JUSTIÇA
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| 22 dezembro 2020 |
A decisão
condenatória abrange a expulsão de Portugal durante 10 anos, após sair da
cadeia, além do pagamento de uma compensação de 100 mil euros por danos não
patrimoniais, ao ofendido Constantin, 21 anos, agredido quando procurava
defender a vítima.
Este último era
tido como filho biológico do casal, mas isso não foi provado pelos juízes, nem
que era adoptado.
O Ministério
Público tinha pedido a pena acessória de “indignidade sucessória”, de acordo
com o Código Civil, para o arguido ser afastado da herança, mas o tribunal
indeferiu essa pretensão por se ter provado que o casal apenas viveu em união
de facto.
Na leitura
do acórdão, com 82 páginas, a juíza-presidente disse que o moldavo “actuou com
frieza e sangue-frio, e quis matar a sua companheira de há mais de 20 anos, a
qual sempre agiu como mãe de Constantin, e o tratava como filho”. 
JUÍZA diz que arguido "actuou com frieza e sangue frio e quis matar a companheira"
E sublinhou
que “a força com que o arguido desferiu os golpes era tal que chegou a elevar o
corpo da vítima no ar, segurando-a com a lâmina da faca”, e traçou uma
cronologia e dinâmica dos acontecimentos provados até ao dia do homicídio de
Angela Septelici.
Desde 3 de
Junho 1999, o arguido e a vítima “mantiveram comunhão de mesa, leito e
habitação, vivendo como marido e mulher”, na Moldávia, país de onde ambos eram
originários.
Nessa relação
amorosa, Constantin S.“foi sempre tratado como filho do casal”. No ano de 2016,
Septelici e Angela vieram residir para Portugal, vindo Constantin a juntar-se-lhes,
em Março de 2019.
Cronologia dos acontecimentos
Em 18 de
Outubro de 2019, a vítima decidiu separar-se do companheiro, fazendo cessar a
relação entre ambos. A partir de então, foi viver com Constantin, nas
proximidades da casa onde viveu com o arguido.
Este, “nunca
aceitou o fim da relação amorosa e decidiu matar a antiga companheira”,
concluiu o tribunal. Com essa intenção, em 28 de Dezembro de 2019, dirigiu-se à
casa da vítima, na Praceta de Moçambique, e aguardou pela sua chegada.
E, “transportava
consigo uma faca de cozinha, objecto com o qual pretendia atentar contra a vida
de Angela”.
Pelas 19h30
a ex-companheira chegou ao local, com Constantin, mas ao aperceber-se da sua
presença junto à entrada do prédio, ambos ficaram receosos e foram-se embora na
expectativa que o arguido se fosse embora, para regressarem com tranquilidade. 
SERGIU Septelici, 44 anos
Ao sair do
local, de carro, a vítima ainda foi seguida pelo arguido que decidiu permanecer
à espera deles, ocultando a sua presença de modo a poder agir a coberto da
surpresa.
Entretanto,
o arguido acedeu ao interior do átrio do prédio, onde ocultou a sua presença,
aguardando pelo retorno das vítimas.
Entre as
22h30 e as 23h30, o arguido apercebeu-se que os dois estavam de regresso e, sem
notar a presença daquele, dirigiram-se para o local onde dissimulara a sua
presença.
Quando as
vítimas entravam no átrio, o arguido revelou a sua presença e, de imediato,
começou a discutir com a vítima, tendo Constantin procurado pôr cobro à
discussão.
A páginas
tantas, o arguido empunhou a faca, que transportava num dos bolsos do casaco, e
espetou a lâmina na zona do peito da vítima, golpeando-a enquanto gritava
repetidamente: “tens que morrer”.
“Elevou a vítima no ar, segurando a faca”
“A força com
que o arguido desferiu os golpes, de forma rápida e brutal, era tal que, a
certa altura, chegou a elevar a vítima no ar, segurando a lâmina da faca”, prosseguiu
a juíza-presidente, expondo as conclusões do tribunal colectivo.
Constantin
procurou defender a vítima e, então, o arguido virou a atenção para aquele e
tentou golpeá-lo com a lâmina, visando a zona do abdómen do ofendido, mas este
conseguiu desviar-se e fugir, dirigindo-se aos pisos superiores, onde pediu
socorro aos vizinhos.
“Deixado a
sós com a vítima, voltou a golpeá-la com a lâmina da faca, visando diversas
partes do corpo, sobretudo a zona torácica, pescoço e abdominal, continuando a
fazê-lo mesmo quando estava caída no chão”. 
ANGELA foi golpeada 29 vezes
No total,
Septelici golpeou Angela 29 vezes, mesmo quando já estava agonizante, causando-lhe
várias feridas, 19 das quais de natureza corto-perfurante.
O relatório
da autópsia aponta mais 10 feridas idênticas no membro superior direito,
podendo as mesmas ser interpretadas como sinais de defesa activa e passiva, e
agressões por arma branca.
O tribunal
concluiu que, como consequência directa e necessária dos golpes desferidos pelo
arguido, a vítima sofreu múltiplas lesões corto-perfurantes no corpo, as quais
foram causa da morte, resultante das lesões traumáticas no pescoço e tórax.
O acórdão
adianta que Constantin regressou ao local dos crimes e, então, o arguido acabou
por fugir, tendo feito desaparecer a faca ao mesmo tempo que dissimulava a sua
presença no local.
Na mesma
data, pelas 4h29, quase cinco horas após a prática dos factos, o arguido foi
intercetado pela PSP num arruamento nas proximidades, ostentando ainda no
vestuário e na sua pessoa marcas de sangue da vítima.




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