NEGÓCIOS. Câmara paga milhão e meio à Scotturb de empresário preso no Brasil por corrupção na área dos transportes

Atual


Por Redação

A transportadora de passageiros Scotturb, do empresário Jacob Barata Filho, preso no Brasil por alegada corrupção na área dos transportes, no âmbito da Operação Ponto Final, um desdobramento da Lava Jato, vai receber 1 milhão e meio de euros da Câmara Municipal de Cascais.

Cerca de 900 mil euros vão ser pagos no âmbito de um protocolo respeitante ao transporte gratuito de menores até 12 anos e outro destinado a maiores de 65 anos com desconto. 

Outros 600 mil euros, a pagar em três prestações, constituem o pagamento de uma alegada divida do município à transportadora, cujo litígio correu termos no Centro de Arbitragem Comercial da Câmara de Comércio e industria portuguesas.


Aprovada por maioria, com voto contra do vereador do PCP, na reunião do executivo de 20 de fevereiro último, a compensação financeira de quase 900 mil euros à Scotturb e que, também inclui com mais de 10 mil euros uma outra à empresa municipal "Cascais Próxima", que explora o MobiCascais, visa dar cumprimento “às obrigações tarifárias de serviço público” no período compreendido entre 1 de março e o final do mês de agosto próximo.

Em causa está o acesso ao transporte gratuito de menores até 12 anos, e de cidadãos com mais de 65 anos, que possam viajar a um preço reduzido.

Já os 600 mil euros inserem-se no âmbito de um acordo de reconhecimento e regularização de dívida, em que a transportadora Scotturb, em processo arbitral, reclama a condenação da Câmara de Cascais ao pagamento de 1,1 milhão de euros relativo a serviços prestados entre janeiro de 2010 e novembro de 2014.


Jacob Barata Filho, dono da Scotturb, custodiado por agentes federais
Apesar de ter contestado o processo arbitral e, ao que parece, ainda sem saber qual o veredicto, sobre o qual até poderia recorrer para os tribunais, caso a decisão lhe fosse desfavorável, o município decidiu chegar a um acordo com a Scotturb, pagando-lhe 600 mil euros, divididos por três prestações de 200 mil euros até 30 de junho próximo.

Segundo os termos do acordo, a Scotturb deverá comprometer-se a investir os 600 mil euros em material circulante da empresa no concelho de Cascais.  


Segundo Cascais24 apurou, este acordo não foi alvo de votação entre o executivo, tendo-lhe apenas sido dado conhecimento, o que estará a criar um certo mal-estar entre os vereadores, sobretudo da oposição.


O vereador do PCP, Clemente Alves, por exemplo, nas declarações de voto que apresentou na reunião de câmara de 6 fevereiro, denunciou que “estes valores visam tão só a compra da inação da Scotturb face à invasão do seu espaço de exploração pelas carreiras da Mobicascais”, tendo mesmo acentuando que em “nenhum outro município do País são conhecidos contratos semelhantes entre os respetivos executivos municipais e transportadores coletivos”.



Carreiras em apoio aos trabalhadores da Scotturb
Duramente criticada até há algum tempo pelo próprio presidente do município, Carlos Carreiras, pelo péssimo serviço público prestado e pelo alegado desprezo manifestado pelo direito dos trabalhadores, a administração da Scotturb, liderada pelo empresário Jacob Barata Filho, acabou por tornar-se num parceiro por excelência do município de Cascais com a criação do polémico sistema de gestão integrada da mobilidade, o MobiCascais.

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6 comentários:

Anónimo disse...

Mais um escândalo a somar a tantos outros, só que desta vez nem na suposta casa da democracia existiu transparência .
Na campanha eleitoral já alguns afirmavam que tinham sido gastos cerca de seis milhões de euros de propaganda com o MOBICASCAIS, isto para já não falar dos custos com as ditas plataformas de bicicletas, operadores de fibra ótica e construção civil, além das rendas pagas como por exemplo à Sonae no Cascaishopping e afins; financiar uma empresa privada com dinheiros públicos, estritamente para fins eleitorais e de propaganda é de facto inédito e surreal num estado de direito democrático .
Mas falemos igualmente de património no passado, presente e futuro e vemos que a propaganda atingiu ou melhor omitiu uma série de factos tais como : completo abandono como a estação arqueológica de Freiria, Alto do Cidreiro, grutas da Alapraia ; a Casa Henrique Sommer que custou uma fortuna a sua aquisição, mais requalificação com dinheiros públicos, e teve como primeiro serviço servir de centro de imprensa do Estoril OPEN , a Cidadela de Cascais em que o protocolo de cedência do antigo equipamento militar do Municipio (custos com dinheiro do contribuinte ) , serviu para instalar um grupo hoteleiro apòs fiasco do concurso internacional lançada pela edilidade ; no presente o D.L. 76/2017 serviu para lançar o isco ao Forte Santo António da Barra tutelado pela Direcção Geral do Património do Estado, estando encenado a sua entrega à Biomarine ... a requalificação deste forte caso transite para a autarquia custara cerca de 6 milhões de euros ( dinheiro do contribuinte ) .
Como vemos nesta sucinto comentário , Cascais continua à deriva, sem rumo e estratégia, apenas negociatas em detrimento do bem público, usando o dinheiros dos contribuintes .

