Ao Presidente da República como à mulher de César …

Opinião




Em período de campanha eleitoral para as eleições autárquicas, a Comissão Nacional de Eleições (CNE), recebeu uma queixa contra o Chefe de Estado e simultaneamente contra o presidente da câmara de Cascais, por violação do artigo 41.º da Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais (LEOAL). 


Para lá de qualquer considerando sobre o comportamento dos intervenientes, está a impunidade com que o assunto foi tratado pela CNE. O seu porta-voz, João Tiago Machado, transmitiu à Lusa que a decisão sobre a referida queixa foi adiada para depois das eleições, com o fundamento de que ‘ foi decidido deixar para análise posterior queixas sobre assuntos que não se vislumbra que voltem a acontecer como é o caso da visita do Presidente da República à Feira do Livro de Cascais’.


Não nos parece que o que estava em causa fosse o local onde o Presidente “prevaricou”, mas antes o ato em si de favorecimento de um candidato em desfavor dos outros candidatos por Cascais.


Não deve a CNE ter apenas um papel punitivo, deve principalmente ter um papel preventivo!


Ao invés Marcelo Rebelo de Sousa sai impune de um comportamento que viola um preceito legal relacionado com eleições na República Portuguesa.


A história até poderia ficar por aqui, com um comentário de ‘veremos se no futuro o Chefe de Estado se coíbe de ter comportamentos dúbios nesta matéria’. Mas hélas, não foi preciso esperar muito tempo.


Há apenas alguns dias Marcelo Rebelo de Sousa almoçou com Pedro Santana Lopes em véspera de este anunciar a sua candidatura a líder do PSD.


Confrontado com o caso Marcelo admitiu que pode haver quem critique porque (sic) ‘ o país é livre, as democracias são assim, há liberdade de comentário’ Como diz Senhor Presidente?


Interrogado sobre se não considera que passou a imagem de que ‘vestiu a camisola de um dos candidatos ‘ respondeu ‘não há esse perigo, não visto a camisola de nenhum partido, nem de nenhum candidato’.


Acontece que ao Presidente da República, tal como à mulher de César, não basta ser, tem que parecer… (estar acima de qualquer suspeita).

8 comentários:

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Apenas duas ou três considerações breves. Por razões protocolares, a visita de um PR (este até reside no concelho) é sempre motivo para ser recebido pelo mais alto responsável autárquico. É claro que, se houvesse decência, transparência e um pingo de vergonha, em plena campanha eleitoral e por respeito para com o cargo que ocupa e para com a generalidade dos munícipes, seria este a tomar a iniciativa de se fazer representar no acto. Mas uma e outra não existem, como sabemos. Provavelmente, toda a vereação com pelouros até estaria em campanha eleitoral e ocupada com as inaugurações, croquetes, fotos e promoção dos (seus, claro) candidatos às juntas de freguesia e assembleia municipal.

Noutro ponto: foi o próprio sr. Carreiras que "penetrou" no acto para aparecer na foto (com a vasta comitiva da imagem do município presente e previamente informada...), enquanto o PR, obviamente, não poderia dizer "saia daqui, ninguém o convidou", pois aquele estava na sua casa!

Terceiro ponto: a CNE, infelizmente, já habituou os mais atentos às subtilezas jurídicas dos seus pareceres e tomadas de decisão. Das ameaças ao sr. Carreiras por incumprimentos pretensamente assumidos através de queixas apresentadas por outros candidatos, o que mais aconteceu?

Ponto final: o "vizinho" e munícipe MRS fez toda a sua carreira política, depois do 25 de Abril, obviamente, no PPD e depois no PSD. Pode ter mudado de funções, mas não consta que tenha por ora trocado de cor partidária. Como diz o povo, na sua alta sabedoria, "ele sabe-a toda". Também concordo.

Anónimo disse...

E assim vão passar mais 4 anos sem perceber porque é que praticamente ninguém votou neste projecto, que poderia ter sido agregador, pelo menos dos muitos descontentes com a actual governação, apesar do triste tracking record da anterior candidatura dita independente e que na prática até era mais independente que esta. Tiveram menos de 1/7 dos votos das pessoas que têm na página do Facebook e mesmo tendo a maioria sido adicionadas e não tendo aderido voluntariamente é um resultado muito fraco, muito abaixo do expectável. A razão, não tenho dúvidas, é este tipo de púlhitica que optaram por fazer, o bota abaixo sistematico, com e muitas vezes sem razão e sem alternativa. Esperamos isto dos partidos, do esgoto a céu aberto que é o universo da política, dos caciques que andam á volta do 4 maiores partidos em Cascais. De uma candidatura dita independente queremos muito mais, queremos criticas, obviamente, mas queremos propostas, alternativas, queremos gente que puxe o concelho para cima e não quem o arraste para a lama, gente que critique o que está mal feito e aplauda o que foi bem feito, que quando é contra nos diga como faria diferente. Foi por isso que perderam, foi por isso que votei em branco!

