Não lixem Cascais

Opinião

                                                                                        14 MAIO 2018


Na última Assembleia Municipal alertámos, em declarações políticas, para os problemas associados ao consumo excessivo de plásticos, tal como aos impactos que vivemos através da disseminação alargada de microplásticos nas nossas praias, na nossa costa e nos nossos oceanos. Nesse sentido questionámos que medidas estava o executivo a tomar para garantir que Cascais fosse realmente eco friendly sobretudo na substituição de embalagens e resíduos plásticos e que propostas tinha para solucionar, ou tentar na medida do exequível, a poluição por partículas microplásticas no ambiente. 

Fomos clarificados que estava em curso uma estratégia para retirar embalagens plásticas e o uso generalizado destas pelo executivo em eventos e ações onde participam ou têm parcerias. Esperamos ver a estratégia que suporta esta partilha de intenções. Quanto ao combate aos microplásticos, que reconhecemos é uma tarefa hercúlea e não apenas local, nada foi adiantado. De qualquer maneira não pudemos deixar de dar os parabéns à Junta de Freguesia de Cascais e Estoril pela sua iniciativa de remover todos os resíduos plásticos das suas iniciativas municipais e assim dar um excelente ponta pé de saída para que outras freguesias se juntem à demanda.


Porém, esta temática tem impactos nacionais, especialmente quando falamos em resíduos e, especialmente, quando analisamos os dados actuais. 

Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em 2016 foram produzidas em Portugal, 4.891 mil toneladas de resíduos urbanos, dos quais 29% terão sido depositados em aterro e 23% incinerados. A taxa de reciclagem de resíduos de embalagens de plástico foi de apenas 42% em 2016, segundo a APA. Já de acordo com a Sociedade Ponto Verde, em 2016 os embaladores/importadores associados declararam que colocaram no mercado 195.902 toneladas de embalagens de plástico. Da recolha seletiva apenas 58.440 toneladas (30%) foram retomadas, sendo que as embalagens PET representaram apenas 22% do retomado (6,6% do total de embalagens de plástico colocadas no mercado).

E, tendo em vista estes dados, mas também por compreendermos a disfunção do atual sistema de valorização de embalagens, e dos inerentes impactos ambientais da incineração e do aterro destes resíduos, propusemos esta semana a implementação de um tara recuperável para embalagens de plástico, de vidro e de metal (latas). Esta proposta, que terá certamente o apoio de todos os partidos nacionais, basear-se-á em garantir que Portugal atinja os altos valores de reciclagem dos países onde esta medida já é implementada, e que rondam os 94% para estes na retoma de embalagens PET de águas e refrigerantes (ao contrário do sistema português que apenas permite a retoma de 6,6% de garrafas de plástico). Esta meta ajudar-nos-á também a atingir as metas Europeias de reciclagem de 44% para 65% até 2035 na União Europeia.


A esta medida acrescenta à que o PAN apresentou em Janeiro deste ano, também no parlamento nacional, que pretendia eliminar utensílios de plástico para consumo de refeições dentro de estabelecimentos comerciais, como pratos, talheres, copos e palhinhas. Medida esta que foi aprovada na generalidade e agora se encontra em fase de discussão em sede de comissão.

Por fim, e voltando à nossa esfera local, e porque é meritório o trabalho voluntário que muitas associações e pessoas fazem, diariamente, não posso deixar de agradecer a alguns movimentos, que trabalham nesta tão importante mudança cívica, ética e social. Refiro-me, entre outros, ao Sea Guardians, ao Movimento Plasticus Maritimus e à iniciativa Claro Cascais. 

Eu e outros quantos lá vamos apanhando o lixo que encontramos nas caminhadas e nas praias até porque quem se lixa não é só o mexilhão, somos todos nós por isso deixo o apelo para que não atirem beatas ou lixo para o chão, reduzam conscientemente o consumo de plástico e não “lixem Cascais”.
Imprimir

Sem comentários: