Famílias "indignadas" com Carreiras esperam obras em edifício camarário depois de incêndio que fez um morto e intoxicou 13 pessoas em São Domingos






Os moradores do edifício de habitação social, em cujo primeiro andar deflagrou a 14 de dezembro último um violento incêndio, que provocou um morto e 13 intoxicados, em Polima, São Domingos de Rana, desesperam com a falta de intervenção do “senhorio” nos trabalhos de reparação das marcas deixadas pelo fogo e afirmam-se “chocados e indignados” com a forma como foram tratados pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais quando foram expor os seus problemas à Assembleia Municipal a 17 de dezembro último.


No edifício da rua das Tulipas, que ostenta na fachada o lote 30, mas também o número 90, em Polima – edifício de habitação social onde vivem 15 famílias e administrado pela empresa municipal Cascais Envolvente – reina o caos. 

Foi neste prédio, de habitação social, que a 14 de dezembro do ano passado deflagrou um violento incêndio, que matou uma pessoa e causou intoxicação, por inalação de fumos, a outras 13, entre as quais uma criança.

Apesar do tempo decorrido, o cheiro a queimado ainda paira no ar, envolvendo todo o interior e habitações do edifício camarário.

Mais grave, no entanto, é a falta de trabalhos de reparação.


No interior, nos acessos aos pisos as paredes e tectos estão pintadas de negro, à semelhança do que acontece no interior da maioria das fracções, a par de portas, vidros e estores partidos, além de falta de energia e de campainhas.


Galina é obrigada a trocar o conforto do quarto pela sala
Galina Mendes, que vive no rés-do-chão, logo por baixo do andar que ardeu e onde a locatária morreu em consequência do incêndio, dorme desde então na sala fria da casa. “O quarto está inabitável e, ainda hoje, pinga água do andar de cima, que foi usada pelos bombeiros”, conta a Cascais24.


Também Erminda Custóias, uma idosa de 81 anos, doente e com grandes dificuldades de mobilidade, queixa-se de que tem as divisões da fração que habita pintadas de negro. “Nem limpeza, nem pintura”, lamenta a Cascais24

A idosa escapou ao incêndio porque meia hora antes fora transportada, como habitualmente, pela ambulância dos Bombeiros aos tratamentos. “Nem quero pensar, com as dificuldades de mobilidade que tenho, o que seria caso cá estivesse”, conclui.


Repara como puderes…


Na ausência de resposta às marcas deixadas pelo fogo, moradores há que meteram mãos à obra e procederam eles próprios a pequenas reparações, por forma a terem uma “habitação digna e mais ou menos confortável”.


Augusto e Márcia com o filho Gonçalo salvo pelos bombeiros no dia do fogo
É o caso do casal Augusto Baía e Márcia Cruz, cujo filho, Gonçalo, de onze, no dia do incêndio, foi salvo pelos bombeiros.


“Somos nós que, com os nossos magros recursos, temos vindo a limpar e pintar a nossa casa”, conta Márcia Cruz, a habitar há 14 anos o terceiro andar direito do edifício.


“A limpeza tem estado a ser feita por nós”, corrobora o marido, Augusto Baía.


Cascais24, mais uma vez sem sucesso, confrontou o município de Cascais, mas não obteve resposta.


Já o vereador sem pelouro Clemente Alves, do PCP, que tem acompanhado as reivindicações dos moradores e com o qual Cascais24 veio a cruzar-se no dia da reportagem no edifício, não quis deixar de referir que na última Assembleia Municipal, “além de ter caluniado os moradores, o presidente da Câmara de Cascais comprometeu-se a de imediato mandar verificar a situação para solucionar os problemas detetados”.


“A verdade é que, até agora, as promessas do presidente da Câmara foram levadas pelo vento…”, lamentou Clemente Alves.


“Maltratados” pelo presidente


Para além da falta de resposta às consequências do incêndio no edifício, os moradores mostram-se “chocados” e “indignados” com a atitude do presidente da Câmara de Cascais quando, a 17 de dezembro último, foram à Assembleia Municipal dizer de sua Justiça.


