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Por Redação
Só a eficaz intervenção de uma patrulha da GNR de
Alcabideche, que arrombou uma janela para entrar na habitação, e o socorro
pré-hospitalar prestado pela guarnição de uma ambulância dos Bombeiros de
Alcabideche, lograram salvar uma mulher, de 53 anos, que tentara o suicídio,
ingerindo quase 200 comprimidos antidepressivos.
Aconteceu na terça-feira passada, à tarde, numa localidade
da freguesia de Alcabideche e só esta segunda-feira é que a mulher teve alta do
Hospital de Cascais.
Alertada pela filha da mulher, que tinha recebido um
telefonema da mãe a anunciar o suicídio, uma patrulha da GNR convergiu
prontamente para a residência- uma moradia.
Com a habitação completamente trancada, os militares
viram-se forçados a arrombar uma janela, por onde entraram e acabaram por
encontrar a mulher no sofá da sala. Tinha acabado de ingerir quase 200
comprimidos antidepressivos.
Socorrida pela guarnição de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários
de Alcabideche, foi transportada à urgência do Hospital de Cascais, onde também
a intervenção de uma equipa médica e de enfermagem foi decisiva para salvar a
mulher, que só esta segunda-feira teve alta.
Não é conhecida a causa que levou esta mulher ao limite, a
ponto de tentar pôr termo à vida, embora a solidão possa não ser alheia ao ato.
Deverá agora ter acompanhamento psicológico.
Os números da OMS
Recorda-se que, segundo dados da Organização
Mundial de Saúde (OMS) Portugal está acima da média global de suicídios,
apresentando uma taxa de 13,7 por cem mil habitantes em 2015, face a uma taxa
mundial de 10,7.
Perto de 800 mil pessoas suicidam-se todos os anos,
o que significa uma pessoa a cada quarenta segundos, de acordo com os dados da
OMS, que defende que a comunicação social deve noticiar estas mortes de forma
responsável.
A OMS diz também que a Europa foi a região do Mundo
com a mais alta taxa de suicídio (14,1 por cada cem mil habitantes), à frente
de África (8,8), Américas (9,6), Sudeste asiático (12,9), Mediterrâneo Oriental
(3,8) ou Pacífico Ocidental (10,8).
Dentro da região Europa, Portugal está ligeiramente
abaixo da média europeia mas acima da média global, tendo registado, em 2015,
uma taxa de 13,7 mortes por suicídio por cada cem mil habitantes, o que significa,
tendo em conta os cerca de dez milhões de habitantes, que cerca de 1.370
pessoas ter-se-ão suicidado.
Um estudo publicado em março último pela psicóloga clínica e
de saúde Vera Alexandra Barbosa Ramos concluí que o “suicídio é um problema de
saúde pública”.
“Sabemos que a nossa sociedade está cada vez mais exigente,
stressada, depressiva, revoltada e solitária e, devido à situação económica e
desemprego mais ambiciosa pelo dinheiro”, diz a psicóloga, segundo a qual “com isto há ainda a falta de paciência e disposição para
ouvir os sofrimentos de quem nos rodeia”.
“Há cada vez mais pessoas a tentar o suicídio ou a consumar
mesmo o ato e este facto deve-se também à ausência de pessoas para as ouvir,
acolher e fazer acreditar que é possível e agradável viver”, defende Vera
Alexandra Barbosa Ramos.
“Todos os pequenos indícios que os suicidas dão devem ser
valorizados e são esses sinais de alarme que devem fazer alterar as nossa
relações, repensar as nossas atitudes e implementá-las por forma a prevenir que
mais uma vida se perca”, aconselha a psicóloga.
“Todos nós precisamos de sentir afeto, carinho, atenção, ter
relações sociais, empatia para que nos façam sentir bem e nos ajudem a
enfrentar situações de vida menos positivas. É obrigação de todos nós estarmos
atentos a estes sinais que as pessoas muitas vezes nos transmitem e nós, numa
sociedade egoísta não nos damos conta desses pedidos de ajuda. Portanto, se
focarmos mais a nossa atenção a quem nos rodeia, podemos ajudar a pessoa a desistir
da ideia de pôr termo à vida”, concluí Vera Alexandra Barbosa Ramos.


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