JUSTIÇA
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| TRIBUNAL de Cascais condenou dois cidadãos romenos |
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| 07 janeiro 2021 |
Os arguidos,
residentes em França, deram consentimento para que o julgamento se iniciasse na
sua ausência, por estarem em confinamento no EP de Caxias. Mas compareceram à
leitura de acórdão e à última audiência, e prestaram declarações com a ajuda de
uma intérprete de língua romena, confessando os factos já depois de a prova ter
sido produzida.
Revelaram
que tinham planeado dividir o dinheiro roubado com um “amigo” comum, que também
vivia em França e lhes teria ensinado o método de assaltar caixas multibanco
com recurso a uma “arma” informática.
Um dos
romenos disse ao tribunal que tinha um primo a viver em Alcabideche, com o qual
teriam estado dias antes do assalto, mas na maior parte do tempo em que
estiveram em território nacional pernoitavam no interior do carro.
Tribunal diz que havia outro cúmplice
Na leitura resumida
do acórdão, a juíza presidente do tribunal coletivo considerou que este caso
está ligado ao fenómeno da criminalidade organizada a nível internacional.
Começou por
dizer que os arguidos planearam o crime com terceira pessoa, cuja identidade não
foi apurada, com o objectivo de se apoderarem do dinheiro de caixas multibanco
no território nacional, através da instalação de software malicioso no sistema
informático daquele equipamento.
Para isso, dispunham, nomeadamente, do programa TeamViewer, que permite a transferência de ficheiros entre computadores, a fim de instalar software malicioso para aceder remotamente ao disco rígido da ATM, manipulando o sistema informático para “cuspir” todas as notas no cofre.
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| SISTEMA informático permitia "cuspir" todas as notas do ATM |
Aquele
software estava armazenado em duas pen-drives já inseridas nas portas USB do
computador portátil, que juntamente com um telemóvel seriam ligados à cablagem da
caixa electrónica, para executar aquela operação.
Já tinham
desmontado algumas das peças metálicas do corpo da ATM, com recurso a um
alicate, para terem acesso aos cabos electrónicos existentes no seu interior,
tendo causado danos avaliados em cinco mil euros, segundo o modus operandi dos
ladrões descrito no acórdão.
PSP impediu assalto
O assalto informático
só não foi consumado porque os arguidos foram intercetados pela PSP, na
sequência do alerta dado por um morador no local que, do alto de um prédio, viu
dois desconhecidos a desmontarem peças do equipamento multibanco e telefonou
para o 112.
O comandante
da Esquadra de Investigação Criminal de Oeiras, comissário Alberto Lima, participou
na captura dos ladrões e disse ao tribunal que se o assalto tivesse sido
consumado teriam roubado mais de 70 mil euros que continha a ATM, de acordo com
as informações recolhidas junto do banco.
A agência
bancária dispunha de outra caixa automática, interna, carregada com a mesma
quantia, e a polícia acredita que também estaria na mira dos ladrões se tudo
tivesse corrido como tinham previsto.
O comissário da PSP estava em patrulha móvel com dois agentes, em 29 de fevereiro último, quando recebeu uma comunicação de serviço urgente via rádio, pelas 3 horas da madrugada: dois indivíduos estavam a assaltar uma caixa ATM instalada numa agência do banco espanhol BBVA, nas imediações dos estúdios da TVI, na zona industrial de Queluz de Baixo.
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| ROMENOS foram capturados pelos investigadores criminais da PSP de Oeiras |
Quando
chegaram ao local, numa viatura descaraterizada, os polícias foram vistos a
sair do carro pelos suspeitos, e estes começaram a fugir. Um deles foi logo
intercetado, tendo o outro sido agarrado após perseguição apeada, durante a
qual se desfez de um alicate, usado para desmontar a ATM.
Este último suspeito
tinha numa mão a chave de um veículo através da qual os polícias chegaram a um
automóvel de aluguer, de matrícula francesa, em que os ladrões de fizeram transportar
desde França, percorrendo mais de 2 mil quilómetros.
No interior
da viatura foram apreendidos o computador portátil utilizado para cometer o
crime, além de quatro telemóveis, suspeitando as autoridades que esta
quantidade de aparelhos correspondesse ao número de crimes que teriam planeado.
“Pintaram” câmaras para não serem filmados
Já tinha
desmontado algumas peças da parte superior do ATM, enquanto objetivas das
câmaras de videovigilância tinham sido aspergidas com tinta preta para impedir
a gravação de imagens.
Um dos
suspeitos ainda tinha as mãos impregnadas com tinta de uma lata de spray
utilizada para aquele efeito, com a qual também “pintaram” outros locais onde
pensavam que poderiam estar mais câmaras de filmagem.
Uma câmara rotativa instalada num ponto alto, no exterior do edifício daquela dependência bancária, também foi vandalizada com recurso à tinta em spray.
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| SOFTWARE maligno permitiria penetrar na rede e remover todo o dinheiro |
A cablagem
do equipamento já estava pronta para fazer a ligação a um computador portátil, que
dispunha de software maligno através do qual iriam penetrar na rede informática
da ATM, a fim de procederem à remoção de todo o dinheiro, como quem faz um levantamento.
O código original
deste malware terá sido desenvolvido na Europa do Leste pelo crime organizado,
direcionado exclusivamente para bancos.
Esta
informação consta de um relatório da Europol, que acredita que estará ativo no
espaço comunitário um grupo do Leste com células em várias cidades europeias,
de que fariam parte os romenos detidos em Portugal. Todavia, ainda não tinham
antecedentes criminais registados no nosso País.






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