Demolições em terreno privado do Zambujeiro geram indignação e revolta

Atual

Uma das casas desmembradas no Zambujeiro, tendo como pano de fundo, a alguns quilómetros casas em pleno Parque Natural (Foto CASCAI24)


                                   23 Outubro 2018

Implacável, indiferente aos apelos lançados pelos donos, com graves problemas económicos e de saúde e pelo movimento de alguns amigos, a Câmara Municipal de Cascais procedeu nos últimos dias à demolição de oito edifícios construídos há mais de 40 anos em terreno particular, no Zambujeiro por, segundo o município, estarem “inseridos ilegalmente no Parque Natural” – uma ação que está a provocar revolta e indignação entre moradores da área.


Um dos indignados é Pedro Araújo Couto, conhecido campeão surfista, diretor e instrutor na escola de Surf de Carcavelos que, esta terça-feira, à tarde, no local, afirmou, a Cascais24: “Estou muito indignado com isto que está aqui a acontecer”.


Já de acordo com a edilidade, tratam-se de “edificações degradadas, desocupadas e de uma oficina automóvel construídos na década de 70, sem autorização camarária”.



A destruição continuou esta terça-feira à tarde no Zambujeiro (Foto CASCAIS24)
“Os trabalhos de demolição surgiram na sequência de um processo coersivo interposto pela autarquia em 2011”, diz a Câmara Municipal de Cascais.


Mariana Gil, chefe de Divisão de Fiscalização de Obras e Infraestruturas, citada pelo site oficial do município, sublinha mesmo “a importância de manter a área cuidada e protegida, até por questões ambientes”.


As casas pertencem a um casal, Lídia e José Marques, este padecendo de doença de Alzheimer e que, entretanto, há cerca de dois anos, por razões familiares, mudou-se para Troviscais Cimeiros, no concelho de Pedrogão Grande, onde, por pouco, também não foram vítimas do gigantesco fogo do ano passado.


"Uma tristeza"

“Isto é uma tristeza…Ver ir tudo abaixo”, diz, a Cascais24, uma moradora da área, que conhece bem o casal que, “pelas grandes dificuldades económicas e pelo drama familiar, com dois filhos, que atravessava nunca conseguiu legalizar as casas”. “Éramos todos uma família”, concluí, com alguma emoção.


Segundo Cascais24 apurou, o casal com a vida mais ou menos equilibrada submeteu ao município um alargamento do prazo para efetuar a legalização, mas a “única resposta que recebeu foi a demolição pura e simples, sem contemplações”, segundo Rosa Gonçalves, uma amiga, que tem procurado, mas sem sucesso, impedir as demolições em terreno privado com cerca de 3.600 m2.


O caso também foi levado esta terça-feira à reunião do executivo pelo vereador do PCP, Clemente Alves, o qual deslocou-se igualmente esta tarde ao Zambujeiro., onde as demolições prosseguiam.


Vereador Clemente Alves (PCP) esteve no Zambujeiro (Foto CASCAIS24)
“Não conseguimos perceber como é que há outras casas aqui à volta, no chamado perímetro do Parque Natural, que foram legalizadas e o executivo vem argumentar questões ambientais”, questiona Clemente Alves, segundo o qual “estas edificações existiam antes da aprovação do PDM de Cascais, que impõem limitações à construção e do Plano do Parque Natural ”.


Para Clemente Alves, a Câmara Municipal “devia ter em conta a questão moral, isto é, os alegados problemas económicos do casal proprietário, que não pôde legalizar no prazo estipulado, e a doença grave de um deles”.


“A Câmara podia ter outra atitude, que não a radical do bota-abaixo”, conclui o vereador comunista, o qual questiona, então, qual a legalidade entre na mesma área existirem construções legalizadas e estas não!”.

"Não estão todas inseridas no mesmo espaço?", questiona, também, revoltado, o vereador comunista.


“Muito indignado”, diz conhecido surfista


“Estou muito indignado com isto que está aqui a acontecer”, disse, a Cascais24, Pedro Araújo Couto, conhecido campeão surfista, diretor e instrutor na escola de Surf de Carcavelos.


“O casal, a D. Lídia e o marido, não mereciam isto”, acrescentou.


O campeão surfista Pedro Araújo Couto é, também, um homem "indignado"
Pedro Araújo Couto aproveitou para denunciar, na presença de Cascais24, o “desaparecimento de alguns objetos”, que guardava, com consentimento dos donos, numa das edificações.


Os dois agentes da Polícia Municipal, encarregues de garantir a segurança no perímetro das demolições, acabaram por aconselhar Pedro Couto a formalizar uma queixa.

