Da forma de estar na política

Opinião




É um lugar-comum dizer que a política tem vindo a perder credibilidade, tal como é uma constatação de algo evidente perceber que o avanço da abstenção se deve em grande parte àquela falta de credibilidade.


A democracia vive da participação. Sem ela as instituições ficam nas mãos de quem, com esperteza saloia, lhes deitar a mão. E isso leva a que, progressivamente, tudo se vá perdendo: perdem-se direitos (por não serem exercidos); perdem-se garantias (por não ser fiscalizado o poder); perdem-se oportunidades de melhorar (por o poder ser exercido por clientelas, muitas vezes as menos competentes).


Em Cascais tem abundado essa forma corrompida de exercício do poder autárquico. Por “corrompida” refiro-me, bem entendido, ao facto de não ser a melhor mas aquela que prescinde do diálogo, aquela que se afirma autoritariamente, aquela que é o avesso do que devia ser, aquela que nega a evidência para construir um discurso afastado da realidade. Ou seja, uma forma de exercício do poder que, em vez de atrair os cidadãos para a participação democrática, os leva – pela forma como o poder é exercido – a afastarem-se sempre mais dela, procurando que a interferência da política seja a menor possível nas suas vidas. Por outras palavras, aquilo que devia unir, afasta.


Nos últimos tempos, aliás, têm-se visto inúmeros exemplos desse alheamento da realidade, do desfasamento entre a realidade e o discurso político de quem administra a autarquia, com as consequências daí resultantes em termos de descrédito do poder e de quem o exerce. O problema está em que esse descrédito só prejudica os munícipes e quem os representar: prejudica os munícipes porque eles não se revêem nesse discurso demagógico; e prejudica quem os representar porque o estigma da demagogia lhe fica associado, como se a única realidade possível fosse aquela.


Na verdade, mesmo este texto pode merecer a desvalorização inerente àquela imagem por ser, também ele, um texto de conteúdo ou reflexão política.


Mas uma questão se coloca: quantas pessoas afirmariam o seguinte ufanamente:

“Estava numa cerimónia que era de aniversário da junta e estava um sujeito à porta, percebi claramente que aquilo ia criar problemas. Era uma altura em que, enfim, as pessoas estavam muito revoltadas, muito afetadas pela crise que se tinha que colocar para pôr o país nos eixos. E quando saio, vou direito a ele e trato-o por tu e digo "tu não me conheces?" e ele fica assim muito aflito e diz "mas o senhor presidente conhece-me de onde?", "não estivemos presos os dois juntos?", ele diz: "sim eu estive preso", "tu estiveste onde?", ele disse lá um nome qualquer que eu não sabia e eu disse "ah não, então não foi daí porque eu fui aqui do Linhó" e saí. Estavam uns colegas da câmara e disseram "mas o senhor presidente já esteve preso?", eu disse: "eu não, mas resolvi o problema".” – Carlos Carreiras, entrevista ao Diário de Notícias, 30 de agosto de 2016.


Creio, sinceramente, que a maioria dos cidadãos não se revê nesta postura, neste uso de expedientes falsos como forma comum do exercício do poder político. A antítese da democracia verdadeira e própria.

A bem da democracia, ponhamos fim a isto. 



18 comentários:

Anónimo disse...

Caro Pedro Jordão, que esta liderança da CMC é uma vergonha já sabíamos, a falta de transparência, o nepotismo e o clientelismo são um cancro que corrói o concelho.

Mas o Também é Cascais tem a mesma maneira de estar na política, uma enorme falta de democracia e de transparência, promessas vagas e que não explicam, acusações baixas, baixa política sem direito a defesa pelos visados, que misturadas com queixas legítimas engama incautos, colocam pessoas no grupo Facebook sem lhes pedirem autorização, fazem bullying com as vozes discordante, aliás correm com elas do grupo. Não respondem às demandas legitimas dos munícipes, aliás aqui além de não me ter respondido apagaram os meus comentários no seu artigo anterior Adeus, Monte Estoril. Pior, vejo por lá muitos dos que caíram do orçamento da CMC e que antes, enquanto estiveram à mesa, conviviam bem com tudo isto.

No meu caso fui adicionado ao grupo do Facebook por um candidato a vereador que me pediu amizade, sendo uma pessoa que conheço de Cascais, embora não seja amigo, aceitei, quando me colocou no grupo desconectou-se o que revela o modus operandi que têm.

