Assalto informático a caixa automática de banco espanhol dá 2 anos de prisão efetiva

JUSTIÇA

TRIBUNAL de Cascais condenou dois cidadãos romenos
07 janeiro 2021
Dois cidadãos romenos, que viajaram expressamente de França para Portugal, percorrendo 2 mil quilómetros de carro, para assaltar com uma “arma” informática a ATM da sucursal de um banco espanhol, nas imediações dos estúdios da TVI, na zona industrial de Queluz de Baixo, Barcarena, foram agora condenados a 2 anos de prisão efetiva por um coletivo do Tribunal Judicial de Cascais.
Criminalidade transnacional organizada  julgada em Cascais

Vasile Chiviriga, 30 anos, e Mihail Robu, 32 anos, estavam acusados de “burla informática agravada”, mas foram sancionados apenas pela prática deste crime na forma tentada, o que reduziu substancialmente a pena aplicada pelo mínimo da moldura penal em que incorriam, entre 2 a 8 anos de prisão. Um dos arguidos tem dupla nacionalidade romena-moldava.

Os arguidos, residentes em França, deram consentimento para que o julgamento se iniciasse na sua ausência, por estarem em confinamento no EP de Caxias. Mas compareceram à leitura de acórdão e à última audiência, e prestaram declarações com a ajuda de uma intérprete de língua romena, confessando os factos já depois de a prova ter sido produzida.

Revelaram que tinham planeado dividir o dinheiro roubado com um “amigo” comum, que também vivia em França e lhes teria ensinado o método de assaltar caixas multibanco com recurso a uma “arma” informática. 

Um dos romenos disse ao tribunal que tinha um primo a viver em Alcabideche, com o qual teriam estado dias antes do assalto, mas na maior parte do tempo em que estiveram em território nacional pernoitavam no interior do carro. 

Tribunal diz que havia outro cúmplice

Na leitura resumida do acórdão, a juíza presidente do tribunal coletivo considerou que este caso está ligado ao fenómeno da criminalidade organizada a nível internacional.

Começou por dizer que os arguidos planearam o crime com terceira pessoa, cuja identidade não foi apurada, com o objectivo de se apoderarem do dinheiro de caixas multibanco no território nacional, através da instalação de software malicioso no sistema informático daquele equipamento.

Para isso, dispunham, nomeadamente, do programa TeamViewer, que permite a transferência de ficheiros entre computadores, a fim de instalar software malicioso para aceder remotamente ao disco rígido da ATM, manipulando o sistema informático para “cuspir” todas as notas no cofre. 

SISTEMA informático permitia "cuspir" todas as notas do ATM

Aquele software estava armazenado em duas pen-drives já inseridas nas portas USB do computador portátil, que juntamente com um telemóvel seriam ligados à cablagem da caixa electrónica, para executar aquela operação.

Já tinham desmontado algumas das peças metálicas do corpo da ATM, com recurso a um alicate, para terem acesso aos cabos electrónicos existentes no seu interior, tendo causado danos avaliados em cinco mil euros, segundo o modus operandi dos ladrões descrito no acórdão.

PSP impediu assalto

O assalto informático só não foi consumado porque os arguidos foram intercetados pela PSP, na sequência do alerta dado por um morador no local que, do alto de um prédio, viu dois desconhecidos a desmontarem peças do equipamento multibanco e telefonou para o 112.

O comandante da Esquadra de Investigação Criminal de Oeiras, comissário Alberto Lima, participou na captura dos ladrões e disse ao tribunal que se o assalto tivesse sido consumado teriam roubado mais de 70 mil euros que continha a ATM, de acordo com as informações recolhidas junto do banco.

A agência bancária dispunha de outra caixa automática, interna, carregada com a mesma quantia, e a polícia acredita que também estaria na mira dos ladrões se tudo tivesse corrido como tinham previsto.

O comissário da PSP estava em patrulha móvel com dois agentes, em 29 de fevereiro último, quando recebeu uma comunicação de serviço urgente via rádio, pelas 3 horas da madrugada: dois indivíduos estavam a assaltar uma caixa ATM instalada numa agência do banco espanhol BBVA, nas imediações dos estúdios da TVI, na zona industrial de Queluz de Baixo. 

ROMENOS foram capturados pelos investigadores criminais da PSP de Oeiras

Quando chegaram ao local, numa viatura descaraterizada, os polícias foram vistos a sair do carro pelos suspeitos, e estes começaram a fugir. Um deles foi logo intercetado, tendo o outro sido agarrado após perseguição apeada, durante a qual se desfez de um alicate, usado para desmontar a ATM.

Este último suspeito tinha numa mão a chave de um veículo através da qual os polícias chegaram a um automóvel de aluguer, de matrícula francesa, em que os ladrões de fizeram transportar desde França, percorrendo mais de 2 mil quilómetros.

No interior da viatura foram apreendidos o computador portátil utilizado para cometer o crime, além de quatro telemóveis, suspeitando as autoridades que esta quantidade de aparelhos correspondesse ao número de crimes que teriam planeado.

“Pintaram” câmaras para não serem filmados

Já tinha desmontado algumas peças da parte superior do ATM, enquanto objetivas das câmaras de videovigilância tinham sido aspergidas com tinta preta para impedir a gravação de imagens.

Um dos suspeitos ainda tinha as mãos impregnadas com tinta de uma lata de spray utilizada para aquele efeito, com a qual também “pintaram” outros locais onde pensavam que poderiam estar mais câmaras de filmagem.

Uma câmara rotativa instalada num ponto alto, no exterior do edifício daquela dependência bancária, também foi vandalizada com recurso à tinta em spray. 

SOFTWARE maligno permitiria penetrar na rede e remover todo o dinheiro

A cablagem do equipamento já estava pronta para fazer a ligação a um computador portátil, que dispunha de software maligno através do qual iriam penetrar na rede informática da ATM, a fim de procederem à remoção de todo o dinheiro, como quem faz um levantamento.

O código original deste malware terá sido desenvolvido na Europa do Leste pelo crime organizado, direcionado exclusivamente para bancos.

Esta informação consta de um relatório da Europol, que acredita que estará ativo no espaço comunitário um grupo do Leste com células em várias cidades europeias, de que fariam parte os romenos detidos em Portugal. Todavia, ainda não tinham antecedentes criminais registados no nosso País.



 

 


1 comentário:

antonio_pascoal disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

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