“Campus” de futuros economistas nasce em terrenos expropriados por "bagatela"

Atual


Por Redação
29/09/2018

Erguido em terrenos expropriados pelo município em circunstâncias polémicas e duvidosas, que deram origem a batalhas judiciais, o novo “campus” da Nova School of Business and Economics (Nova SBE) foi inaugurado este sábado numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e  de mais de 6000 convidados, entre os quais decisores nacionais e internacionais, parceiros institucionais, empresários e empresas, Alumni, corpo docente e estudantes.


Marcelo Rebelo de Sousa
Na oportunidade, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que “uma grande escola é sempre uma grande escola. É o caso desta Nova School of Business and Economics, pioneira em tantos lances científicos, pedagógicos, nacionais e internacionais. Que o digam todos quanto fizeram a sua história, com natural relevo para Alfredo de Sousa, a viveram intensamente como tantos antigos e atuais mestres aqui presentes, e em particular o primeiro Presidente da República de Portugal economista, e mais duradouro Primeiro Ministro, Aníbal Cavaco Silva”.


A faculdade oferece vários espaços de convívio, quatro restaurantes, cafés, bares e ginásio com vista para o Atlântico, naquilo que os projetistas procuraram igualar ao estilo californiano. 


O “Campus” foi construído frente à praia de Carcavelos, graças a uma campanha de angariação de fundos iniciada há quatro anos, tendo como parceiros fundadores a Câmara Municipal de Cascais, o Banco Santander, o Grupo Jerónimo Martins, Teresa e Alexandre Soares dos Santos, e mais de 45 parceiros corporativos. 


Os privados doaram 42 milhões de euros que permitiram financiar a construção da faculdade pública. O objetivo eram 50 milhões.


Neste momento, a Nova SBE conta com cerca de três mil estudantes, - mais de 50% são internacionais, provenientes de 74 países do mundo, como Alemanha, Itália, França, UK, Espanha, China, Brasil, Bélgica, Holanda, Áustria.


Expropriação polémica


O “Campus” da Universidade Nova situa-se em terrenos, cuja expropriação esteve envolvida em enorme polémica, protagonizada por município e proprietários.


A 25 de setembro do ano passado, na sua última intervenção como vereador eleito pelo PS, João Cordeiro, afirmava ter “ficado profundamente chocado com a forma como a coligação geriu o dossier do terreno”.


Ex-vereador João Cordeiro
João Cordeiro, com o qual o presidente do executivo manteve durante todo o mandato uma autêntica guerrilha verbal, referia-se à expropriação e ao montante irrisório a pagar aos proprietários definido pelo município: 162.144 mil euros por uma área de 83.579,40 m2. 


A avaliação foi recusada pelos donos, que vieram a obter uma avaliação em tribunal arbitral de quase 8,5 milhões de euros!


Carlos Carreiras
“A diferença entre os dois valores evidência o respeito que a Câmara Municipal de Cascais tem pela propriedade privada”, afirmou ironicamente, na altura, o vereador independente, eleito pelos Socialistas, segundo o qual “a demonstração da falta de respeito pela propriedade privada é total e absoluta, sobretudo para os que não são amigos”.


Na altura, João Cordeiro acusou, ainda, Carlos Carreiras de ser “um verdadeiro malabarista” por, alegadamente, ter “falseado” acordos com expropriados numa “total falta de respeito democrático pelos órgãos autárquicos”.

Imprimir.




5 comentários:

Anónimo disse...

Cascais é uma autêntico lamaçal de escândalos e atropelos aos mais elementares
direitos dos municipes... decorridos quase 45 anos depois da Revolução de Abril, a liberdade e a democracia ainda não chegaram a CASCAIS , um concelho com mais de 650 anos de história .

A BEM DE CASCAIS

Pedro Jordão disse...

O elementar cumprimento das normas constitucionais e legais exige que a CMC torne público o acordo alcançado com os primitivos proprietários dos terrenos doados pela CMC para a construção da Nova SBE. Os princípios de transparência e de controlo da despesa e da atuação da administração assim o impõem. Vamos ver quanro tempo será necessário até que se fiquem a conhecer os termos e as condições desse acordo.

Anónimo disse...

O Pedro Jordão é um mestre da política, defende uma coisa e o seu contrário com a maior naturalidade, desde que lhe sirva para fazer a catarse do ódio que tem ao Carreiras, conforme lhe convém. Na sua opinião a CMC devia expropriar terrenos urbanos aos seus proprietários e aos promotores de vários terrenos privados que irão ser urbanizados, isto para fazer jardins, e deve fazê-lo a preço de pataco, mesmo sem explicar de onde viria o referido "pataco", mas já discorda quando terrenos agrícolas são expropriados a pataco pelo Estado para se construir uma universidade pública, e nisso estou com ele, a CMC devia desde o primeiro dia ter proposto um valor justo.
O problema é que o que se viu neste caso ia acontecer em muitos outros em que o "Também és Cascais" defende que os direitos adquiridos sejam rasgados em nome da dua interpretação do que é o bem comum, nomeadamente na Quinta dos Ingleses que gente desinformada acha que se podia expropriar de qualquer maneira, mas que o Também és Cascais usa de maneira enganosa sabendo e ocultando que existe um contencioso entre o proprietário com direitos adquiridos e a CMC há décadas, e em que o proprietário já obteve várias vitórias, um caso que obrigaria a uma indemnização num valor superior ao orçamento anual da CMC. Enfim, a política é isto, infelizmente, meio mundo a tentar enganar meio mundo.

Antonio B Bello disse...

Afinal como é que ficou resolvido. A Camara já pagou os terrenos? e quanto pagou pelos terrenos?

Anónimo disse...

Pois. O problema é esse...quanto pagou a CMC, quanto pagamos? Em quanto é que ficou a factura dos acordos judiciais? A transparência diga que está informação tem que sair cá para fora. Quanto à Quinta dos Ingleses, etc., Os direitos adquiridos só me fazem rir e são mera desculpa. O que existe de facto neste concelho neste momento é um plano de construção desenfreada que deixará os anos Judas a milhas. Desenfreada e sem regras. Para além das urbanizações actuais e futuras - veja-se que já se está a construir na Legrand???- existe também um febre de construção de hipermercados. Ele é o Aldi o LIDL no que parece ser um plano de um bairro um hipermercado. Ah, e quantas deste obras já estão em construção sem a correspondente licença de construção visível e publicitada???

FOI NOTICIA

UM JORNAL QUE MARCA A DIFERENÇA

UM JORNAL QUE MARCA A DIFERENÇA