Muito mal vai a Democracia em Cascais!

Opinião



Quando a Isabel Magalhães teve a amabilidade de me revelar que iria integrar, com mais alguns independentes do Movimento "SerCascais", as listas lideradas por Gabriela Canavilhas, na candidatura do PS às passadas eleições autárquicas, fiquei com a impressão de que algo de bom estaria para acontecer, nomeadamente o surgimento de uma oposição organizada e competente que pudesse pôr termo ao reinado de opressão e de extrema controvérsia liderado pelo pseudo social democrata Carlos Carreias.

Foi-me dito, também, que tinha sido acordado um compromisso de honra que asseguraria a "independência" absoluta em relação à expressão das posições políticas que viessem a ser assumidas pelos referidos representantes do "SerCascais" sendo que, quaisquer que elas fossem teriam sempre, por intenção primeira, a defesa dos interesses de Cascais e dos Cascalenses.

Ora, a "coisa" não funcionou ...

Primeiro, porque desde o início da própria campanha eleitoral, foi flagrante o alheamento e a falta de envolvimento eficaz por parte da estrutura socialista local no apoio aos seus representantes, deixando-os entregues a si próprios, na surpresa e no improviso de deslocações de campanha que nunca tinham sido devidamente planeadas. Uma atitude que mais fazia querer que haveria ali uma espécie de entendimento tácito entre o PS e o PSD, para que "não se fizessem ondas", para que tudo ficasse na mesma. 

A não ser nas manifestações em que estiveram presentes António Costa ou outros altos dignitários do PS, que trouxeram de fora os seus apoiantes institucionais, as presenças de simpatizantes da candidatura de Gabriela Canavilhas no circuito concelhio mais se assemelharam a tímidas romagens a santuários desertos e excomungados.

Segundo, porque esse alheamento e a surpreendente ausência de militância por parte dos socialistas de Cascais determinaram um atavismo e uma falta de entusiasmo eleitoral que até metia dó ! ... Enquanto os candidatos do PSD alardeavam, eufóricos uma campanha cheia de visibilidade, distribuindo festas, foguetes, petiscos e música pimba em tudo o que era sítio ... por parte do PS ... a ausência, o atavismo e o silêncio sepulcral foram o prenúncio de que algo de muito estranho se estaria a passar. Bastou-me acompanhar a candidata socialista nalgumas das suas deslocações, para constatar um ambiente apático, rendido e confrangedor, como se duma condenação antecipada se tratasse. 

Surpreendente foi, também, o facto de, durante todo o período eleitoral nunca terem sido publicados os resultados das sondagens que existiam e que ficaram reféns do conhecimento restrito aos senhores da CMC sem que nunca fossem divulgados ... saberá Deus porquê !!!

Terceiro, porque nestes últimos meses a convivência entre os eleitos da oposição socialista se tem mostrado muito difícil de compatibilizar, havendo comportamentos que dificultaram a sua existência harmónica. Foi uma procura de unanimidade na expressão das posições socialistas que não encontrou eco nos independentes do SerCascais que não abdicaram, aliás como previamente combinado, das suas posições pessoais. Isto causou algum desconforto nas hostes da oposição que levaram Isabel Magalhães, Marita Moreno e Pedro Rocha dos Santos a renunciar ao seu mandato como membros da Assembleia Municipal, facto que foi ontem anunciado no início de mais uma sessão ordinária do referido órgão autárquico.

Contado este episódio, não consigo tirar da cabeça que todo o processo eleitoral que nos leva a poder renovar os representantes autárquicos, todos os 4 anos … está afectado por um vício pernicioso e sistemático que nos ilude e nos engana, a ponto de condicionar por completo a nossa capacidade de escolher quem desejamos para governar a coisa pública.

Estou perfeitamente convencido de que a “PROBABILIDADE” de dar a vitória a um Partido, sobretudo nos concelhos considerados mais relevantes, é negociada previamente entre as forças políticas em contenda. Isto consegue-se facilmente quando se apresenta uma candidatura muito fraca contra outra bem implantada no concelho, a quem se pretende atribuir a vitória.

