Remoção de tóxicos e entulhos em fábrica desativada custou 30 mil euros

Por LUÍS CURADO e VALDEMAR PINHEIRO
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17.01.2017

Cerca de dois meses depois, a promessa foi cumprida. Uma empresa adjudicada pela Câmara Municipal de Sintra (CMS) procedeu à limpeza dos terrenos e das instalações da antiga fábrica de produtos agroquímicos Herbex, localizada na Avenida Pedro Álvares Cabral, próximo de Manique de Cima e junto ao empreendimento urbanístico da Beloura, no concelho de Sintra. Recorde-se que nestas instalações permaneciam abandonados há mais de uma década mais de 100 bidões com materiais perigosos, tóxicos e inflamáveis, alguns potencialmente cancerígenos, conforme Cascais24 havia denunciado.


De acordo com informação prestada pela CMS, a limpeza dos terrenos e das instalações da extinta fábrica da Herbex, que produzia herbicidas e cujo processo de insolvência ainda decorre nos tribunais, foi adjudicada à empresa Vimajas, com sede em Pêro Pinheiro, “por cerca de 30 mil euros”. Cascais24 apurou que, em 2008, uma empresa certificada para efetuar este tipo de trabalhos apresentou um orçamento no valor de 25 mil euros para retirar os materiais perigosos, tóxicos e inflamáveis da fábrica, o que não chegou a acontecer.



Cascais24 sabe que a Vimajas recorreu aos serviços da empresa AmbiGroup para proceder à remoção dos materiais perigosos que se encontravam abandonados no antigo armazém da Herbex desde que esta fábrica cessou a atividade industrial, em 2005. Ao que apurámos, existe um protocolo entre as duas empresas para a realização deste tipo de trabalhos. A Vimajas publicita no seu site na Internet estar vocacionada para a remoção de resíduos de construção e demolição. Não refere nada quanto à remoção de produtos tóxicos e/ou perigosos, como os que se encontravam nas antigas instalações da Herbex.



Cascais24 procurou obter junto da CMS informação útil sobre o processo de limpeza dos terrenos e das instalações da antiga fábrica. Apesar de várias tentativas levadas a cabo nesse sentido, não conseguimos obter dos serviços camarários qualquer resposta às nossas perguntas, que aqui deixamos:



- Cascais24 gostaria de saber para onde serão removidos os resíduos, bem como se os trabalhadores a operar no local, encarregues da respetiva remoção, estão devidamente alertados para a perigosidade dos mesmos, incluindo os meios de transporte utilizados?



- Antes da operação de remoção, foi feita uma inventariação dos produtos a retirar das instalações?



- Qual o prazo estipulado para a conclusão dos trabalhos?



- Sabendo-se quem são os proprietários das instalações da antiga Herbex, Cascais24 gostaria de saber como pensa a Câmara Municipal de Sintra ser ressarcida do montante despendido nesta operação?



Tal como já aqui foi noticiado, Cascais24 sabe que a CMS avançou no passado com processos de contraordenação pelo facto de não terem sido removidos os produtos tóxicos existentes dentro da propriedade. Esses processos de contraordenação foram enviados com a identificação de um arguido: Telha Verde – Compra e Venda de Propriedades, SA, uma empresa imobiliária que é a atual proprietária dos terrenos.



Em caso de incumprimento por parte da entidade notificada, a CMS poderia recorrer à execução da limpeza coerciva, para o que poderia avançar com a Posse Administrativa do Imóvel. Face à ausência de respostas por parte da CMS, Cascais24 não conseguiu apurar se esta possibilidade foi posta em prática.  



Durante a operação de limpeza da fábrica, Cascais24 pôde constatar que trabalhadores que operavam no local não dispunham de proteção adequada para proceder à remoção dos materiais perigosos. Um dos elementos que participou nesta operação foi mesmo visto a tomar refeições no local, ignorando o risco que enfrentava. 











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