Quanto vale um morador? E centenas de moradores?

Opinião



Governança. Resumidamente pode-se definir como a maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais e económicos de um país visando o desenvolvimento, e a capacidade dos governos de planejar, formular e programar políticas e cumprir funções. A adaptabilidade do termo permite que seja utilizado também ao nível municipal e é sobre este tipo de governança que escrevo esta semana. 

Na última reunião municipal aquando de um rol de perguntas do PAN sobre a construção planeada para o parque da Costa da Guia, onde se frisava a importância de dar voz aos anseios dos moradores da área e à possibilidade de se mudar de planeamento para garantir o apoio e bem-estar destas populações, foi nos partilhado pelo executivo, na voz do Vice-Presidente Pinto Luz, que a legitimidade da manutenção do plano vigente decorria do resultado das eleições. Cremos que se referia à coligação Viva Cascais ter ganho, e com maioria. Porém, na nossa visão ideológica, a governança parte do pressuposto que não se governa apenas, ou maioritariamente, para os que em nós confiam o seu voto mas sobretudo para as minorias e para os que em nós não se revêem. E, mesmo tendo em consideração os resultados de 1 de Outubro, a Coligação apenas ganhou com 1/4 dos votos do município, ou seja 25%. Certos que podemos também ecoar essa percentagem para os restantes partidos, o que é mais que justo, no fundo quem governa tem uma responsabilidade acrescida em ouvir, debater, refletir e mudar de opinião caso se considere importante. 

No caso da Costa da Guia, ao contrário do que alguns desejam pintar, não está em causa o que se quer construir em específico, mas o que se quer destruir ou melhor, impossibilitar de erguer. Ou seja, os moradores desejam manter um espaço com mais árvores, mais infra-estruturas públicas e de livre acesso, e não apenas uma infra-estrutura, ou várias infra-estruturas, para um determinado grupo de interesse, seja ele qual for. Não é este um válido aspecto para ter em conta na governança local? Cremos que sim! Continuamos sem compreender quem ganha com esta decisão porque se o município não é, os moradores também não, então quem ganha? A pergunta mantêm-se. 

E no seguimento, também na mesma reunião municipal ouvimos os anseios dos moradores da Rua Fernando Pó, em São Domingos de Rana, que há mais de duas décadas pedem que o baldio adjacente a vários lotes residenciais da rua seja transformado num grande parque público, e de livre acesso, com estacionamento para estes residentes. O seu anseio, no seguimento dos moradores da Costa da Guia, centra-se em ter mais espaços verdes, hortas comunitárias e equipamentos públicos de livre acesso a toda a comunidade. 

Neste segundo caso, o executivo explicou que iria haver uma área mais restrita de zonas verdes, tal como alguns locais de estacionamento público, mas sem concretizar quantos, porém mais uma vez ficou pendente a explicação cabal do porquê se ceder a uma instituição privada um terreno tão ansiado e prometido às populações locais. 

Vemos que não se trata de ostracizar a iniciativa privada, porque no fundo isso é contraproducente à liberdade individual e empresarial, mas trata-se de dotar a governança de um espírito mais comunitário, mais público e mais ecológico. Ouvir, ser ouvido e possivelmente reverter políticas municipais em benefício de todos e não apenas de alguns. 

Porque no fundo, para o PAN, mais que governar com a maioria, devemos governar para todas as minorias. 

2 comentários:

Rui Abreu disse...

Como já há muito tempo venho a dizer, há que "injectar" sangue novo na câmara de Cascais, e correr de lá com as sanguessugas. Obviamente Cascais ruma a um caminho que "não é para todos, mas para alguns" e infelizmente, a maioria dos Cascaenses não aprende, ou finge que não vê o rumo que Cascais está a levar, seja neste ou noutro assunto de importância sobre a qualidade de vida. À semelhança de algumas zonas do País, Cascais está a tornar-se num "principado" para estrangeiros e para os ricos, onde tudo o resto é tratado como "resto". Basta dar uma volta por Cascais, e ver o mar de problemas e a escassez, de eventos que sejam dirigidos para a maioria da população, e inclusive nesta época natalícia, é de uma tristeza e um mau gosto agoniante, a falta de vida e de cor que se revestiu Cascais... Existe tanto que falar e mais que isso, existe tanto que fazer, que se as coisas não mudam a breve prazo, dificilmente irão mudar um dia, pois a pasmaceira que todos os dias vemos instalar-se cada vez mais, e o desdém dos que em vez de governar Cascais, governam-se de Cascais, é alarmante...

Anónimo disse...

Totalmente de acordo com o exposto.
Instalou-se em Cascais o caciquismo, a falta de transparencia, e sobretudo quem tem opinião diferente é contra o avanço de Cascais ...inclusive com ameaças de ida a tribunal , vindas curiosamente de quem nada respeitou no principio da igualdade e não discriminição , sendo acusado de desobidiencia qualificada pela CNE .... democracia de fachada em CASCAIS .... só para alguns com o dinheiro dos outros...


A BEM DE CASCAIS