NOTA EDITORIAL
Se, eventualmente, casos misteriosos de intervenção camarária, este do Zambujeiro, pode não ser, propriamente, um deles, embora presumível e, alegadamente, ferido de eventuais ilegalidades, pois estão em causa os verdadeiros objetivos, a verdade, porém, é que o município cascalense não é tão célere, como a Lei o impõe, a mandar demolir casas construídas praticamente junto a leito de ribeiros, em circunstâncias altamente suspeitas, além da existência, em áreas classificadas pelo PDM como urbanas, funcionarem oficinas industriais de carpintaria e não só, que estão a causar danos estruturais a habitações com mais de 50 anos, para além dos incómodos com ruídos aos moradores! Com a agravante de, num dos casos, estar em curso um não menos duvidoso processo de legalização, isto é que era uma autêntica INTERVENÇÃO E APLAUDIDA INTERVENÇÃO CAMARÁRIA! Pôr fim a ilegalidades constantes e diárias! Não são casas edificadas há 40 anos em terreno privado e que não incomodam ninguém que estão a PREJUDICAR! Haja Justiça!
Imprimir



























2 comentários:

Anónimo disse...

Caro Valdemar Pinheiro,

Excelente artigo , que reporta a crueldade de actuação deste governo local das direitas encostadas para com os municipes de Cascais , impondo a lei aos mais pobres e necessitados .
Desconhecemos os padrões e critérios para este tipo de intervenção, já que a novata vereadora do Ambiente de Cascais não diz uma silaba sobre este tema ou qualquer outro , e já o devia ter feito, pois é renumerada com o dinheiro dos contribuintes .
Supostamente encontram-se inseridos ilegalmente no perimetro do Parque Natural, mas quando existem processos de legalização em curso de casos similares, e ainda outros que abusivamente foram autorizados pela própria Camara Municipal de Cascais , tais como Aldeamento Malveira Guincho , ou as mansões construidas junto ao acesso da Praia do Abano, qual foi o critério ambiental ? como será possivel este elenco camarário proceder à discriminiação dos municipes em função do dinheiro de cada um ..onde está a aplicação do principio da igualdade e não discriminação ? onde está o codigo de ética e conduta de cargos publicos ? como será tudo isto possivel ? a lei não é igual para todos num estado direito democrático ?
Todos sabemos, que estas medidas avulsas da Câmara Municipal de Cascais não credibilizam os eleitos perante os eleitores , e a forma como o fazem indigna qualquer um, tratando-se de municipes com dificuldades , não deveria ter existido bom senso ?.... mais um processo liderado com os pés pelo governo local de Cascais .
Um dos grandes sorvedouros do dinheiro dos contribuintes, a Cascais Próxima que ninguém sabe quantos colaboradores possui,como se processaram as respectivas admissões, respectivos vencimentos, missão e valores , e utilidade desta pseudo empresa publica , através do seu Departamento de Gestão de Clientes, acaba de comunicar aos municipes utilizadores do estacionamento do Estoril Residence em Cascais, que a gestão desta infraestrutura , muda de proprietário , e passa a ser da responsabilidade da empresa Porta da Frente , devendo as mensalidades ser pagas a esta entidade a nivel de avenças contratualizadas .... estamos perante mais uma negociata de uma contrapartida que detinha a Câmara Municipal de Cascais a privados ? Alguém da Câmara Municipal ou da CascaisPróxima , que não se esconda e venha a público explicar aos municipes que tipo de negócio é este , quais as vantagens futuras para os municipes , tendo em conta a mobilidade em Cascais, que toda a gente sabe vale zero , apesar dos milhares de euros que se gastam em propaganda com o Mobi Cascais dos nossos impostos ...
Quando não se sabe liderar para as pessoas, e conviver em democracia , surgem frequentemente atropelos aos mais elementares direitos dos municipes .
Cascais Elevado às Pessoas .. só se for para alguns, de preferência com dinheiro .

A BEM DE CASCAIS PELA TRANSPARÊNCIA DE ACTUAÇÃO

Andre Duarte disse...

Bom dia,

Mais uma noticia bem conseguida.
Entendo no entanto que a situação pode e deve ser bem esclarecida, porque a CMC não iria tomar esta decisão de animo leve (penso eu).

Concordo com a necessidade de existir um rigoroso, mas célere planeamento urbano, do qual fará parte a Arqtª Marina Gil e outros técnicos da câmara, nomeadamente os assistentes sociais.

Por uma questão de justiça social, também compreendo a necessidade da CMC no âmbito das legalizações. Por isso é que sou da opinião que deveriam existir Gabinetes de Apoio Técnico, suportados pelo município para auxiliar pessoas na situação que se retratam na peça.

Fica pois o meu melhor contributo.
sentimento de apoio às familias, mas também aos técnicos do municipio porque não tomam estas decisões de animo leve, como a Cascais 24 saberá!

Falta mais uma vez,a voz ativa democrática no concelho de cascais. Pois se estas situações devem vir a publico, deve a entidade que nos gere o dever de informar os respetivos votantes!

Cumprimentos pessoais ao Valdemar!

Publicação em destaque

CASAL encontrado morto em Abóboda

Um casal foi encontrado morto, este domingo, ao início da tarde, em Abóboda, S. Domingos de Rana, confirmou, a Cascais24Horas Pedro Araújo,...

FOI NOTICIA

BLOGS