Há pessoas a (sobre) viverem em condições sub-humanas em Cascais

Investigação



                                           14/10/2018

Em Cascais, concelho “Elevado às Pessoas”, em pleno século XXI, ainda há muita miséria encoberta, em contraste com a opulência. Há pessoas a (sobre) viverem em condições sub-humanas, sem água canalizada, depois de mandada cortar pelo próprio município, e a lavarem-se no rio e a defecarem em baldes, despejados no mato. Acontece no rio Marmeleiro, em Murches, na freguesia de Alcabideche. 


“Venho por este meio pedir compaixão por este povo que vive no rio do marmeleiro, em Murches, mais conhecido por rio da vinha”. Este foi o alerta dado por uma leitora, que levou Cascais24 até junto de quem “vegeta” no mais negro e miserável lado da Cascais dos grandes eventos (económicos, políticos e culturais) que o governo local alimenta demagógica e publicamente.


Chegar às casas dispersas pela encosta no vale do Marmeleiro não é tarefa fácil. Até parece que estamos no sítio mais remoto da terra, no fim do Mundo, em contraste com a paisagem paradisíaca do território.


Maria Leonor Parreira, 45 anos, é o rosto principal de quem (sobre) vive naquele sítio inóspito, onde os carros não chegam e “quando há uma emergência, como aconteceu algumas vezes, os bombeiros têm que deixar os veículos a mais de 300 metros, junto às caixas de correio” e fazer o percurso apeado por caminho em terra batida.


“Vivo aqui, com os meus três filhos, há 16 anos, e não aguento mais”, diz, a Cascais24, esta mulher, em cujo rosto é visível o sofrimento e que habita uma das casas, cujo piso é de cimento, os compartimentos são tapados com cortinas e outro deles serve de espécie de casa de banho, onde predominam os baldes, quer para defecar, quer para tomar banho de forma improvisada! 


As casas estão situadas em terreno privado, cujo dono faleceu e que, segundo, Maria Leonor Parreira, os “herdeiros estão em litígio judicial”, o que, segundo ela, "não é impeditivo de ter-mos direito a viver em dignidade".


Câmara manda cortar água


O pesadelo, aos níveis de salubridade e de saúde pública, para os onze moradores que habitam no sítio aumentou, sobretudo, há cerca de 5 meses, quando o abastecimento de água, fornecido pelo único contador existente no local, foi mandado cortar pela Câmara Municipal de Cascais, a cuja propriedade o mesmo pertence.


Câmara mandou cortar abastecimento de água
E, o sítio é tão inóspito e remoto que, segundo Cascais 24 apurou, a Câmara Municipal de Cascais fez o pedido de corte à empresa “Águas de Cascais” em julho de 2016 e só em abril último os zelosos funcionários do “corte” efetuaram o mesmo. 


Não o fizeram antes, por alegadas dificuldades em localizar geograficamente o contador! Pudera, em local tão remoto de Cascais, onde grassa tanta miséria!


Para os moradores do sítio, apesar de tudo, foi ótimo, pois durante este período ainda puderam usufruir, apesar das condições de habitabilidade, do factor de a “Águas de Cascais” terem demorado tanto tempo a localizar o respetivo contador.


Carregar garrafões do chafariz


Desde o corte de água, há cerca de 5 meses, que Maria Leonor enfrenta, todos os dias, a rotina de deslocar-se ao chafariz público, no largo de Murches, carregada de garrafões plástico, de 5 litros cada um, enchê-los e regressar a casa com eles.


“Diariamente, são mais ou menos 2 quilómetros”, contou, a Cascais24. “O que custa mais é no regresso, com os garrafões cheios”, acrescentou Leonor, que chega a recorrer a uma mochila para transportar alguns garrafões às costas.


Se não vai diariamente ao chafariz público, Maria Leonor e os outros moradores, que não deram o rosto a Cascais por alegada “vergonha”, não cozinha, não limpa e não toma banho.


Sem banheiro, ela e os vizinhos fazem as necessidades em baldes, que despejam no mato à volta.


“Ninguém quer saber!”


“É muito difícil viver assim”, diz, a Cascais24, por entre lágrimas, Maria Leonor Parreira, segundo a qual “espera a atribuição de habitação social desde há dois anos”.


“Aqui, somos invisíveis às estatísticas, somos pobres” argumenta esta mulher que trabalha em biscates domésticos em casas de abastados para não morrer à fome e, inclusivamente, tem a seu cargo um filho que nasceu sem um rim.


“Infelizmente, ninguém quer saber de nós”, remata, não sem sublinhar: “Já não sei que fazer, estou muito cansada. Não tenho mais forças para continuar a viver”.


“Assuntos mais importantes”!