“Fomos muito maltratados e difamados até, pelo senhor presidente da Câmara”, denuncia Augusto Baia, segundo o qual na reunião do plenário Carlos Carreiras, na resposta aos inquilinos, afirmou “ter informação de que no edifício vivem pessoas ligadas a roubos”.


“Falou no genérico, mas a verdade é que chamou ladrões e marginais a todas as famílias e aqui, neste prédio, somos pobres, mas honestos e trabalhadores”, concluiu Augusto Baia.


Sem sucesso, Cascais24 também procurou um comentário do chefe do chamado governo local de Cascais a esta acusação.


“Vivemos oprimidos”


Os inquilinos do edifício de Polima queixam-se, ainda, da forma como têm sido tratados pela empresa que administra a habitação social municipal.


“Vivemos oprimidos na nossa própria casa”, desabafa Márcia Cruz, segundo a qual “estão sempre a exigir documentos para comprovar isto e aquilo, sempre na mira de aumentar a renda”.
Márcia Cruz a Cascais24: "Vivemos oprimidos"


“Se um filho ou filha acaba o secundário e vai para a universidade, entendem como um sinal de que temos posses e, então, vai dai aumentam a renda. É incrível”, acrescenta, não sem concluir de que “isto aqui, em Cascais, apesar de toda a demagogia, é pior do que o Estado Novo”.


Os moradores queixam-se, também, de que a entidade que gere a habitação social não deixa um inquilino adquirir a sua fração, sem que todos estejam decididos em comprar também as suas frações. “Não é justo!”, disse outra moradora.


No edifício de habitação social de Polima as rendas oscilam entre os 80 e os 300 euros, mas podem chegar ao triplo caso os inquilinos, quando exigido, não apresentem a documentação exigida pela respetiva entidade gestora sempre que bem lhes aprouver.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Boa noite. Uma grande verdade minha senhora! Só querem aumentar a renda, mas sem se interessar se temos comer em casa, medicamentos, etc. Mas lá está, sem querer ofender outros, voltamos ao mesmo, mas aos ciganos, que pagam 5€ de renda, se apuraram de tudo, e se vamos falar, ainda nos dizem que nao tem emprego, e vivem mal ...!? Tenho no meu prédio 2casais de Família de etnia cigana, que pessoalmente, nada tenho contra, mas, acho mal,se apropriaram da arrecadação do prédio, e alem disso, a porta esta partida, e ate entram bichos para la! Na escada, fora de casa, tudo,
chinelos,carrinhos, roupa, caixas de correio partidas, jogam a bola na escada, a porta do prédio partida,nem fecha,todo o ano aberta! Roupa estendida na rua,presa numa vos dá,amarrada ao candeeiro. Vivem do melhor! Eu e outros trabalhamos para estás pessoas, porquê!? Porque são tão defendidos, ao ponto de não os obrigarem a trabalhar, e acabarem com o RS... Eu só vejo o que acho injusto, e todos merecemos ser classificados bons seres humanos! O Sr.Presidente devia fazer visitas e preocupar -se com quem trabalha honestamente, e faz descontos, para ver tanta injustiça que existe, nos Bairros, ha pessoas boas, e humanas! Uns team o que de direito todos deviam ter! Não sou contra a etnia mas contra alguns, que infelizmente,sujam o bom nome dos outros! Façam justiça e as técnicas deviam ser humanas, e usar melhor a psicologia, nao fazerem diferenças, nem serem injustas! Façam que as pessoas não fiquem umas contra as outras,por vossa culpa,técnicas de bairro! Eu respeito quem me respeita, ignoro quem me ignora! Saudades do meu bairro quando tudo e todos eram humanos,amigos,e havia bondade respeito e compreensão, das antigas técnicas! O barulho as 6h da manhã, do carro do lixo, e com os contentores, devia ser evitado. Mas entendo que as pessoas, também não respeitam ninguém, estacionam os carros de qualquer maneira e em todo o lado! Bairro de Alcoitao já não é o que era! Saudade do antigo🤗

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