É pena, em 2013 teria sido enganado por Isabel Magalhães se estivesse cá para votar e este ano teria sem dúvida votado no João se não me tivessem adicionado ao grupo e não tivesse percebido, com muita pena minha, que afinal são iguais.

Pedro Jordao disse...

Eu não partilho evidentemente do seu ponto de vista e gostaria de lhe poder demonstrar que está errado. Em relação à a mim, está seguramente e se ainda seguir o Também És Cascais ou o Também És Cascais e Estoril, verá que estão lá indicadas diversas propostas, provavelmente as mais interessantes e desenvolvidas que encontrará nesta campanha. Tenho esperança de lhe poder mostrar que as mesmas serão por mim postas em prática. Um abraço

Pedro Jordao disse...

Eu não partilho evidentemente do seu ponto de vista e gostaria de lhe poder demonstrar que está errado. Em relação à a mim, está seguramente e se ainda seguir o Também És Cascais ou o Também És Cascais e Estoril, verá que estão lá indicadas diversas propostas, provavelmente as mais interessantes e desenvolvidas que encontrará nesta campanha. Tenho esperança de lhe poder mostrar que as mesmas serão por mim postas em prática. Um abraço

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Muito bom artigo. Por que será que as pessoas com valor e conhecimento se manifestam contra a menoridade que se instalou nos destinos do concelho?

Pedro Jordao disse...

Estando identificado apenas como "Anónimo", tenho pena de não lhe poder responder mais directamente. De qualquer forma, como membro do Também És Cascais, não posso, evidentemente, concordar consigo. O Também És Cascais é um grupo aberto e, se segue as páginas do Também És Cascais ou do Também És Cascais e Estoril, poderá verificar que nelas se encontram, bastante detalhadas, uma série de medidas que proponho/propomos. Da minha parte, não me revejo seguramente na igualdade com os demais que refere e posso garantir-lhe que me empenharei em demonstrá-lo na prática. Quanto aos comentários que teceu ao meu anterior artigo, lamento não o ter sabido e não os ter recebido porque teria todo o gosto em responder-lhe. Se quiser ter o trabalho de mos enviar novamente, certamente que lhe responderei. Um abraço. P.Jordão

Anónimo disse...

Excelente artigo do Sr. Pedro Jordão que retrata com fidelidade o colapso da democracia em Cascais ... este actual elenco municipal teria enorme sucesso na Coreia do Norte ...

A BEM de Cascais

Anónimo disse...

Caro Pedro Jordão, apesar de concordar em absoluto com o que escreveu neste artigo já li o que escreve e partilha no grupo desta candidatura da qual entendo até que é junto com o João a pessoa com mais elevação, ao contrário de outros que não t~em nenhuma. Mas a sua conduta enquanto candidato é para mim menos importante do que saber o que fará se for eleito. O bota abaixismo misturado com denuncias legítimas e promessas vãs pode até dar-lhes votos, sobretudo com uma população que acho que como eu está descontente como é a de Cascais, mas o que me preocupa é o que irão fazer se forem eleitos com tantas promessas.

Eu, tal como a maioria dos Cascaenses preferia ter jardins no Jumbo e na Quinta dos Inglesesa, acabar com muitas obras que andam por aí, ver o património arquitectónico recuperado etc. só que ao contrário da maioria e do que vocês prometem sei que isso não só é possível como seria uma profunda interferência a roçar o colectivismo e a ditadura da estética imposta á propriedade privada, como que discordo totalmente, como sei que a CMC não pode voltar para a litigância novamente com a Alves Ribeiro, por exemplo, num processo que provavelmente redundaria na atribuição à construtora do índice que lhes foi concedido há quase 3 décadas num processo de quase 300 milhões.

O seu candidato a presidente diz que vai retirar o alvará a estes grandes projectos e que os edifícios com mais de 100 anos serão preservados, entre outras coisas, e eu que sei um pouco sobre como as coisas funcionam e que isto não é ainda a Ex URSS só queria saber como? Com que dinheiro? Com que bases legais?


Vocês prometem muitas coisas com que todos concordaríamos mas que alguns de nós sabem não ser possível, se querem expropriar expliquem como o vão financiar? Se vão baixar o IMI expliquem como o vão financiar? Se vão acabar com os parquímetros digam como o vão financiar? Dizem que querem submeter a propriedade privada á democracia e fazer valer a vontade da maioria sobre ela, digam como?