Luís Pereira disse...

Caro "Anónimo",o voto em branco não serve o propósito de mudar o que está mal. Fico com pena que a imagem da candidatura seja a do "bota a baixo", claro que não me escuso de dizer que este é o tipo de comentário de quem lê na diagonal e nunca aprofunda o conhecimento. O Também És Cascais , fez muito mais do que deitar abaixo, trouxe de volta o debate, foi o primeiro movimento a apresentar um programa e juntou um grupo de pessoas capazes, de Cascais, que acima de tudo, querem melhor para a nossa terra. Daqui a 4 anos estaremos de novo na corrida.
Luis Beethoven

Luisa Menezes disse...

Caro 'Anónimo'

Esta publicação não pretendia ser uma bandeira do Também És Cascais , mas como o Senhor Anónimo chamou à colação , não posso deixar passar de novo a imagem de que somos uns fervorosos radicais e críticos sem nada para propor , porque isso não foi o que aconteceu .

N
ão sei se teve oportunidade de verificar a origem do grupo Também És Cascais.
Nasceu exatamente nas redes sociais em virtude do grupo onde todos os cascalenses que aderiram ao grupo , poderiam denunciar situações 'denunciáveis' no concelho de Cascais, com o intuito de verem respondidas as suas questões ou atendidos os pedidos ou denúncias (generalizando um pouco a tipificação das publicações no facebook) .

No referido grupo encontravam-se inclusive vereadores do Viva Cascais que algumas vezes intervieram na discussão, da qual se pretendia que fosse feita 'luz'.
Nada aconteceu, e foi o ponto de partida para lançarmos uma alternativa.
Contudo o grupo manteve-se e muitas das pessoas que ali comentavam e comentam nada têm a ver com o Também És Cascais, continuam a ser Cascalenses que utilizam aquela plataforma para denunciar o que lhes aprouver sobre o concelho. Inclusive , se verificar há também comentadores simpatizantes do Edil.

No segundo trimestre deste ano fomos os primeiros a lançar um manifesto com 10 pontos essenciais sobre os quais queríamos trabalhar. Fomos depois, também os primeiros a apresentar um programa para o concelho e um programa para cada uma das freguesias do concelho ,. programa bem estruturado e com bastantes propostas essenciais para o concelho .
Infelizmente, e sem os recursos dos partidos não tivemos a visibilidade dos outros candidatos. Fomos ostracizados pela comunicação social , sistematicamente , e houve da parte dos candidatos do Viva cascais um aproveitamento dos dinheiros públicos , fazendo campanha , ainda que indiretamente, com toda a parafernália de eventos megalómanos com cobertura quase diária nas televisões nacionais, em total desrespeito pelo processo eleitoral .
Se acha que denunciar essas situações é dizer mal por dizer , sem objetivo , está no seu direito , mas permita-me ter opinião diferente .
Tenho quase a certeza que apenas leu e tomou conhecimento das publicações em que se criticava não tendo sequer lido uma linha do programa , quer do geral quer da freguesia onde mora .

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Por que será que o Senhor Anónimo é isso mesmo, Anónimo? E isolado, nesta pequena amostragem. O seu pensamento, em tese, é altamente vantajoso para o caciquismo reinante que não tolera divergências de opinião e cultiva por todos os meios, de modo activo e passivo, quase cientificamente, o valor da abstenção como um fim de se manter no poleiro. O voto em franco e o voto nulo, valem apenas pelo simbolismo do protesto. Mas não resolve nenhum problema da sociedade. E as eleições ocorrem para resolver problemas da comunidade. E precisamos de gente que não receie dar a cara, que não se acobarde no temor, no medo, na represália, no castigo.

Anónimo disse...

Discordo, profundamente, as pessoas votam em branco quando não têm opção, quando está tudo mal, quando todas as opções são más, quando se sentem incapazes de com o seu voto validar qualquer escolha.

Nas autárquicas anteriores votei numa lista que se dizia independente mas que usou o meu voto para se baldear para o lado do PS, oficializando esse acto nestas autárquicas o que, na minha opinião, levou a um reforço do voto na actual liderança. O João Sande e Castro é um homem do sistema, um independente não por convicção mas por força das circunstâncias, alguns dos que estiveram à volta dele são órfãos do orçamento municipal, gente que, directa ou indirectamente, estava à mesa com Capucho, que foi deixada cair por Carreiras e substituídos por outros da mesma igualha, que criticavam mais por despeito do que por convicção, porque enquanto lá estavam nunca abriram a boca.

