Rui Nabeiro pode vir a ser inquirido na investigação da PJ à Fundação de "O Século" por peculato e abuso de poder

Atual



Por Redação

O empresário Rui Nabeiro, dono dos cafés Delta e presidente do Conselho Fiscal da Fundação de “O Século”, poderá vir a ser inquirido como testemunha sobre alegados ilícitos de peculato e abuso de poder, alegadamente praticados por dois dirigentes executivos e que, esta quinta-feira, de manhã, levaram inspetores da brigada Anticorrupção da PJ a fazer buscas na instituição fundada há 90 anos, em São Pedro do Estoril, apurou Cascais24.

Rui Nabeiro

Os inspetores da PJ terão recolhido diversa documentação no âmbito do inquérito, aberto na sequência de denúncias de alegadas irregularidades naquela que é uma das mais antigas e prestigiadas instituições de apoio a crianças e jovens do País e a cujo Conselho Fiscal preside o conhecido e respeitado empresário dos cafés Delta, Manuel Rui Azinhais Nabeiro.



Emanuel Martins




Em causa estarão suspeitas de que alguns dirigentes, nomeadamente o presidente executivo, Emanuel Martins, e o vice-presidente, João Ferreirinho, terão usado cartões de crédito da instituição para pagar despesas pessoais, como jantares e viagens e, também, a contratação de familiares para cargos na fundação.



João Ferreirinho





Perante as suspeitas sob investigação em inquérito tutelado pelo DIAP de Cascais, Rui Nabeiro deverá ser confrontado, como testemunha, na qualidade de presidente do Conselho Fiscal da Fundação de “O Século”.

Já reagindo às buscas da PJ, Emanuel Silva Martins, presidente executivo da Fundação, afirmou-se de "consciência tranquila e nem estar preocupado", e garantiu que "não há irregularidades na gestão". Disse, ainda, que aguarda com "serenidade o resultado da investigação em curso".

E, ainda em declarações à Comunicação Social, aproveitou, para lançar farpas à Câmara Municipal de Lisboa ao denunciar que a autarquia alfacinha "ficou com 4,3 milhões de euros e deu [à fundação] apenas um milhão daquilo que devia e ficou com a Feira Popular depois de ter havido um acordo".

A Fundação "O Século" foi criada em 1998 com o objetivo de continuar a obra social da antiga Colónia Balnear Infantil, fundada em 1927, pelo então diretor do jornal “O Século” João Pereira da Rosa e tem como missão promover e contribuir para a criação de condições e oportunidades, que possibilitem não só o desenvolvimento sociocultural de crianças, como a assistência social a idosos e pessoas menos favorecidas ou em risco social.



Uma nova era

A fundação de O Século viu em novembro de 2016 consolidar-se a sua última e também antiga ambição, que juntou no Salão Nobre da Câmara Municipal de Cascais o presidente Carlos Carreiras e o presidente executivo da fundação, Emanuel Martins:  a escritura pública de cedência em direito de superfície do terreno municipal localizado nas traseiras das instalações.

A Fundação recebeu um terreno com 5000 metros quadrados situado no tardoz das suas instalações sede, em São Pedro do Estoril, delimitado pela linha férrea, com uma renda simbólica, por um prazo de 25 anos renováveis para “utilização integral e ininterrupta no âmbito dos objetivos da Fundação”.


Emanuel Martins e Carlos Carreiras na assinatura da escritura pública celebrada em 2016
O terreno foi destinado a realizar ação social, junto da infância e dos idosos, com equipamentos destinados a esse fim e, eventualmente outros. Na oportunidade, Emanuel Martins deixou um “agradecimento a toda Administração da Câmara de Cascais e em particular ao Presidente da Câmara”, pela concretização desse desejo da Instituição, uma vez que, o principal objetivo é conseguir a sustentabilidade económica e financeira da Fundação.

Foi, então noticiado, que a Fundação “O Século” fez alguns estudos sobre os equipamentos que pretende implantar naquela parcela de terreno, mas que, para já, “não podem ter uma expressão direta e imediata, porque, dependem dos financiadores e de entidades que consigamos juntar a nós para financiar aquilo que ali pretendemos fazer, uma vez que, como temos vindo a dizer, a Fundação “O Século” não vive momentos felizes no que diz respeito à sua situação económica”, adiantou, na altura, Emanuel Martins.


Uma Residência Assistida para Idosos; um Colégio “que leve as nossas crianças da Creche até ao 12.º ano”; uma Biblioteca Municipal da Lusofonia, um auditório e um parque de estacionamento subterrâneo, são alguns equipamentos projetados para o espaço, que contará, ainda, com “uma grande referência ao Movimento das Forças Armadas (uma das reuniões preparatórias do MFA, que desencadeou o 25 de Abril de 1974, aconteceu num edifício devoluto que entretanto foi demolido) como movimento libertador, que merece todo o nosso respeito e referência”, avançou o presidente da Fundação “O Século”, que deixou a garantia: “essa evocação estará lá também presente, porque não apagámos um marco do trabalho realizado pelo MFA, vamos é dar-lhe outra estrutura e visibilidade”.


Também, Carlos Carreiras manifestou agrado pela cedência do terreno a “O Século”, ao afirmar que “é um terreno que pela localização tem uma valorização elevada, mas, para nós, a valorização maior é quando podemos alocamos a propriedade que é de todos ao apoio social, na linha da coesão social. Esta é a política da Câmara que tem sido seguida. Nós não queremos alocar um terreno para especulação imobiliária, mas queremos mas estamos alocar um terreno que vai ter uma grande rentabilidade social”.


“Cascais viu nascer a colónia Balnear Infantil “O Século” e seria mau que Cascais visse morrer a Fundação “O Século” com todo o trabalho de apoio social e promoção da coesão social, quer ao nível do nosso concelho quer ao nível do território nacional e, por isso mesmo, estamos aqui a fazer uma aposta segura”, concluiu Carreiras.


Sem comentários:

Publicação em destaque

BOMBEIROS de Parede salvam canídeo de poço. Veja o vídeo do resgate

CANÍDEO aguarda pelo socorro (Créditos: BVParede) RESGATADO COM SUCESSO . Um canídeo foi resgatado, esta quarta-feira, de manhã, pelos Bomb...

FOI NOTICIA

BLOGS