Barra da Costa regressa à ribalta com “Os Crimes de João Brandão”

Cultura




Afastado há alguns anos da ribalta, o criminalista e antigo inspetor-chefe da PJ, Barra da Costa acaba de regressar ao convívio dos portugueses, que o admiram pela sua frontalidade, com a publicação de mais uma obra literária: “Os Crimes de João Brandão (Das Beiras ao Degredo)”.
Trata-se de um trabalho histórico publicado pelas Edições Macaronésia, que tem como pano de fundo um período fervilhante da História de Portugal.
O objetivo específico passa por convocar os leitores, por um lado, a uma comparação com as «novas filosofias de vida» que parecem querer despontar e, por outro lado, a uma reflexão sobre o que vem sendo feito pelo sistema político-judiciário, tantas vezes regredindo e transigindo em princípios e valores de Liberdade e de Democracia que se julgavam consolidados.
A forma como na altura decorreu a divisão do país entre miguelistas e liberais, potenciou a formação de grupos de guerrilhas. João Brandão acabou a lutar pelos seus interesses, sob a capa de uma ou outra ideologia, muitas vezes legitimado pelo próprio Estado a braços com um novo sistema político, de forma a garantir a perseguição dos inimigos políticos e o controlo da ordem pública. Quando as elites políticas entenderam que o poder estava estabilizado e os bandos já não eram úteis para os seus fins, varreram-nos para debaixo do tapete.
O objetivo geral tem como de fundo avançar uma reflexão sobre o futuro que hoje se desenha sobre nós, designadamente quando, sobre os braços da Justiça, parece querer voltar a elevar-se a antiga pena de degredo à condição de peça histórico-jurídica atual. Apetecia dizer que se trata de uma reflexão sobre tudo o que já foi e que não queremos que regresse, até porque a questão do degredo, neste caso das Beiras para Angola, não é estranha a muitos dos que povoaram outras paragens. Veja-se a «prática» de enviar para os Açores e Madeira os candidatos pior classificados em diferentes carreiras da administração central ou como ainda subsiste o hábito de colocar nas ilhas funcionários da administração central que tenham sido alvo de processos disciplinares ou, a outro nível, o que se passa com os repatriados vindos do Canadá e dos Estados Unidos da América.

Na parte final aborda-se a natureza das penas e dos seus efeitos, em especial as que foram aplicadas ao nosso herói que, apesar de «negativo», não devia ter recebido um sofrimento que é uma inqualificável barbaridade, uma aberração vergonhosa e uma forma irregular, inconsciente e arbitrária de aplicar um qualquer princípio de justiça.
João Brandão é uma personalidade da História recente, um exemplo do continuado poder político próprio dos caciques locais; e é muito em razão dessa «estrutura provinciana» que consegue integrar ainda hoje a cultura popular portuguesa. Como se pretendeu demonstrar.

Para ler mais esta excelente obra de Barra da Costa pode adquirir “Os Crimes de João Brandão” através do editor - tm. 918189075 ou email acrpeixoto@sapo.pt  Após confirmar o depósito do 11 euros no NIB que ele próprio fornecerá, o livro é enviado sem acréscimo de preço.

Quem é Barra da Costa
Barra da Costa é licenciado em Antropologia; Pós-graduado em Ciências Criminais e em Estudos Psicocriminais; Mestre em Relações Interculturais; Doutorado em Psicologia.
Foi inspetor-chefe da PJ durante 30 anos, função que intervalou com passagens no MAI/SEF (Chefe de Divisão de Refugiados).
Formador no Instituto Superior de PJ e Ciências Criminais, na Escola Prática da GNR, na PSP e no Sindicato Nacional de Polícia, Barra da Costa é docente das disciplinas de Investigação Criminal e de Aspetos Legais em Tribunal, no Instituto Superior Ciências Saúde Egas Moniz); de Criminologia e de Métodos de Prova na Universidade Lusófona.
Participa nos media como cronista no Jornal de Notícias (sábados), na secção «Polícia e Tribunais» também como analista criminal na TVI (semanal).
A sua obra conta com diversos livros, nomeadamente, o Exílio e Asilo (Refugiados em Portugal, 1974-1995), Práticas Delinquentes (de uma criminologia do anormal a uma antropologia da marginalidade); Sexo, Nexo e Crime (teoria e investigação da delinquência sexual); O Terrorismo e as FP 25 anos depois; Filhos do Diabo (assassinos em série, satânicos e vampíricos); O Idoso e o Crime (prevenção e segurança); Maddie, Joana e a Investigação Criminal (a verdade escondida).

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