Corpos de Bombeiros de Cascais nos protestos por mais “dignidade e respeito”

Segurança



                   24 novembro 2018
Os cinco corpos de Bombeiros do concelho de Cascais juntaram-se este sábado ao megaprotesto contra as propostas do Governo para a área da proteção civil, que trouxe ao Terreiro do Paço, em Lisboa, mais de 4 mil bombeiros, oriundos de todo o País.


Operacionais e meios auto dos Bombeiros de Alcabideche, Cascais, Carcavelos e São Domingos de Rana, Estoril e Parede marcaram presença nesta concentração inédita, que pintou de vermelho a icónica Praça do Comércio.


"Por um comando autónomo; pelos incentivos ao voluntariado; juntos por Portugal e pelos portugueses ou força insubstituível", foram algumas das frases escritas em tarjas ou cartazes que os “Soldados da Paz”, vindos de corpos de Bombeiros de Norte a Sul do Continente e, também, dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, ostentaram neste sábado com condições atmosféricas adversas.


Em causa estão as propostas aprovadas na generalidade pelo Governo a 25 de outubro último na área da proteção civil, a principal das quais as alterações à lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergências e Proteção Civil, futura designação da ainda Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).


"Que fizeram os bombeiros para merecer este desrespeito?" A pergunta foi feira por Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, que reclama "liberdade" e lembra que os bombeiros representam "95% do socorro e 92% do combate aos incêndios florestais" em Portugal.


A Liga dos Bombeiros Portugueses não aceita que os bombeiros voluntários tenham "num papel secundário" com estas alterações e considera a nova lei orgânica da ANPC "completamente desajustada da realidade do País", que "interfere na autonomia" das associações humanitárias dos bombeiros portugueses.


Esta concentração, que deverá fazer o Governo ponderar, surgiu um dia depois do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, ter reunido com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e ter apresentado "mais uma vez" as suas propostas sobre a reforma da Proteção Civil.


A verdade, no entanto, é que esta reunião não trouxe "qualquer acordo, nem entendimento" com o ministro, embora fonte oficial do gabinete de Eduardo Cabrita tenha afirmado que o Governo vai apreciar "com espírito construtivo" as propostas da Liga dos Bombeiros Portugueses.


A proposta do Governo da Lei Orgânica da atual Autoridade Nacional de Proteção Civil prevê a criação de cinco comandos regionais e 23 sub-regionais de emergência e proteção civil em vez dos atuais 18 comandos distritais de operações e socorro, além da criação de um Comando Nacional de Bombeiros com autonomia financeira e orçamento próprio, cujo responsável máximo será designado depois de ouvida a LBP.

A maior força de proteção civil!




Com 42.592 voluntários e 6.363 profissionais, segundo estatísticas de há cinco anos, entretanto desatualizadas, pois atualmente só o número de voluntários não deve ultrapassar os 30 mil (tem vindo a constatar-se um decréscimo, não obstante o esforço dos corpos de Bombeiros no recrutamento, sobretudo de jovens), são os “Soldados da Paz” que constituem a maior força de Proteção Civil no País. E, precisamente por isso é que devem, obrigatoriamente, pelo Estado, que ser olhados de outra forma. 
Se a sociedade civil reconhece e agradece o abnegado espírito de sacrifício, traduzido na entrega de milhares de homens e mulheres que diariamente estão na primeira linha do socorro e na salvaguarda de vidas e haveres, o Estado não os pode ignorar e/ou menosprezar. É o mínimo para quem abraça diariamente, quantas vezes colocando em risco a sua própria vida, o lema “Vida por Vida”. 
Os bombeiros portugueses merecem e, têm todo o direito, ser tratados com dignidade, com respeito! Não podem andar a “reboque” de politicas, de políticos e de generais carregados de estrelas e, muito menos, de interesses que, em alguns casos, não servem, verdadeiramente, a nobre e altruísta missão que os norteia. BEM HAJAM BOMBEIROS portugueses!


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1 comentário:

Rogério Santos Sales disse...

Muito interessante.
O Sr Jaime Marta Soares (distinto e reconhecido cacique do PSD) resolve abrir uma guerra porque o Governo quer, finalmente, começar a organizar decentemente a Proteção Civil deixando esta de estar bloqueada pelos interesses vários de que o Sr Marta Soares é guardião.
Pelos vistos as Corporações de Bombeiros de Cascais foram todas a correr ao mando do Sr. Marta Soares (compreende-se, afinal os 'mandões' são todos gente do mesmo partido).
Foram às suas custas? Utilizaram os meios (carros, equipamentos) das Corporações? Afinal foram as Corporações (com as receitas dos associados e dos munícipes) que pagaram esta manipulação dos bombeiros para fins que não têm nada a ver com a dignificação nem com os direitos destes ?
Nesta história os Bombeiros (aqueles que estão cá em baixo e dão o corpo ao manifesto) são aqueles que mais ficam a perder.
Mas o desprestígio que estas manobras politiqueiro-partidárias trazem para os Corpos de Bombeiros em geral são também preocupantes.
Os srs Comandantes deveriam ter mais respeito pelos Bombeiros e não alinharem nestas manobras a mando da Liga/Marta Soares.

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