Note que já vi várias denúncias bo vosso grupo e noutros sítios sobre situações suspeitas e de flagrante irregularidade na atribuição de alvarás e de contratos com a CMC. Acreditando que as haja até porque infelizmente a corrupção é transversal à coisa pública neste pobre país, e mesmo discordando profundamente da vossa visão para o concelho que considero ser demasiado conservadora, entendo que se tiverem a certeza, se tiverem provas, se forem eleitos, têm a obrigação de perseguir na justiça aquilo que através do orçamento da câmara e das juntas nunca irão conseguir, parar esses projectos que de outra maneira são detentores de direitos adquiridos legítimos.

Anónimo disse...

O comentário acima mencionado, revela mais uma vez um conformismo passivo, e na falta de argumentos, vem o discurso da esquerda .
Já é conhecida este tipo de abordagem, poderia-se eventualmente dizer que o problema dos direitos adquiridos, seria resolvido com permuta de terrenos , sendo no limite a CMCascais a proponente ; também se poderia eventualmente responsabilizar com os bens proprios os outorgantes destas não conformidades em função do PDM ... existe uma solução para tudo , menos para o actual elenco que deve ser substituido em 01.10.2017

A BEM de CASCAIS.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

O Prezado Anónimo das 23.06 h do dia 18 creio que já trocou umas bolas comigo há alguns dias, precisamente a propósito da Quinta dos Ingleses, muito provavelmente um dos maiores negócios paga-campanhas. Gostaria de ser informado, e provavelmente mais munícipes, como é que se pode falar de direitos adquiridos supostamente há mais de 30 anos, acerca dessa tal Alves Ribeiro, num terreno provavelmente rústico nessa altura e que promete agora tornar aquela zona de Carcavelos, por via da revisão do PDM, na Nova Reboleira em que pretendem transformar o concelho de Cascais. Mesmo ali ao lado, em Oeiras, nos tempos de Isaltino, seria inconcebível um tal desmando sem que houvesse discussão pública do projecto. Construir mais de 900 fogos naquele terreno, ignorando-se quais os equipamentos sociais, mas já se sabendo que terá (mais um) gigantesco centro comercial com uma área equivalente às torres das Amoreiras, é obra. Sim senhor. Mais uns milhares de residentes a entupir as saturadas rodovias, outros tantos a encher os depauperados comboios, mais engarrafamentos e acréscimo de tempo de entrada e saída, para já não falar na sobrecarga na rede pluvial, de saneamento e outras infra-estruturas, a juntar às não sei quantas construções em altura para a tal Universidade, é obra. Muito dinheirinho em caixa, quero esclarecer.

Anónimo disse...

Eu comprendo o seu incómodo caro João, tal como reconheço os métodos. Como lhe disse eu desconheço se os direitos foram legalmente adquiridos e já dei a minha opinião sobre o que entendo que quem for eleito deve fazer se não forem, só queria saber como é que o assunto ia ser dirimido e o facto é que a coligação não responde, nem aqui no Facebook. Talvez seja um assunto novo para si mas eu já tinha sido contra este projecto antes de Judas ter feito ponto de honra em o aprovar, além de muitas outras atrocidades. Provavelmente até é mais um negócio alimentado pela corrupção mas se ela não se conseguir provar os direitos adquiridos existem, independentemente da opinião do João, da minha ou do que o povo decidir em "democracia" sobre o assunto e só um tribunal. Se quiser eu explico-lhe o que é um direito adquirido e onde e como se dirimem, mas o que gostava mesmo era de ter uma resposta da coligação sobre este e outros que poderão vir a ter um enorme impacto no orçamento camarário.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

