ADMINISTRADOR da SAD do Porto condenado a 2.100€ de multa por agressão a dirigente desportivo na tribuna presidencial do Estoril Praia

JUSTIÇA

 

TRIBUNAL condenou Adelino Caldeira ( em cima) por agressão a Nuno Lobo (em baixo)


24 junho 2021 | 15h49
Adelino Caldeira, vice-presidente da SAD do FCPorto, foi agora condenado pelo Tribunal Judicial de Cascais a pagar 2.100 euros de multa por agressão ao presidente da Associação de Futebol de Lisboa, Nuno Lobo, registada em setembro de 2013, na tribuna presidencial do estádio António Coimbra da Mota, na Amoreira, durante o jogo entre o Estoril Praia e o FC Porto, que terminou empatado a dois golos.


A sentença é passível de recurso e no final da sua leitura ambos os intervenientes recusaram prestar declarações a Cascais24.

O tribunal deu como provado que o “braço direito” de Nuno Pinto da Costa praticou o crime de “ofensas à integridade física simples”, e a punição que lhe foi aplicada corresponde a 140 dias de multa, à taxa diária de 15€. Este valor base é mais elevado do que o costume nos tribunais portugueses, seguramente atendendo aos rendimentos e às condições de vida do dirigente portista.

Na leitura da sentença, a juiz esclareceu que Adelino Caldeira não possuía antecedentes criminais, e sendo a multa não superior a 240 dias poderia ser substituída por simples admoestação, uma solene censura oral.

No entanto, esta última medida sancionatória não lhe foi aplicada porque “nunca admitiu o crime praticado, nem sequer mostrou arrependimento, e actuou com dolo directo”.

Antes pelo contrário, “apresentou uma queixa contra o ofendido, deduzindo acusação particular, por alegados factos que nunca ocorreram”. 

JUÍZA concluiu que Adelino Caldeira “apresentou uma queixa contra o ofendido, deduzindo acusação particular, por alegados factos que nunca ocorreram”
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Isto foi considerado agravante da conduta, tendo a juiz sublinhado que Adelino Caldeira “exerce funções de relevo num grande clube português”, e tem “formação académica superior”, sendo licenciado em Direito.

O vice do FCPorto tinha apresentado queixa por alegada “difamação, qualificada através da comunicação social”, acusando o presidente da AF Lisboa de ter prestado “declarações falsas” aos jornalistas, quando denunciou a agressão, no Estoril.

Crime de “denúncia caluniosa” prescreveu

Todavia, o tribunal absolveu Nuno Lobo, considerando que o que este disse correspondia à verdade dos factos, e por isso o dirigente portista incorreu na prática de um crime de “denúncia caluniosa”.

Porém, a juiz justificou que só não mandou extrair certidão dos autos tendo em vista procedimento criminal porque este prescreveu.

“Da dinâmica apurada dos factos, resultou que o arguido ( Adelino Caldeira) ficou desagradado com um golo do Estoril Praia. Como resposta desferiu uma pancada nas costas de Nuno Lobo, sentado na fila da frente, levando a que este perdesse o equilíbrio e fosse projectado para a frente”, concluiu. 

ADMINISTRADOR da SAD do Porto terá inventado agressão por parte do ofendido Nuno Lobo, mas o crime de denuncia caluniosa prescreveu
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A sentença teve em conta o relatório do policiamento elaborado pela GNR de Alcabideche, que menciona que “os ânimos estavam exaltados” quando foi chamada à tribuna presidencial por alegadas agressões e injúrias, tendo identificado todas as pessoas presentes.

“Ao chegarem ao local, os militares foram abordados por Nuno Lobo que disse que logo após a marcação de um golo do Estoril Praia sentiu uma pancada, ou um murro, a qual provocou o seu desequilíbrio”.

Uma testemunha contou ao tribunal que viu o dirigente portista “esticar a mão e bater no outro senhor que estava de costas”.

Violência depois de golo do empate

A violência na tribuna presidencial registou-se após o árbitro Rui Silva ter assinalado grande penalidade, num jogo a contar para a quinta jornada da 1ª Liga Portuguesa de Futebol Profissional, em 25 de setembro de 2013.

Segundo os relatos da imprensa desportiva, o presidente da AFL, que assistia ao jogo no lugar central da primeira fila, virou-se para trás, na direção dos dirigentes do Estoril Praia, e cerrou a mão direita, festejando a marcação daquela falta por mão na bola, fora da área. 

ADELINO Caldeira, atrás de Pinto da Costa, foi condenado por agredir Nuno Lobo, sentado ao lado do presidente do FC do Porto na tribuna presidencial do Estoril
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Este gesto não passou despercebido a Adelino Caldeira, que não terá gostado de ver festejado o golo do empate e “deu uma palmada forte nas costas de Nuno Lobo, que o projectou para a frente, até se amparar no muro da tribuna”, segundo este último contou ao tribunal.

O presidente da AF Lisboa assistia ao jogo entre o, então, seleccionador nacional, Paulo Bento, e o presidente do FCPorto, Jorge Nuno Pinto da Costa, tendo atrás de si outros dirigentes portistas, entre os quais Adelino Caldeira.

Nuno Lobo acabou por ter de sair do recinto desportivo escoltado por seguranças e elementos policiais face ao clima de intimidação e injúrias contra si, que se prolongaram durante o resto do jogo.

Barulho abafa voz da juiz

No final da partida, o oficial da GNR que chefiava as forças de segurança na Amoreira foi ter com o delegado da Liga, Reinaldo Teixeira, para lhe relatar o sucedido, mas este nada escreveu no relatório oficial do jogo.

Na leitura da sentença, a juiz deixou em aberto várias interrogações sobre esta atitude do delegado da Liga, fazendo uma análise crítica dos depoimentos prestados pelas testemunhas.

Paulo Bento disse ao tribunal que “não se apercebeu de nada”, alegando que “estava concentrado no jogo e tudo o que ocorreu na tribuna presidencial lhe passou ao lado”.

Outra testemunha disse que viu dirigentes do FC Porto insultar o presidente da AF Lisboa, já depois da agressão.

“Se os próprios dirigentes desportivos não se conseguem comportar, e dar o exemplo, o que se dirá, então, dos adeptos!?”, questionou a juiz, tendo presente as cenas de pancadaria que costumam ser protagonizadas por estes últimos durante os jogos de futebol. 

MAGISTRADA questionou: “Se os próprios dirigentes desportivos não se conseguem comportar, e dar o exemplo, o que se dirá, então, dos adeptos!?”
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Na leitura da sentença, a voz da juíza foi abafada pelo barulho provocado por diversas pessoas, incluindo advogados, que conversavam ruidosamente no átrio principal do tribunal, sem manterem o distanciamento de segurança recomendado para prevenir a contaminação pelo vírus do Covid19.

Seguramente que esse ruído ter-se-á feito também sentir no sistema da gravação áudio do julgamento, pois a voz da juiz praticamente estava ao mesmo nível das vozes no exterior da sala de audiências, fazendo lembrar uma multidão numa qualquer feira ao ar livre!



 

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