Os últimos segundos de 2017 tornaram-se no lixo de 2018

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REPORTAGEM DE SARA VITAL/ GUILHERME GUERRA E GONÇALO COSTA


As típicas tradições de fim de ano podem estar a prejudicar os nossos oceanos e a sua vida marinha. Vestígios da celebração e euforia do findar de mais um ano são visíveis nas ruas e praias de Portugal.  A poluição por parte de produtos festivos de plástico descartáveis, como, por exemplo, confettis, copos de champagne e serpentinas, é agora uma realidade que enfrentamos.

O estado das praias de Portugal após esta época festiva é preocupante. São exemplo as praias de S. Pedro do Estoril (Cascais) e dos Pescadores (Albufeira). Diversos tipos de lixo são encontrados no areal e imediações destas praias. O mais alarmante é a quantidade de confettis que cobrem vastas áreas costeiras, constituindo um perigo para a fauna e flora marinhas. Também são encontradas rolhas, copos e garrafas de espumante, balões, pulseiras "glow", palhinhas, maços de tabaco e inúmeras beatas.



Grande parte destes resíduos são compostos inorgânicos e de origem plástica, que são transportados até ao mar pela ação do vento e, por possuírem um baixo índice de degradação, acabam por invadir o meio marinho e proliferar de modo intrusivo. Uma vez no oceano, contribuem para o aumento do lixo marinho, um problema global com o qual somos confrontados todos os dias. Para além da poluição visual, o lixo marinho constitui uma ameaça à vida aquática, afetando desde organismos de reduzida dimensão como o zooplâncton até aves marinhas, passando pelos cetáceos e tartarugas, que acabam por confundir o plástico com alimento.


Riscos para a Saúde
Chegando ao oceano, o plástico, exposto a radiação UV e outros fatores, fragmenta-se em pedaços de pequenas dimensões chamados microplásticos. Estes absorvem as toxinas que flutuam no mar e muitas vezes são confundidos com alimento, sendo ingeridos por organismos marinhos, impregnando-se na cadeia alimentar, chegando assim à nossa cozinha.
 
Os peixes, por exemplo, ao ingerirem os microplásticos, acumulam as toxinas daí provenientes nos seus músculos e gordura, que acabam por chegar inevitavelmente aos nossos pratos. 


Estudos recentes comprovam a existência de partículas de plástico em várias espécies de pescado de valor comercial, sal marinho e até bivalves, que, por serem organismos filtradores, conseguem captar partículas muito pequenas.

O oceano é uma fonte de oxigénio, é fonte de vida e diversidade. A urgência para a mudança do comportamento dos cidadãos portugueses face à conservação ambiental, tanto terrestre como marítima, verifica-se mais intensamente nestas datas marcadas pela festa e pelo desperdício. É importante a sensibilização dos cidadãos sobre a gravidade destas situações, ajudando na prevenção das mesmas.



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