Em declarações a Cascais24, Maria Leonor Parreira lamentou a forma como os serviços de habitação social do município têm acompanhado o caso, não a deixando “falar com quem de direito”.


“Já tentei, por várias vezes, quer falar com o senhor presidente da Câmara, quer com o senhor vereador responsável pela habitação, e as respostas das secretárias é que têm assuntos mais importantes para resolver, para eu ir tentando a minha sorte”.


Vereador em silêncio


O vereador centrista Frederico Pinho de Almeida, que detém a área da habitação social no executivo da coligação em Cascais, mantêm silêncio sobre a questão.


Ao vereador municipal, Cascais24 enviou um conjunto de questões relacionadas com este gritante caso, as quais, no entanto, até ao momento, não mereceram por parte do mesmo qualquer resposta.


Maria Leonor Parreira e os restantes moradores esperam que os critérios para uma habitação social no rico e glamouroso concelho de Cascais acolha as reais necessidades de quem, verdadeiramente precisa, e não os “compadrios” e jogos de interesse, com conluio de quem tem outros interesses!

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6 comentários:

Anónimo disse...

Como será possivel que, um governo local neo liberal de direita em Cascais , não promova a coesão social, intervenção e apoio às pessoas e familias em situação de vulnerabilidade ? Nâo pagamos impostos mais do que suficientes em Cascais para apoiar este tipo de fragilidades ? Como será possivel que este Vereador , eleito para servir as populações se mantenha em silêncio .... como será tudo isto possivel em Cascais, num estado direito democrático , onde devia predominar a igualdade e não discriminação ?

A BEM DE CASCAIS E DAS PESSOAS

Anónimo disse...

O dinheiro de Cascais é para ser gasto em festas. Casos destes são ignorados, pois a rica vila de Cascais nunca aceitará que existam por cá.

Anónimo disse...

Que vergonha! Isto é inadmissível, fico chocada. Obrigada Valdemar Pinheiro por vir aqui denunciar esta vergonha!

Anónimo disse...


A vergonha, não será porventura dos moradores das 11 habitações, mas do município que se permite situações deste género.

Vergonha dos serviços municipais em não localizar sequer o contador, para saber onde estão estas pessoas! Competência, hein!

Miséria humana, é a vergonha de todos os cidadãos de Cascais que permitem ter governos autárquicos que prezam este tipo de serviço. Continuem V.Exas a votar nos partidários da sua clubite, como se de clubes de futebol se tratasse o nobre acto de fazer politica.

Por cada cidadão que ganha 1.500€ limpos, num contrato normal de trabalho desconta cerca de 800€. Para onde vai este dinheiro, e porque é que deste orçamento não serve para apoiar pessoas em verdadeiro estado de necessidade?

O estado, e o município de Cascais continuadamente continuam-se a demitir dos seus serviços mais elementares.

Tristeza, e revolta é o que sinto...

Anónimo disse...

Caros municipes ,


Levo ao vosso conhecimento, aspectos da politica demagogica do faz de conta, dizer uma coisa e fazer outra , da liderança paroquial e autocrática do Sr. Carlos Carreiras .
No site da Câmara Municipal de Cascais, existe ampla divulgação da Carta Cascais 2030 desenvolvimento sustentável , em que o primeiro objectivo de desenvolvimento sustentável é erradicar a pobreza ; trata-se sobretudo de assegurar a plenitude dos seus direitos humanos, enquanto membros activos de uma sociedade, não deixando ninguém para trás...a dado trecho informam que sendo Cascais um municipio com amplas politicas sociais e de apoio às populações com mais fragilidades, continuaremos a politica de sustentabilidade social ???
Este artigo emitido pelo Sr. Valdemar Pinheiro do Cascais 24 de facto não cola com a realidade teórica do documento emanado pela edilidade cascalense...
Exigimos seriedade no discurso politico, conduta e ética, e de facto trabalharem para o bem estar das populações, já foram que foram eleitos para servir e renumerados para esse efeito com o dinheiros dos contribuintes .



A BEM DE CASCAIS PELA TRANSPARÊNCIA DE ACTUAÇÃO dos eleitos

Anónimo disse...

Esta situação é vergonhosa tendo como principal responsável o governo local de direita , em que as pessoas não contam .
Entretanto existe dinheiro dos contribuintes para esbanjar numa nova rotunda, a construir no entroncamento entre a Rua António Louro / Av. dos Maristas na Parede , obras com inicio na corrente semana ...a cerca de, menos de cem metros de distância existe igualmente uma outra rotunda já em serviço ....como será possivel esbanjarem dinheiro desta maneira , sonegando direitos e
ajuda, comoneste este caso narrado e descrito pelo Cascais 24 .

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