O meu caro Anónimo desculpar-me-à mas parece que existe qualquer contradição nos direitos adquiridos há mais de 30 anos, como antes disse, com a aprovação eventual de Judas, cuja entrada e saída de cena são muito posteriores. Pode não ser essencial, mas em questões patrimoniais os direitos adquiridos podem sempre ser revertidos por indemnização ou em pleito judicial. No outro capítulo parece estarmos de acordo, sendo que a coligação do quero-posso-mando sabendo das dificuldades que atravessa agora até estão a realizar duas sessões semanais do cenário camarário para aproveitar até ao último segundo a maioria absoluta que tanto mal fez ao concelho. Cumprimentos.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Surripiado de Rui Frade Ribeiro (1)
SEXTA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2014
Vale a pena comentar a Declaração Política da Coligação Viva Cascais sobre o Plano de Pormenor de Carcavelos Sul. Esta declaração merece que a escalpelizemos para retirar o verdadeiro sumo que contém. Embora num tom professoral, de quem explica aos burros a verdadeira essência da coisa política ao alcance apenas de uns poucos illuminati, não deixa de ser um exercício de hipocrisia que importa desmontar, a bem da saúde dos restantes mortais cascalenses. Nada como uma citação para começar em estilo.
Carreiras, ou quem lhe escreveu o comunicado, escolheu “Ortega y Gasset”. Eu prefiro um autor muitas vezes citado por Carlos Carreiras, John Smith, que afirmou, em 1993, que “pior do que um burro com a mania que é esperto, só um burro esperto com a mania que é mais esperto do que os outros!
Carlos Carreiras entorta a realidade para tornar defensável o que não tem defesa e isso, caros amigos, não é bonito. Até se podia admitir se fosse outra pessoa qualquer… mas um autarca eleito, um Presidente de Câmara, quando perde o respeito pela verdade, perde o respeito pelo cargo que ocupa com mandato do povo que nele votou! Não é verdade que este plano seja fruto da transparência como se afirma. Aplicou-se uma cosmética do faz de conta mas em geral tudo fica na mesma. A “parede de edifícios” paralelos à estrada Marginal mantêm-se, o número de fogos fica praticamente inalterado, a falta de soluções viárias, a enchente de fogos e de pessoas nesta área continua a ser brutal! Carlos Carreiras, no seu estilo habitual, tenta transformar tudo isto num problema de convicções políticas, a esquerda e a extrema-direita, quiçá os independentes também, mas não se trata de um problema de política!
Tenta também assumir o papel de “o único responsável” num mar de irresponsáveis mas também não se trata de um problema de responsabilidades!
Depois o descartar das culpas. Quem foram os culpados de se chegar a esta situação e quem são as vítimas, como se isso bastasse e fosse a solução para o problema! Tenta mais uma vez defender o projeto como um bom projeto, repete as teóricas vantagens deste péssimo projeto, tentando escamotear uma boa parte da realidade nele escondida, afirmando mais uma vez que os estudos realizados comprovam que nada de mau, nomeadamente na praia e na sua utilização para o surf, vai acontecer. E os exemplos nacionais (Costa da Caparica, Esmoriz, Ovar…) a comprovarem o contrário… A solução desta urbanização deixou de ser um problema da sua história de mais de 50 anos. Uma intervenção urbanística com este volume, com este impacto e com as consequências que se adivinham NÃO PODE ser vista exclusivamente como um problema legal, de licenciamento ou de direitos adquiridos. Os promotores terão direitos adquiridos ou não e até já se deram ao trabalho de estimar qual o valor desses direitos mas não pode o Senhor Presidente da Câmara ignorar os direitos dos munícipes que já habitam em Carcavelos, já trabalham em Carcavelos e pretendem continuar a fazê-lo sem uma mudança radical na qualidade de vida de que usufruem agora! Também é responsabilidade de Carlos Carreiras zelar pela qualidade urbana dos seus munícipes de Carcavelos, mais até do que a de zelar pelos interesses económicos do promotor!
E não está a fazê-lo! Antes apelida os que no uso do seu direito de cidadania de estar conscientemente contra esta barbaridade de pretenderem enviesar a realidade com politiquice! Confesso que pouco me interessa como foi possível chegar aqui e estarmos perante esta situação. Mas recordo que a última vez que este processo foi submetido a avaliação da Assembleia Municipal o PSD votou contra. Terá sido nessa altura politicamente irresponsável? Por essa altura era Carlos Carreiras um destacado dirigente do MOV CASCAIS que defendeu a reprovação deste projeto e de outros de igual calibre.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Surripiado a Rui Frade Ribeiro:
E SE A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CASCAIS DEIXAR DE FAZER DE CONTA?

A memória não pode ser curta. O que se passou com a aprovação do PPRUCS é demasiado grave e demonstrador do pântano em que vivemos mas que não podemos deixar que este crime seja branqueado, esquecido, relevado!

