Estão a destruir a nossa identidade urbana!

Opinião




Na última reunião pública da Câmara Municipal de Cascais, que decorreu na passada Segunda-feira, foi aprovada com o voto contra de toda a oposição a proposta de Isenção de 2 lugares de estacionamento no âmbito de Projecto de construção de uma nova edificação com cinco andares, na Avenida Sabóia, nºs. 795/795-A, no Monte Estoril. Com efeito, e tal como se previu, a maioria absoluta que actualmente se instalou na CMC, associada à aprovação do novo PDM com as UOPGs que dividem o Monte Estoril em parcelas independentes, começa cedo a dar frutos e augura um futuro (ainda mais) negro para a nossa terra.


Como foi referido nessa reunião, e como bem sabemos, a casa que agora será demolida não está classificada nem protegida legalmente de nenhuma maneira, inserindo-se devidamente a aprovação desta demolição na regulamentação que está consignada no Plano Director Municipal que o senhor Carlos Carreiras tanto se empenhou em fazer aprovar, tendo conseguido os seus intentos recentemente. 


Lembro, ainda, que o edifício em questão já tinha sido considerado no Levantamento de Património e na proposta de revisão do PDM que o anterior presidente, António Capucho, estava a preparar, como arquitectura de enquadramento e que, devidamente integrado na praxis arquitectónica do Monte Estoril, fomentava a identidade do local e reforçava o apelo ao charme e à qualidade que, desde sempre, caracterizou aquela zona. 


Mas, ao contrário do que a proposta deixa supôr, é um edifício com um forte impacto na linha urbana da Avenida Sabóia e, por extensão, na definição da identidade do Monte Estoril, tendo feito parte da listagem do “Levantamento Exaustivo do Património Cascalense” como proposta de “edifício de enquadramento” e, no processo de revisão encetado e nunca concluído pelo anterior Presidente da CMC, constava igualmente com a mesma definição. 


Esta decisão, que agora será dificilmente reversível, enquadra-se nos alertas que em 2015, no âmbito da consulta pública ao actual PDM, o actual Vereador João Anibal Henriques e a Dra. Isabel Magalhães fizeram e que publicaram no seu livro “Cascais – Estratégia de Futuro”. 


Com o novo plano, que consagra um conjunto de unidades operativas, teoricamente para salvaguardar a excelência patrimonial desta nossa terra, a apreciação das intervenções propostas para cada imóvel fica sujeita unicamente a critérios que se prendem com as características do dito projecto, deixando de lado a importância dos edifícios na definição do perímetro histórico do Monte Estoril.


Em suma, de forma completamente legal, e com o pretexto de “requalificar” fica aberto o caminho para que, casa-a-casa, caso-a-caso, quase todos os imóveis que compõem o património histórico do Monte Estoril possam vir a ser substituídos por edifícios modernos, destruindo de forma definitiva o enquadramento de charme e de excelência que sempre caracterizou esse espaço. 


Pela parte dos independentes que agora foram eleitos, mantem-se o compromisso de não ficarem calados perante esta situação e de, na Câmara e na Assembleia Municipal de Cascais, fazerem ouvir a sua voz em defesa da herança que é devida a um considerável número dos habitantes do Monte Estoril, legada seus avós. 


Esta lamentável decisão da maioria autárquica, escancara definitivamente as portas para que, lote a lote, o Monte Estoril venha a ser demolido e substituído por um subúrbio moderno e envidraçado de Lisboa ou de qualquer outra capital europeia, destruindo aos poucos a nossa identidade regional.

O edifício em questão já praticamente se perdeu, mas o Monte Estoril, têm ainda muito do património urbano que o caracteriza e que devemos tentar salvar a todo o custo.


Veja o vídeo desta reunião e assista, à discussão que se gerou sobre este assunto, bem como aos argumentos que foram trocados acerca do futuro do nosso Monte Estoril.

2 comentários:

Anónimo disse...

As facturas das obras colossais antes das eleições já devem ter surgido na CMCascais para pagar ...

Anónimo disse...

Como Municipe de Cascais , ao visionar o video da reunião de Cãmara , é elucidativo o proposito deste elenco directivo camarario ; sintomatico os tiques ditatoriais de quem gere a reunião, em que a arrogância , o impor sem discutir ideias,o constante apelo ao regimento , em cortar a palavra aos outros , em nada abona a cultura democratica em Cascais .... os Vereadores da Oposição têem em de apreender que na Casa da Democracia nada existe ,o debate é inútil e pouco proficuo ; devem nortear a sua acção na rua junto dos eleitores , e sobretudo denunciar factos na comunicação social e bloggers .. não deve haver consenso em nenhum assunto relevante .... o regime autocratico deve falar sozinho e cair de maduro nos escandalos que seguramente devem surgir ....não vale a pena perder tempo com quem não quer ouvir, alternativas diferentes das suas ....

A BEM de CASCAIS