NDR : recentemente utilizei a Estrada do Zambujeiro ( junto ao centro Social do Pisão ), e de facto quem estava tão preocupado com a desmatação da envolvente do Forte de Santo António, negligenciou de facto com o estatuído no citado D.L. 76/2017, constituindo a falta de limpeza desta via , perigo para bens e pessoas .

Esperando que CASCAIS seja elevado às PESSOAS .

Anónimo disse...

900.000 € por 6 meses equivale a 150.000 € por mês!!!! Mas que contas são feitas pelo Município para justificar semelhante valor? Significa isto que o Município pretende financiar uma empresa privada com c. 2.000.000,00 € por ano? E para quê? Não seria melhor simplesmente criar passes sociais adquiridos no Município pelas crianças e idosos que o desejem? Não seria essa a forma justa de controlar os custos sem desperdício de dinheiros públicos que apenas beneficiam uma empresa privada (que, afinal, parece viver de dinheiros públicos)? E quanto ao acordo, a que propósito é que a CMC paga a modernização de uma frota de veículos privados? Não é esse um custo/obrigação da empresa? Por acaso a CMC também pensa financiar a compra de carros novos pelos cascalenses e outras empresa? Ou é só para algumas empresas?

Anónimo disse...

Estes artigos do Cascais24 e consequentes comentários, revelam que em Cascais perdura a doutrina do Sr. Passos Coelho, rejeitada de forma laminar pelo povo português... adequar condições com dinheiro publico para de seguida entregar de borla a privados é de facto um bom negócio, não para os contribuintes, e também não para a causa publica .... o privado esfrega as maõs e enche os bolsos à conta do dinheiro dos contribuintes ... o povo já repudiou esta politica , mas abusivamente , porque ninguém lhe passou procuração para estas negociatas, perdura em CASCAIS .
Apelo a todos os democratas que denunciam estas practicas lesivas do bem publico, e que as denunciem às autoridades competentes.

NDR : convém não esquecer que, em caso de processo judicial, os eleitos respondem com o seu património .

Pela transparência em CASCAIS

Rosado e Silva disse...

Sinceramente, atendendo aos constrangimentos dum Concelho tão heterogêneo, como o de Cascais, discordo, na generalidade, do teor "virulento" - nada construtivo - das críticas à CMC, muito em especial ao seu presidente, cuja ação na área social e apoio aos mais desfavorecidos merece elogios.
Deixemos os "processos" do Brasil para os brasileiros...
CR7(1)

Anónimo disse...

A verdades ocultas ja começam a incomodar alguns.
Não é por acaso que a PJ ja visitou os Pacos do Concelho por 21 vezes.
No tempo do fascismo também existiam esmolas aos pobres.
O dinheiro dos contribuintes nao pode estar refém de um regime autocrático que impoe , nao dialoga e nao lidera para as pessoas, quando foi eleito para servir as PESSOAS, preservando os bens publicos.
Nada existe de virulento nas populacoes da Quinta da Carreira,Guia, Birre, Castelhana e no dia 17 de Março em Carcavelos .
A Bem de Cascais

Anónimo disse...

Agora que vem o verao e os turistas e que foi investido esse dinheiro neh?
Da mesma forma que tambem fazem as festas de cascais apenas para os turistas como tambem para lavar o dinheiro das empresas publico privadas entre outros..
Acho que todos deviam ver as modelos que actualmente trabalham na cascais ambiente como tambem todas a regalias de que as chefias usufruem desde direito a carro,telefone,cartao de gasolina ( ilimitado ) e tambem cartao mastercard ou visa para poderem almocar onde bem lhe apetecer e por vezes festas privadas

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