Plano de Pormenor Sul de Carcavelos A operação subjacente a este Plano sempre foi discutível. Helena Roseta tomou o primeiro ato administrativo que viria a criar a ideia de irreversibilidade mas Dargent sempre teve muitas dúvidas e empurrou com a barriga, Judas tentou mas a onda de crítica da população foi tal que o fez desistir, Capucho também não mostrou muito entusiasmo em resolver este assunto e Carlos Carreiras, com o seu estilo “Aqui quem manda sou eu” resolveu aprovar este Plano antes do final do seu mandato mas com a garantia que os seus efeitos visíveis não seriam escolho para a sua reeleição… Fica-nos a dúvida do que terá tido maior peso na sua obstinada decisão: o medo de eventual indeminizações a pagar aos detentores do terreno ou a necessidade de ser “amigo” da empresa Alves Ribeiro…
E explico o porquê da dúvida. Como é sabido Carreiras para ter a Business School em Carcavelos expropriou por 162.000 € um terreno avaliado em 8 milhões. Aqui já não parece haver medo das indemnizações ou a diferença está em que a Alves Ribeiro não dispõe de mais terrenos no concelho e os donos do terreno onde a escola está a ser construída têm mais uma série de terrenos que por via de alterações do PDM podem passar a valer muito dinheiro?
Mais de 900 fogos, da estação da CP até à Marginal em Carcavelos. Um crime urbanístico, não encontro outro nome. O impacto na rede viária circundante, o potencial efeito nocivo nos ventos e as consequências catastróficas na praia.

Business School de Carcavelos Depois o efeito cumulativo da construção do polo da Universidade. A juntar a esta “festa” vêm mais 3 a cinco mil utentes. Conseguem imaginar o “paraíso automóvel” que a Marginal em Carcavelos vai ser em breve? Há no entanto um outro aspeto que deve ser abordado e que no meu entendimento não é de menor importância – o funcionamento dos órgãos autárquicos e a sua falta de democraticidade.
Vivemos numa democracia participativa. Elegemos pessoas, que se apresentam em listas, de Partidos ou de Independentes, e que são eleitos por método de Hondt. A composição dos órgãos resultam da aplicação destas regras e supostamente representam a composição das várias vontades dos eleitores.
No processo de aprovação do PPERUCS aconteceram coisas que numa sociedade de respeito pelos outros não deveriam acontecer.
A Assembleia da União de Freguesias de Carcavelos e Parede aprovou um voto de rejeição do PPERUCS e encarregou a Presidente da Junta, Zilda Costa e Silva, que dispõe de um lugar na Assembleia Municipal de Cascais por inerência, a votar em conformidade com a decisão da Assembleia de Freguesia.
Qual não é o espanto quando se verifica que Zilda Costa e Silva preza mais a orientação do seu chefe Partidário do que a que os representantes dos eleitores da sua freguesia a encarregaram de fazer! Um outro membro da Assembleia Municipal, eleito também pela maioria VivaCascais e morador em Carcavelos, ao demonstrar vontade de votar contra o PPERUCS, logo foi “convidado” a pedir a suspensão do seu mandato e por essa via ser substituído por outro que estivesse na disposição de votar a favor! Este deputado municipal é funcionário superior de um organismo da administração central. Na altura em que isto se passa, governo do PSD, Carlos Carreiras Vice Presidente do PSD, percebe-se o risco que a carreira profissional corria… Isto é o retrato da atual Assembleia Municipal de Cascais. Uma maioria de gente dependente profissionalmente de empresas municipais ou de organismos do Estado e que mais não pode fazer que cumprir as orientações emanadas por Carlos Carreiras!
Não podemos perpetuar mais este estado de coisas!

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Surripiado de Rui Frade Ribeiro (Conclusão)
Não podemos perpetuar mais este estado de coisas!
É preciso ter a consciência de escolher. E escolher bem!
Sei que o cansaço de lutar contra moinhos de vento vai criando desistências, “os políticos são todos a mesma coisa”…
Para mudar, para ter sucesso a mudar, é preciso não desistir.

Precisamos escolher pessoas para os Órgãos Autárquicos que sejam verdadeiramente livres, que não estejam dependentes de agradar a este ou àquele para garantir o emprego, que sejam capazes de assumir como único compromisso representar as pessoas que o elegeram!

