Contra a desinformação

Opinião




Na sequência da polémica sobre as alterações do PDM na zona de Birre e Areia, a que me referi no artigo anterior, o Presidente da Câmara tem, tanto em declarações a jornais como em debates televisivos, tentado “atirar as culpas” em relação à urbanização do local para o PDM anterior. 


Estou particularmente à vontade para discutir a questão, visto que fui um dos que mais lutaram contra o PDM anterior, o excesso de betão que o mesmo provocou e o autarca que o promoveu, JL Judas.


A questão é que a zona em causa, talvez por se situar junto ao Parque Natural, foi dos poucos que escaparam à urbanização no PDM anterior, o que aliás é bem ilustrado pelo episódio da chamada Cidade do Cinema, que passo a lembrar.


Já em final de mandato e na voragem da betonização que a caracterizou, a administração Judas tentou urbanizar a zona em causa (que no seu próprio PDM estava protegida como Espaço de Protecção e Enquadramento e Espaço Rural), recorrendo, para tentar justificar a desclassificação, ao pretexto da chamada Cidade do Cinema, de contornos nebulosos, que supostamente se pretendia instalar naquele local.


Acontece que  na altura a sociedade civil já estava muito mobilizada, lutou contra a alteração e a Assembleia Municipal (na qual, ao contrário do que acontece com a actual maioria PPD/CDS, Judas já não tinha maioria absoluta) não aprovou a alteração, pelo que o local manteve o nível de protecção que tinha no PDM.


Como é óbvio, se o local já estivesse urbanizado no PDM, o executivo Judas não teria necessidade de recorrer ao expediente da Cidade do Cinema para o tentar urbanizar.


Fica assim esclarecido que a urbanização do espaço em causa, não  resulta do PDM anterior, mas da actual revisão.


Ou seja, Carlos carreiras, que integrou a coligação PPD/CDS que em 2001 ganhou as eleições (e manteve o poder até hoje) com base no ataque ao excesso de urbanização de Judas, em que interveio activamente, vem agora contrariar tudo o que defendeu, utilizando exactamente os mesmos métodos, ao urbanizar os poucos espaços verdes deixados pelo PDM anterior, conseguindo assim a difícil proeza de ser ainda pior do que Judas.


É que há um aspecto curioso nos dois processos, a utilização de um “Cavalo de Tróia”, um processo de suposto interesse concelhio como pretexto para a alteração, no tempo de Judas a Cidade do Cinema, na gestão de Carreiras a Academia Aga Khan, que  já não será construída apesar de o PDM ter sido alterado com esse pretexto, como referi no artigo anterior.


E essa necessidade de um pretexto com impacto mediático, mesmo que na realidade seja inexistente, é a maior prova da qualidade ambiental do local, no qual é de tal forma chocante a ideia de construção maciça, que as tentativas de o urbanizar vêm sempre “embrulhadas” num qualquer projecto de suposto interesse estratégico, para adormecer as consciências, a opinião pública e justificar o injustificável.

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2 comentários:

Anónimo disse...

Caros Municipes ,

Aguas passadas não movem moinhos, e o Sr. Judas ao pé deste actual elenco municipal era um "passarinho" ; o Sr. Judas estava manietado não tinha maioria na Assembleia Municipal como acontece hoje ...o discurso actual destes individuos não é coerente e muito menos consensual ... dizer em 2013 que iriam restringir, reduzir a construção face ao PDM é uma mentira de perna curta ... basta ver a construção desenfreada nos ultimos anos para "sacar " dinheiro a nivel de licenciamentos ... hoje percebe-se porquê... percebe-se que o somatário dos impostos cobrados do ( IMT ) em Oeiras / Sintra são igual ao cobrado em Cascais ... percebe-se que existem 525 taxas municipais ... percebe-se a atitude pidesca e de intolerância da PM contra os municipes nos parquimetros ... tudo em prol de uma estratégia para eleger uns com o dinheiro dos outros ....as empresas municipais que ninguém conhece os seus activos / despesas / colaboradores , autenticas sanguessugas do orçamento municipal ...quais os quadros profissionais destas empresas e respectiva filiação ...estamos em companha eleitoral e nem assim existiu respeito pelas outras forças em disputa , tendo que vir a terreiro a CNE emitir comunicados sobre abuso de utilização de bens públicos , que os apoderados ridiculamente apelidam de queixinhas ... quem não sabe viver em democracia, não tem condições objectivas para liderar o que seja ; não precismos disto em CASCAIS .

Nota : já agora antes do acto eleitoral , convinha esclarecer os eleitores , sobre as viagens a Seatle com estadia paga pela Microsoft, e quais os contratos que a CMCascais tem em vigor com esta empresa, respectivos custos e duração dos mesmos ...e já agora esclarecer os eleitores sobre o negócio com a fundação AGA Khan e afins ( 195 .000 m2) .....
A confiança dos municipes para com a liderança de uma edilidade, é naturalmente traduzida pela transparência da mesma para com o eleitores .


A BEM DE CASCAIS

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Está assumido: a partir de 2 de Outubro inicia-se também a tarefa de promover auditorias externas independentes à Câmara Municipal, empresas municipais e demais entidades onde o município detém posição accionista. Compreende-se perfeitamente o terror que se instalou entre as hostes dos dirigentes e seus mandantes.