Não vou comentar as pessoas capazes porque certamente temos conceitos diferentes sobre o que significa o termo "capaz". Mas o que me afastou nem foi isso, uma vez que nunca esperei que os mais capazes se dispusessem a chegar-se à frente, infelizmente, é a cidadania e o sistema que temos. O que me levou a afastar dessa candidatura foi o vale tudo, o "bota abaixismo" sistemático, a maledicência constante, o terem como eixo central da campanha uma campanha pela negativa, difamatória mesmo, em que se misturavam verdades incontornáveis e situações que era mandatório mudar com populismo desmedido, mentiras descaradas, com ataques pessoais e de carácter etc.

Para mim tal como, acredito para muitos eleitores, essa coligação negativa formou-se não em torno de ideias ou projectos, porque o próprio programa eleitoral era constituído por ideias vagas com que, mais ou menos, todos concordaríamos, mas era também uma vacuidade total em relação á forma como as pretendiam concretizar, como as financiariam, ideias atabalhoadas e amontoadas não fazem um programa coerente, tal como seguidores adicionados pela entourage da página da candidatura não quer dizer apoiantes.

Se querem chegar ao poder sugiro que façam diferente do que faz a tralha partidária, não usem o mesmo populismo e demagogia, deixem os ataques soezes para a oposição, façam uma oposição positiva, que essa sim seria diferenciadora e não tratem os cidadãos como uma massa acéfala incapaz de pensar, porque esses, e são muitos, já estão capturados pelos partidos.

Deixem a campanha negativa para os partidos, eles são profissionais, vocês nesse campo são, felizmente, amadores, sejam claros nos programas, na identificação dos problemas. Quando são contra digam o que fariam diferente, como fariam, como financiariam, quando propuserem alguma coisa concretizem, elenquem, detalhem porque algumas dos vossas ideias, que obviamente nunca concretizariam, redundariam na falência da CMC se fossem avante.

Foi pena, mesmo, Cascais precisava de uma valente varridela!

Anónimo disse...

Cara Luisa Menezes, conheço bem o grupo e sabe porquê? Porque um membro da candidatura, candidato a vereador, que conheço mas de quem não sou amigo, se conectou comigo no Facebook, achei estranho mas aceitei, depois adicionou-me ao grupo também és Cascais sem me perguntar se podia ou se eu queria, depois disso desconectou-se. Só o modus operandi já seria bastante revelador, daí terem embandeirado em arco com os 14 mil seguires e não terem conseguido 1/7 dos votos. Os cascaesnses não aderiram ao grupo, foram lá colocados, aliás alguns, incómodos, foram até expulsos.

Eu acho mais que louvável, bastante útil e necessário existir um grupo onde se possam denunciar situações que "denunciáveis" como diz, ou mesmo só corrigíveis, mas para ajudar a resolver, de forma positiva, não de forma demagógica e populista para avançar uma agenda que era clara desde o início.

Eu já estava vacinado do Ser Cascais, mas ver 20 pessoas a dedicarem o seu dia a dia a debitar lixo só fez diluir num mar de despeito algumas das denúncias válidas que lá eram colocadas de vez em quando.

Quanto ao programa estou de acordo que o manifesto era um bom ponto de partida, mas depois perdeu-se completamente, tornou-se demagógico, populista, vago e sobretudo completamente irrealista, para alguém minimamente informado e que sabe que não existe dinheiro público, só dinheiro do contribuinte, diria mesmo assustador.

Reconhecendo a megalomania, o nepotismo, o clientelismo e o festim provinciano que é a prática esta governação, a proposta do Também és Cascais era também ela megalómana, feita por quem obviamente desconhece o que é um orçamento, pior, com laivos colectivistas. As outras candidaturas nem valem a pena comentar.

Anónimo disse...

Caro João, o facto de ser isolado nesta amostragem, como diz, é lendo de quando em quando o que escrevem aqui e no Facebook do Também és Cascais, é para mim um elogio, acredite.

O meu pensamento é altamente vantajoso para o caciquismo? Que ingenuidade a sua, talvez acreditar que trocar uns caciques por outros é melhor, ou pior, uns wannabes caciques é uma solução que resolve os problemas da sociedade, não é, nunca foi. Bem sei que em Portgal qualquer eleição é sempre para eleger o menos mau, nunca o melhor e as propostas são tão más que há quem vote em corruptos condenados. Eu não, o meu caro vive com a sua consciência, eu vivo com a minha e não é moldável, adaptável o suficiente para entrar de forma leviana em em projectos que à partido sei que vão pelo sítio errado como era este!