Foi o caso de Cascais onde o partido socialista negociou o ganho do PSD … como contrapartida para assegurar a sua vitória num outro circulo eleitoral qualquer onde lhe convinha ganhar. Era, por demais, evidente que Gabriela Canavilhas não tinha qualquer resquício de hipótese contra a candidatura musculada de Carlos Carreiras. Por isso, o PS foi buscar a Dra. Isabel Magalhães para dar à candidata socialista a credibilidade e a visibilidade locais que minimamente teria que exibir.

Depois foi a velha cena do “quem manda aqui sou eu” … as comadres zangaram-se … e a “muleta” naturalmente, foi-se embora.

Tal está a moenga … hein !!!


Imprimir

3 comentários:

João Pinto disse...

Parece um texto saído de um iniciado na matéria, quando o seu autor é por demais experiente. Sabemos todos, que a esmagadora maioria dos que gravitam em volta das eleições, ou fazem por protagonismo e procura de tacho. Também sabemos do estado desagregado do PS, já desde as eleições de 2013, onde, só em S. Domingos, já estava dividido em 3 grupos.
Por outro lado, a escolha de Isabel Magalhães, para cabeça de lista para a AM, veio agravar ainda mais a situação, pois passou para 2º plano pessoas que tinham "trabalhado" no partido e tinham expectativas de recompensa.
Para além de tudo isto, sou de opinião de ter sido negativa tal escolha, tendo a convecção de ter afastado mais votantes dos que terá trazido. Quem acompanhou a participação dos elementos eleitos pelo SERCASCAIS, no mandato anterior, sabe que dali não viria algo de bom. A única surpresa para mim, foi o cabeça de lista para a AM no mandato anterior, não ter feito parte das listas do VIVA CASCAIS, em lugar de destaque, tal os "favores" que lhes fez durante aquele tempo.

Jorge Gouveia disse...

Manuel Rua, vc tem muita razão.
O PS de Cascais é o 'seguro de vida' do Carreiras e se as coisas não mudarem vai ser o 'seguro de vida' dos herdeiros.
O maior problema para devolver a democracia a Cascais é o PS.
Os que lá mandam sonham em andar de mãos dadas com o Piteira Lopes na Câmara como já andam noutras lojas e por detrás deles estão vários outros que têm bons negócios no concelho.
Andamos todos a ser enganados com esta falsa oposição.
A Drª Canavilhas e mais alguns servem apenas para disfarçar esta realidade de que muitos têm medo de falar mas que vc denunciou.
Cumprimentos

André Duarte disse...

Perdoem-me a minha ignorância politica, no que versa a PS / PSD ou a outro qualquer partido na praça.

Para gerir o bem publico, e sobretudo cascais, acham V.Exas mesmo necessário recorrer a estas técnicas e estratégias? Isto mais parece as táticas do quadrado que resultaram há alguns 500 anos contra os Espanhois!

Vamos lá ser pragmáticos:

Faço um apelo a todos os agentes políticos (da esquerda à direita), para imprimirem um pouco mais de seriedade e consciência pelas suas decisões!
Tomem decisões baseadas em factos e liderem pelo exemplo que muito de vos sabem ser - não tenho qualquer duvida! (elogio ao Vereador Clemente Alves)

Cascais têm de ser gerida como uma empresa, que valoriza os seus clientes, sendo que os seus clientes são os seus munícipes!
O munícipes de uma forma geral, querem:
- Mobilidade (meios de transporte, passeios arranjados, vias em condições de segurança, sinalização horizontal, etc...);
- Que se resolvam os pontos negros (por exemplo o estrangulamento rodoviário, na estrada das corredoras no Livramento. Experimentem ver a situação das 8:00 às 8:30 da manhã)
- Programa de apoio a sério para as creches, para que evitar depenar ainda mais os recém-papás, para que possam repetir a experiência.
-Promoção do emprego em cascais de qualidade;
(Não desperdicem a geração com melhor educação do país e que vive e quer viver cascais)

O que é que os Munícipes não gostam de ver:
- Maus gastos camarários (Sede de escuteiros? estarei correcto?)
- Festa e festarolas para iludir uns quantos desatentos, (para não lhe chamar outras coisas);
- Mau exemplo de democracia, com exibição de prepotência.