No “Christmas” de Cascais não entra o Pai Natal!

Opinião




Na reunião do executivo camarário, que teve lugar esta terça-feira, a maioria com o voto contra do PCP deliberou atribuir um “apoio” financeiro de 203.000,00€ destinado à produção, por um grupo de interesses privado, do “Cascais Christmas Village".


Deliberar, isto é: “legalizar" a decisão já assumida e anunciada em outdoor, de pôr a carroça a andar à frente da vaca e do burro, ou não se tratasse do Christmas.


E quem é que vai receber o simpático bodo ? : - Ora, nem mais nem menos que a Cofina Media SA, dona da CMTV, da revista Sábado e do jornal Correio da Manha, que na última campanha para as autárquicas se fartaram de escrevinhar a favor da candidatura do presidente Carlos Carreiras. - O que está certo, porque ser grato também é apanágio de ser fino. 


Mas vamos lá a ver que “estória” é esta do “Christmas Village”, assim nomeada porque, como em todo o mundo toda a gente sabe, em Cascais todos somos gente fina: todos tocamos piano e falamos british !


Então é assim:

O presidente Carreiras, feliz e contente com os resultados do Christmas do ano passado, decidiu invitar o ‘Santa Claus’, que noutras bandas é chamado de Pai Natal, obviamente por gentios nada ilustrados, a vir de novo a Cascais brindar-nos com o célebre Uou-Uou, Uou ! das guturais gargalhadas.


Vai daí, manda apresentar-se no gabinete dos Paços do seu Concelho o agente artístico exclusivo do Santa, que em terras de Portugal assinaCofina Media SA, para acertarem condições para a renovada presença do avôzinho das barbas na Villa de Cascais.


Sem pestanejar, o presidente da Village, além de oferecer o parque do Marechal Carmona para assentar o arraial do Christmas, de pronto aceitou também que a Câmara compense a distinta e exclusiva presença do Santa com o óvulo de 203.000,00€, a título de cachet. Importância a transferir para os baús lapónicos a partir dos cofres onde nós, súbditos cascaenses, alegremente depositamos os euros das taxas, tarifas e impostos. 


E porque cabedais, pratas e oiramas são coisas que por cá muito abundam, o querido edil consentiu ainda que aos súbditos que acorram ao chateaux do Santa Claus seja colectada a modesta maquia de 6,00 a 36,00€, no caso de os infantes se fazerem acompanhar da respectiva gens. 


E que, se além da usual carícia, graciosa (?), nas barbas do Santa os infantes e as infantas cascaenses quiserem também dar um giro na gigante roda, a habilitar-se a escorregadelas na pista antártica, ou trepar à bossa do camelo lá em presença, insta o edil aos nobres papás que não regateiem abrir um pouco mais os cordões à bolsa. 


Pois é, “imbejosos” do mundo inteiro: Roam-se ! - Nós, os de Cascais, somos assim: exclusivos e cosmopolitas!

*Vereador do PCP

4 comentários:

José Manuel Campos disse...

Pagámos 203.000 para o "Christmas Village" ?
E quanto pagámos para o "Festival Internacional da Cultura" ? 270.000 euros ?
E para o "Metro Street Fest" quanto pagámos ?
E a "Festa do Livro" quanto nos custou ?
Afinal o que há de comum entre todos estes (e outros) eventos cascalenses?
Carlos Carreiras não dá ponto sem nó...
Talvez com a ajuda da seguinte fotografia se possa perceber um pouco melhor alguns mistérios de Cascais (uma ajuda...reparem nos sobrenomes dos presentes): http://picbear.com/media/1598110589989553532_5950646059

Anónimo disse...

A receita de IMI 50 milhões de euros, a segunda maior da area metropolitana de Lisboa, deve servir para muita coisa ...serviços gratuitos que a Câmara presta aos municipes = a zero .
Já agora no dominio da transparencia , e para quem souber , que informe quantas adjudicações e/ou ajustes directos tem a firma METALCÁRIO ???

A BEM DE CASCAIS

Anónimo disse...

É muito dinheiro para a opinião de um T.O.C. ....

Anónimo disse...

Na ultimo artigo de opinião do Jornal I, versando Associação Nacional de Municipios Portugueses, vemos mais uma retórica de direita, inenarrável, acusando tudo e todos de laxismo e paragem no tempo, em que a descentralização do poder local, seria a cereja no topo .... existindo actualmente uma democracia colapsada, autocrática , em que os outros não contam , imaginem o que seria com a tal descentralização, e mais poder local dos eleitos ... quem defende os municipes ??? quem supervisiona ?? quem controla ???? seria uma coutada dentro do estado direito democrático ....não queremos nada disso, porque o tempo da ditadura já acabou à muito ...

A BEM DE CASCAIS