Galiza, São João, Alapraia, Livramento e São Pedro, para além,
de acordo com os apoios de intervenção solicitados, em diferentes outras
freguesias do concelho.
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| Bernardo Figueiredo: A morte aos 23 anos |
Em agosto de 2013, o Corpo de
Bombeiros do Estoril foi confrontado com a morte de um seu jovem e promissor
voluntário: Bernardo Figueiredo que, aos 23 anos, encontrou a morte no
tristemente célebre incêndio do Caramulo. Para perpetuar a memória do jovem
bombeiro, foi-lhe atribuído o nome de uma rua, entre Atibá e o Livramento.
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| Hugo Santos, o comandante que com a sua saída deixou um enorme vazio |
Atualmente e, desde fevereiro
do ano passado, que o Corpo de Bombeiros aguarda a nomeação de um comandante
efetivo, depois da saída de Hugo Santos para desempenhar o cargo de 2.º
Comandante Distrital de Lisboa da Proteção Civil.
A Associação dos Bombeiros do
Estoril conta, ainda, com um Centro Clínico – Calouste Gulbenkian, com várias
especialidades – e, ainda, o conhecido Complexo Desportivo de Alapraia, que
oferece diversas valências desportivas.
| Vítor Paula Santos |
Apesar de respeitada e admirada
pela comunidade que tem servido, a Associação Humanitária dos Bombeiros do
Estoril, tem, no entanto, nos últimos anos, vivido enormes adversidades e polémicas,
quer a nível dos seus Corpos Sociais, quer do próprio comando do Corpo de Bombeiros,
com demissões sucessivas e contestações internas de ambos os lados- um “fenómeno”
que a atual direção, liderada por Vítor Manuel Paula Santos, tem procurado ultrapassar
e normalizar, restituindo à instituição quase centenária a tranquilidade
merecida, até por respeito à sua longa existência histórica.
História
Reza a história:
“Decorria o ano de 1914 quando
nasceu a Sociedade Filarmónica Estorilense fundada por Luís Clemente com o
auxílio de seu filho Joaquim Clemente, reputado maestro de renome
internacional.
Esta Sociedade que teve uma
existência efémera nas décadas de 10 e 20 mais concretamente no período entre
02 de Abril de 1914 e 31 de Janeiro de 1923, data em que se extinguiu para dar
lugar à Associação dos Bombeiros Voluntários dos Estoris.
Um pouco antes, em 09 de
Outubro de 1923, a então Sociedade Filarmónica Estorilense, sua antecessora, dá
um passo para este nascimento, quando a comissão encarregada de instalar uma
“secção de bombeiros voluntários” propõe, através do sócio Martinho Rodrigues,
à Assembleia Geral da Filarmónica Estorilense a modificação dos estatutos e que
a sociedade passe a denominar-se Associação dos Bombeiros Voluntários dos
Estoris.
A proposta é aprovada e, cerca
de 3 meses depois, em 31 de Janeiro de 1923, a Filarmónica Estorilense cede
lugar àquela. É uma substituição meramente “de facto” porque, juridicamente, só
em 27 de Dezembro do mesmo ano vêm a ser aprovados os primeiros estatutos da
A.B.V.E. por alvará do Governo Civil de Lisboa. Só a partir deste momento, ao
abrigo da lei em vigor, se poderá considerar, na verdade, institucionalizada a
Associação dos Bombeiros Voluntários dos Estoris. Todavia, a primeira Assembleia
Geral da Associação realizou-se em 28 de Fevereiro de 1923, para eleição dos
seus corpos gerentes.
De salientar que nesta
primeira Assembleia Geral foi louvado e aclamado presidente honorário o sócio
n.º 65, João Félix da Silva Capucho, por ter oferecido à Associação 100 metros
de mangueira e um chupador na importância de 750$00, além de uma bomba
portátil. Na mesma sessão, os sócios Joaquim do Nascimento Gourinho e Martinho
Rodrigues ofereceram-se como fiadores de um empréstimo de 10.000$00 a contrair
pela Associação a João Pires Correia. Este empréstimo visava fazer face às
primeiras despesas com a instalação da Corporação de Bombeiros e seria
amortizável em 3 anos e a um juro não superior a 7%. Estava lançado o
gérmen de toda uma vida de entusiasmo e dedicação que estes dois homens
devotaram à Associação, justificando que os seus nomes tivessem entrado na
galeria dos “históricos” desta instituição”.
Louvores
Até há 8 anos atrás, a
Associação Humanitária dos Bombeiros do Estoril contava com nove louvores, atribuídos
por várias entidades públicas e privadas.
Em agosto de 1954 surgiu o
primeiro louvor, atribuído pela Liga dos Bombeiros Portugueses, seguindo-se em
maio de 1976 a atribuição do diploma de Benemerência pelos serviços prestados à
A.H.B.V. do Zambujal.
Já em junho de 1983, os
Bombeiros dos Estoris eram agraciados com um Diploma de Louvor, atribuído pelo Instituto
de Socorros a Náufragos, pelo salvamento de 25 banhistas na época balnear de
1982. Em setembro do mesmo ano, era a vez da congénere de Parede atribuir um Diploma
de bons serviços.
Seria, ainda, em setembro, mas
de 1988, que o Estoril voltaria a ser distinguido com um Diploma de
Participação no XXVIII Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses em
Barcelos.
Também o Corpo de Bombeiros do
Estado do Rio de Janeiro, no Brasil, viria, em outubro de 1993, a atribuir um
diploma de agradecimento pela colaboração prestada. Um reconhecimento
internacional, bastante marcante.
Ainda em outubro do mesmo ano,
os Bombeiros Municipais de Tavira vieram a atribuir um Diploma de Participação
no XXXII Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
Marcante foi, ainda, a
atribuição, em fevereiro de 1997, de um Diploma da Federação dos Bombeiros do
Distrito de Lisboa pelos 74 anos ao serviço da causa dos bombeiros e do
bem-estar das populações.
Já no novo século, os
Bombeiros do Estoril foram louvados, em janeiro de 2004, pelo CODIS de Lisboa
pelas atividades desenvolvidas em 2003 e, finalmente, em maio de 2013 viram lavrado
um louvor da Câmara Municipal de Lisboa pelos 25 anos do combate ao Grande Incêndio
do Chiado.







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