A democracia, por definição de Winston Churchill, “é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais”.

Se queremos continuar a viver em democracia temos que fazer mais, porque este caminho que levamos é tudo menos democracia!

Anónimo disse...

Percebo que a democracia os incomoda daí voltarem a censurar os meus comentários. E ainda falam do Carreiras quando são iguais. Não é para publicarem é mesmo só para saberem que eu sei.

Pedro Jordao disse...

Caro Anónimo das 23.06 de 18 de setembro,
Desculpe não ter respondido antes.
Eu percebo o desconforto de ver anunciadas medidas com as quais se concorda mas que não se vê forma de realizar. O caso da Quinta dos Ingleses é, certamente, o exemplo mais marcante disso pela complexidade e extensão temporal da questão. Contudo, mesmo nesse caso, julgo que ainda não estão reunidos todos os elementos, designadamente os que se referem ao impacto ambiental sobre a Praia e aos efeitos seguramente perniciosos que as construções pretendidas terão sobre uma das melhores e mais bonitas praias do concelho e sobre toda a envolvente. O resultado desses estudos poderão vir a determinar uma modificação dos planos da Alves Ribeiro.
Para além dessa situação, que é muito específica, dir-lhe-ei que muitas das medidas por nós propostas não necessitam de ser compensadas por mais receitas: basta que sejam diminuídas as despesas efetuadas pela CMC em publicidade, relações públicas, eventos e subsídios vários a empresas municipais ou particulares para se obter a compensação necessária à realização de muitas das medidas que propomos. Portanto, não se trata tanto de cortar receita mas, muito mais, cortar despesa e de gerir melhor. Aliás, espanto-me sempre com a diferença entre o discurso oficial do PSD e do CDS (que promovem, justamente, a contenção das despesas públicas) e o fartar-vilanagem desta CMC (PSD/CDS)! Repare que basta cortar no financiamento que tem sido feito às Conferências do Estoril e a mais alguns eventos para se obter rapidamente uma contenção da despesas em valores próximos aos resultantes da descida do IMI ou da perda de receitas dos parquímetros.

Pedro Jordao disse...

Em complemento dos meus comentários anteriores, devo acrescentar que, evidentemente, nos casos em que haja indícios de ilegalidades isso deverá ser objeto de queixa ou de processos judiciais que promovam o restabelecimento da legalidade e, simultaneamente, permitam à CMC não gastar dinheiro com indemnizações indevidas. Mais: há que ter particular cuidado na formulação e discussão dos termos dos contratos assinados pela CMC porque não é admissível que a CMC se vincule a contratos como os do Edifício Nau.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Voltando a tentar bater mais umas bolas com o anónimo das 23.06 do dia 18, cujas declarações anteriores gostava de ver em letra de forma para meu esclarecimento (Quinta dos Ingleses versus sucessores de Alves Ribeiro, entenda-se), utiliza muito o vocábulo "incómodo" para caracterizar as opiniões de que discorda.

Mas adiante. Agora, à falta de ver reproduzidos os seus comentários, acusa o Cascais24 de censura. Ora, parece-me que não é nada disso.

Eu próprio, ao publicar em 20/09 o texto surripiado de Rui Frade Ribeiro, titulei com 1 entre parêntesis (1). Tinha a continuação (2) e (3) para prosseguir com a narrativa preparada mas quando dei por mim os textos não puderam ser aceites por conterem para cima de 4000 caracteres, afinal limite do espaço disponibilizado.

Quando dei conta da coisa não fui a correr queixar-me ao Cascais24 nem junto do amigo Valdemar Pinheiro bradando "Censura" e esgrimindo "Censura", para daí acusar toda a gente como sendo igual ao Carreiras.

Portanto, pergunto: não será que o Caro Anónimo das 23.06 do dia 18/09 não se terá "esticado" com o texto e o sistema o rejeitou?

Seria bom esclarecer, caso ainda tenha a prosa guardada, publicando-a em retalhos para que não seja rejeitado automaticamente pelo blogue e não acusar levianamente o Amigo Valdemar, com longas décadas de jornalismo exemplar, de censor engravatado. Sei de provas dadas e convívio profissional de décadas, que ele não é desses.

(agora resta-me a esperança de não ultrapassar os 4000 caracteres)

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