Das intenções à realidade

Opinião




Sábado, 21 de outubro, iniciaram funções os órgãos municipais de Cascais com as sua novas composições. A sessão de tomada de posse da Câmara teve como única expressão o discurso do reeleito Presidente camarário que nada de novo apresentou. A primeira sessão da Assembleia Municipal, realizada no mesmo dia, serviu para eleger a respetiva Mesa, agora presidida por Pedro Mota Soares, e para que cada grupo municipal apresentasse as suas perspetivas para o mandato que agora se inicia.


Pelo que se pôde ouvir, quer do novo Presidente da Assembleia Municipal quer dos líderes das diversas bancadas municipais, dir-se-ia haver um desejo partilhado de que emirja um novo clima no relacionamento político no concelho.


Na sua qualidade de Presidente da Assembleia, Mota Soares salientou o papel fiscalizador desta sobre a atuação da Câmara e destacou a importância do diálogo e da elevação de pontes entre diferentes posicionamentos políticos. Valorizou a necessidade de serem construídos consensos respeitadores da diversidade de pontos de vista tendo como objetivo o bem comum dos cascaenses.

Também as forças políticas recentemente eleitas afirmaram o seu empenho na procura de entendimentos que deem resposta adequada aos interesses dos que habitam em Cascais e declararam a sua disponibilidade para o diálogo.


Pelo que se ouviu somos levadas a crer que os vários Partidos estão disponíveis para devolver à Assembleia Municipal a dignidade que perdeu quando foi transformada numa mera caixa-de-ressonância das decisões do Presidente da Câmara, ausente desta primeira sessão, e que se propõem fazer desta um espaço de negociação e de deliberação favorável ao sentir dos cidadãos.

Uma Assembleia onde haja respeito por todos os Grupos e intervenientes, onde a diferença seja tida como enriquecimento de perspetivas e onde a procura de consensos valha mais do que o constante esmagamento das opiniões diversas, seria, seguramente, uma importante novidade para uma vivência democrática em Cascais.


Esperemos que assim seja.


Vamos a isso… 

Como sinal construtivo deste novo entendimento uma questão deveria, desde já, merecer a atenção desta Assembleia Municipal: a reposição das Freguesias tradicionais indevida e impositivamente extintas.



Todas sabemos a forma precipitada e sem racionalidade como o concelho foi obrigado à diluição das Freguesias de Parede e de Estoril. Recorde-se que, em 10 de outubro de 2012, a Assembleia Municipal de Cascais se pronunciou, por unanimidade, pela manutenção das seis freguesias históricas do concelho e que em 19 de dezembro do mesmo ano, também por unanimidade, reafirmou essa sua posição  afirmando-se, então, "inequivocamente contra a agregação que quaisquer freguesias do concelho".


É agora que, consequentemente, importa ir ao encontro do desejo dos cidadãos de verem respeitado o património organizacional do concelho. A  afirmada disponibilidade do Governo para, após o processo eleitoral do passado 1 de outubro, rever situações de extinção inadequada de freguesias certamente facilita uma solução justa para a realidade cascaense.


Durante décadas o concelho  manteve uma das mais ajustadas organizações territoriais com seis freguesias com características específicas e uma equilibrada densidade populacional  não tendo nunca enveredado, como outros, pela errada política de proliferar freguesias. 


A compressão em quatro mega-freguesias, imposta em 2013,  não  comportou um único benefício antes originou transtornos, despesas, dificultação de serviços e a delapidação de um valioso património comunitário e turístico. 


Constituiu um absurdo  prejudicial  amalgamar, em incaracterísticas 'Uniões', freguesias como Carcavelos, Parede, Estoril e Cascais, que ao longo dos tempos construíram identidades específicas com ampla projeção nacional e internacional.


Cabe aos Partidos representados na Assembleia Municipal ter iniciativa e ir ao encontro do sentir das populações. A restituição de identidade própria às freguesias de Parede, Carcavelos, Estoril e Cascais é um ato de respeito pelo património do concelho, é justo, corresponde ao desejo dos cascaenses e tem múltiplas vantagens para o concelho.


Saibam, então, os deputados eleitos para a Assembleia Municipal dar expressão concreta à sua afirmada disponibilidade para consensualizar posições e para servirem os cascalenses. 


Respondam agora ao anseio das populações e devolvam-nos as Freguesias.

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*Ensaio sobre a lucidez em Cascais 



3 comentários:

João Pinto disse...

Seria bom, que os eleitos RESPEITASSEM os eleitores, incluindo do Regimento da AM, o direito destes em defenderem a SUA HONRA, quando esta fosse posta em causa, como sucedeu no mandato passado, com as afirmações CALUNIOSAS do Presidente da CMC. Foi Requerido pelo visado a alteração ao Regimento, mas TODOS votaram contra! Foi rejeitado por UNANIMIDADE!

Anónimo disse...

Como será possivel que um presidente de camara, não seja o primeiro a dar o exemplo na Câmara Municipal de Cascais, ao abrigo do codigo de ética e conduta existente na edilidade ...como é possivel ser bastas vezes repreendido pela Comissão Nacional de Eleições , por desobidiencia qualificada e utilização de bens públicos quando todos deveriam ser iguais e não discriminados nos meios de campanha ? como será possivel que num estado direito democrático , seja detido um membro da casa da democracia em Cascais , e vivendo todos debaixo do mesmo tecto não existir uma mensagem ou gesto de solidarieade para com o deputado municipal ? como será tudo isto possivel ?

Anónimo disse...

Ó Teresa-que-se-fez-passar-por-Mariana, diga alguma coisa