O plástico em Cascais: preocupação séria ou mera cosmética?

Opinião

                                                                                         26 ABRIL 2018


Há cerca de duas semanas os meios de comunicação social noticiaram que a Junta da União de Freguesias de Cascais e Estoril decidira abolir a utilização de plástico descartável nos seus edifícios públicos, tendo o Presidente da Junta, Pedro Morais Soares, estabelecido um protocolo com uma associação nessa área.

É sabido que sou crítico da atuação da CMC, em relação à qual muitas vezes estou em desacordo, mas, como é evidente, isso não me tolhe o entendimento, nem me faz deixar de reconhecer o que está bem feito: o mérito deve ser reconhecido e o Presidente da Junta de Freguesia, ao adotar esta medida, revelou-o. E revelou-o em pelo menos dois aspetos: 1 – adotou procedimentos necessários à redução do uso do plástico, à melhoria do ambiente e a uma modificação efetiva dos comportamentos, o que é de saudar vivamente; 2 – e adotou uma medida que tenho vindo a defender, ainda antes das eleições e enquanto deputado da Assembleia de Freguesia. Por outras palavras, o Presidente da Junta de Freguesia não só decidiu implementar uma medida que faz todo o sentido, como demonstrou saber ouvir propostas veiculadas pela oposição. 

Acresce que a medida adotada mereceu o apoio de toda a oposição, o que revela um são exercício da democracia e dos órgãos representativos na defesa dos interesses da população. Numa altura em que se comemora o 25 de Abril, a possibilidade de debater livremente quaisquer questões e a preocupação máxima com o bem comum revelada por todos os membros da Assembleia de Freguesia são um bom exemplo de democracia. Efetivamente, só quando os órgãos municipais deixarem de ser uma afirmação cega (e surda) de poder por parte do executivo (como, por regra, sucede), pode o papel dos mesmos ser aquele que deu origem à democracia, fazer sentido e justificar o exercício do direito de voto. 

Pena é que a nível municipal o mesmo exemplo não seja seguido mais vezes e que as medidas agora adotadas pela Junta de Freguesia não sejam de imediato estendidas às restantes freguesias do concelho e aos órgãos concelhios, como ontem também propus na reunião da Assembleia. 

Mas se a utilização do plástico nas instalações da Junta de Freguesia foi um primeiro passo (simbólico mas importante), muito há a fazer. 

Com efeito, importa ir mais além, proibindo o lançamento de balões em todo o concelho e a sua utilização mesmo que decorativa em eventos institucionais da CMC. Os balões não apenas poluem, como acabam nas nossas praias e costa, causando a morte a diversos animais marinhos. 

E para quando um estado da pegada de carbono das Festas do Mar? Para quando umas Festas verdadeiramente sustentáveis, sem plásticos e sem queixas constantes dos vizinhos pela poluição sonora e rasto de resíduos que deixam na baía?

É igualmente essencial efetuar a limpeza de ribeiras e linhas de água; levando a cabo mais do que uma limpeza (cosmética e de nome estrangeirado) anual do fundo do mar; criando as condições para trazer de novo as Bandeiras Azuis para o concelho; instalando caixotes do lixo e papeleiras em madeira ou vime; substituindo os equipamentos cedidos pela C.M.C. aos concessionários das praias e nos jardins públicos por materiais como a lona e a madeira; sinalizando em mais do que uma língua os eco-pontos; lançando campanhas de sensibilização; promovendo a extensão do programa Eco-escolas a mais estabelecimentos de ensino.


É essencial também que, urgentemente, se dignifiquem as artérias do comércio tradicional no concelho e se proceda, de uma vez, à eliminação dos outdoors e dos fios elétricos e de telecomunicações suspensos e que, longe da imagem de glamour que se pretende fazer passar, criam uma impressão terceiro-mundista, de localidade pobre e atrasada. Quanto a isto, a ver vamos qual será a atitude da C.M.C. junto das entidades responsáveis pelos mesmos…  

Só assim se poderá concluir que a implementação de medidas que visem o combate ao desperdício e a redução do uso do plástico demonstram uma efetiva preocupação com a Sustentabilidade e não passam de uma mera intenção cosmética ou propagandística, “à Mobicascais”.



   
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