Ex-pároco de Carcavelos investigado pela PJ com fiéis a perguntar “quem quer e porquê tramar o Padre António Teixeira”

Atual


Padre António Teixeira durante uma peregrinação
Por Redação

O Padre António Fernando Teixeira, ex-pároco do Estoril e de Carcavelos, que está a ser investigado pela PJ pelo alegado descaminho de arte sacra da paróquia do Santo Condestável, em Lisboa, que terá vendido a um antiquário para realizar obras na casa paroquial, poderá vir a ser acusado pelo Ministério Público do crime de abuso de confiança, apurou Cascais24.

António Teixeira está a ser investigado, em sede de inquérito, pelo alegado desaparecimento e/ou descaminho de artigos de vários géneros, desde vestes religiosas (paramentos) a material usado para ornamentar o altar, como toalhas e castiçais e, ainda, de uma taça de prata dourada com pedras preciosas e imagens do séc. XVIII.


Também o advogado João Ferreira, um dos consultores jurídicos de Cascais24, é de opinião, pelos dados vindos a público, de que “no mínimo, trata-se de um caso de alegado abuso de confiança”, atendendo a que “o padre terá investido os proventos obtidos em melhoramentos na casa paroquial, que é pertença da própria Igreja”.


Advogado João Ferreira: "No mínimo é um caso de abuso de confiança"
“Não podemos, de forma alguma, classificar o caso como um furto, mas sim como abuso de confiança, previsto e punido pelo Artigo 205 do Código Penal, com pena de prisão até 3 anos, uma vez que os bens alegadamente desviados estavam à sua guarda, à sua responsabilidade, por lhe terem sido entregues pela Igreja”, explicou João Ferreira, salvaguardando, contudo, que “a pena de prisão prevista pode ir também aos 8 anos, caso o valor dos bens seja consideravelmente elevado”.


Para o causídico João Ferreira, ao qual Cascais24 pediu uma opinião jurídica sobre o caso, “o padre pode vir também a ser alvo de um processo a nível da própria Igreja, por ter tomado a iniciativa sem autorização, por exemplo do Patriarcado”.


Também o antiquário pode vir a ser acusado do crime de recetação e constituído arguido no inquérito em curso na Polícia Judiciária (PJ)


O Patriarcado foi informado em março do desaparecimento das peças, tendo “determinado que o caso fosse apresentado à Polícia Judiciária”. 


O Padre António Teixeira foi prior da Igreja de Santo António do Estoril e de Nossa Senhora dos Remédios, em Carcavelos.


Padre António Teixeira alvo de perseguição?
Foi a seu pedido que, em julho de 2015 deixou a paróquia de Carcavelos, onde fora pároco desde outubro de 2011, embora houvesse quem atribuísse a sua saída a cartas e SMS anónimos. Ele próprio o revelou e confirmou, na altura, em entrevista ao semanário “Cascais/Algés”. 


Tomou posse na Igreja de Santo Condestável a 4 de outubro de 2015, numa missa presidida pelo Bispo D. Joaquim Mendes e a 10 de julho de 2016 comemorou o 25º. Aniversário da sua ordenação sacerdotal numa missa de ação de graças presidida pelo cardeal Patriarca D. Manuel Clemente. 


Entretanto, na sequência da investigação foi afastado de Santo Condestável e, atualmente, celebra missa na Madorna. 


Durante a sua passagem pelas paróquias do concelho de Cascais, o padre António Teixeira lançou três livros, um deles em abril de 2015 com prefácio do atual Presidente da República, intitulado “Igreja: Um Sonho, Uma Paixão”. 


Com o ainda não Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no lançamento, em 2015, da obra "Igreja: Um Sonho, Uma Paixão" (Foto CMCascais)
Na oportunidade, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou acerca do Padre António Teixeira que “muito antes do Papa Francisco defender que era preciso fazer chegar a mensagem cristã aos que estão mais distantes, mais carenciados, mais explorados e aos mais jovens (…) já o Prior de Carcavelos utilizava as tecnologias mais avançadas para comunicar essa mesma mensagem.” 


Em dezembro último, o padre António Teixeira lançou na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, o seu quarto livro, intitulado “Palavras da Palavra”. A apresentação esteve a cargo do Presidente da Câmara, Carlos Carreiras que, perante um auditório repleto de amigos e admiradores do religioso, destacou a sua passagem pelas paróquias de Cascais e a influência que exerceu em milhares de paroquianos. 


Em dezembro último, ao lado de Carlos Carreiras, no lançamento do seu quarto livro "Palavras da Palavra" (Foto CMCascais)
O livro, mais uma vez prefaciado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, é uma edição de autor que pode ser adquirida através de uma página criada no Facebook pelo religioso e cujas receitas revertem para os Bombeiros de Castro Daire.


Chocado

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou-se “surpreendido e chocado” com as notícias da investigação ao padre António Teixeira, que conhece há vários anos. 


António Fernando Teixeira decidiu entregar-se ao sacerdócio depois da vinda a Portugal do Papa João Paulo II em 1982. Tinha, então, 16 anos. “Vi na televisão aquele homem vestido de branco, com um entusiasmo tremendo e com uma multidão incontável de jovens. O que me perturbou e me fez pensar: ‘Porque é que eu não estou ali também?’”, recordava à agência Ecclesia em 2014. A seguir leu a história de Jesus e “fez-se um clique”. Ordenado padre nove anos mais tarde, conseguiu chegar à fala com o chefe máximo da igreja católica quando este voltou a visitar o nosso País.


Ao longo das duas décadas e meia de sacerdócio que leva, António Teixeira logrou conquistar uma legião de fiéis, entre jovens e adultos, presos às suas palavras e às suas iniciativas. 


A verdade, no entanto, é que tudo indica que o padre António Teixeira também conquistou muitos inimigos. “É possível que tenham inveja do trabalho que tem desenvolvido”, comentou um paroquiano, segundo o qual “o importante é saber-se quem e porquê o quer tramar”.


Admirador do Papa Francisco, o padre António Teixeira defende uma igreja de portas abertas que “não busca honras nem privilégios” nem se deixa cair numa “fé de supermercado”.



Influência

Se o padre António Teixeira decidiu servir a Igreja por influência do Papa João Paulo II, não é menos verdade que ele próprio influenciou, enquanto prior no concelho de Cascais alguns jovens a tornarem-se sacerdotes.


Bernardo Trocado abraçou o sacerdócio por influência de António Teixeira, enquanto pároco no Estoril
Foi, por exemplo, o caso de Bernardo Trocado, natural de Cascais que, aos 27 anos, foi ordenado padre -um dos mais jovens sacerdotes ao serviço da Igreja católica em Portugal.



Bernardo Trocado sentia-se um católico empenhado, muito ligado à paróquia do Estoril, mas entrar no seminário não fazia parte dos seus planos.



“Uma vez, o meu prior, o padre António Teixeira, disse-me que um dia havia de ver alguém à frente do altar e olhou diretamente para mim, não gostei nada do que disse e disfarcei”, contou, então, Bernardo Trocado. 

Noticias relacionadas 
Sem João Paulo II não havia Padre António Teixeira 


Sem comentários:

DESTAQUE. 29 cães em risco resgatados em Carcavelos

+ populares

MULTIMÉDIA. SEGURANÇA

A PSP e o Metro recomendam: "Durante a abertura de portas não utilize o telemóvel. Pode ser vítima de roubo."

MULTIMÉDIA.SAÚDE