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Por Redação04 fevereiro 2019
Os moradores da Costa da Guia esperam que uma
providência cautelar e um outro processo interpostos na Justiça consigam travar
a construção do centro judaico, cujos trabalhos começaram há algumas semanas
com o abate de dezenas de árvores, entre as quais uma palmeira que estará
protegida pelo Regulamento Municipal do Arvoredo de Cascais.
A esperança dos moradores foi revelada este sábado, à
tarde, durante o protesto pacífico, que concentrou mais de 200 pessoas contra o
“negócio” do município com a Associação Chabad.
Um protesto que ficou, também, marcado pela presença,
inesperada, de um infiltrado da “Anonymous”, exibindo um cartaz no qual
alertava para “crime, corrupção” e “máfia”.
O desconhecido infiltrado, com um chapéu preto na
cabeça e o rosto coberto por uma máscara da “Anonymous”, adaptada com longas
barbas brancas, exibia ao peito, sem receio aparente, um cartaz no qual podia
ler-se, a vermelho, CMC e, mais abaixo, em branco, “Crime”, “Corrupção” “Máfia”
e, a terminar, de novo, em vermelho “Não”.
Confrontado por Cascais24 com a presença do
desconhecido, Pedro Jordão, do SOS Costa da Guia, que promoveu a concentração
de moradores, manifestou-se “surpreendido”, mas salvaguardou de que “ este é um
protesto popular, pacífico, que visa mostrar, uma vez mais, a nossa revolta e
indignação por todo este processo e não podemos impedir quem quer que seja de
juntar-se a nós, desde que o faça de forma cívica e ordeira”.
A instalação do Jewish Life and Learning Center
(Centro de vida e aprendizagem judaico, em tradução livre) tem sido um projecto
contestado por cidadãos desde que foi anunciado há mais de um ano. O SOS Costa
da Guia não quer que se construa o centro judaico num espaço verde e cujos
trabalhos de preparação do terreno começaram com o abate de dezenas de árvores
adultas, perante a estupefação generalizada, conforme Cascais24 então noticiou.
Multimédia
SOS Costa da Guia explica protestos
Foi em Fevereiro do ano passado que o projeto foi formalmente
apresentado, embora meses antes fosse contestado através de uma petição, que
reuniu quase duas mil assinaturas, a qual não surtiu qualquer efeito junto do
chamado governo local de Cascais.
Na apresentação promovida pela autarquia em janeiro, o
rabino Eli Rosenfeld insistiu que a Associação Chabad quer com este centro
mostrar "a sua vontade em criar um espaço de tolerância e de diálogo
cultural e em promover a melhoria do espaço envolvente".
Nessa altura, o rabino aproveitou também para
responder a algumas críticas, sublinhando que o espaço foi projectado "de
forma harmoniosa com o meio envolvente" e que houve "uma forte
preocupação em preservar os espaços verdes circundantes".
A Associação Chabad Portugal diz querer plantar cerca
de duas dezenas de pinheiros e replantar a palmeira existente — que o SOS Costa
da Guia diz estar a ser cortada — e "facultar aos cidadãos o
aproveitamento destes espaços para zonas de lazer e passeio".
A Câmara de Cascais, que anteriormente tinha cedido o
espaço para área verde destinada aos moradores, voltou a readquirir o mesmo por
dois milhões de euros e, a 18 de maio de 2017, formalizou a cedência dos cinco
mil metros quadrados para construção do edifício à Associação Chabad Portugal,
que ficará responsável pelo centro. Em contrapartida, a Chabad pagará uma renda
mensal de 744 euros à Câmara de Cascais por um período de 50 anos.
Desde então, esta cedência tem sido alvo de enorme
contestação por parte dos moradores da Costa da Guia.
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+Moradores da Costa da Guia revoltados com abate de árvores
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1 comentário:
Negocios de contornos estranhos e pouco transparentes para os municipes, que como disse Pedro Jordão, com uma associação de nome Chabad, que nada fez pelo concelho de Cascais ... porque será esta imposição contra a vontade dos moradores da Guia ?
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