É escandaloso que a Câmara seja o negócio mais lucrativo de Cascais

Opinião

                                                                                      10 ABRIL 2018


Já todos sabíamos que a Câmara de Cascais é aquela que detém o primeiro lugar do pódio entre as que mais se governam através de ‘receitas próprias´, que são aquelas que se obtêm através de impostos, taxas, tarifas e multas cobradas directamente a quem vive ou trabalha no concelho. Que em 2017 tal “distinção” se tenha reforçado não pode, no nosso modesto entender, constituir motivo de aplauso, antes pelo contrário.

No exercício de 2017, ano todo ele dedicado à realização da mais desusada campanha eleitoral a que alguma vez Cascais assistiu, com rios de dinheiro a derramar sobre necessidades reais que se foram empatando ao longo do mandato e outras inventadas a cada momento ao sabor da promessa de votos convenientes, a Câmara comandada por Carlos Carreiras e seu PSD/CDS, arrecadou receitas 218,0 milhões€ e realizou em despesas 178,2 milhões€,  fechando contas com um excedente líquido de 39,8 Milhões€, o mais elevado da história do município.

Se a Câmara de Cascais fosse uma empresa, e fechasse o ano com 40 Milhões de lucro, então sim, seria forte o motivo para se armar o melhor arraial, largar fogos e abrir-se o espumante das grandes reservas. 

Mas não, 40 milhões de euros de lucro numa Câmara Municipal, cuja função deve ser a de realizar as necessidades dos seus munícipes a custos que não os castiguem, é para mim motivo de tristeza.

Porque estes 40 milhões excedentes, para não contabilizar outros mais, são, no mínimo, a medida daquilo que o PSD e o CDS tiraram em demasia dos bolsos das pessoas que vivem ou trabalham no Concelho de Cascais, cuja maioria está bem longe de pertencer à classe dos ricos.

Donde vieram os 218 milhões ? – Vieram do maior valor cobrado em IMI por m2 a nível nacional. Vieram do IMT pago por aqueles que tiveram que vender as suas casas. Vieram das taxas e tarifas cobradas na factura da água que está no lote das mais caras da Europa. Vieram das multas cobradas por tudo e por nada. Vieram das múltiplas taxas cobradas aos detentores de micros, pequenas e médias empresas que para exercerem actividade, e sustentarem a maior parte dos postos de trabalho instalados em Cascais, pagam valores que superam em 300%, 500% e até 800% as que são pagas em Oeiras, Almada, Sintra ou Lisboa. 

Nestas condições, que no exercício de contas de uma Câmara Municipal, entre aquilo que gastou e o que recebeu num só ano, sobrem 40 milhões de euros, longe de ser motivo de júbilo para alguém, só pode ser visto como um enorme escândalo.


Quando na Câmara e na Assembleia Municipal os eleitos do PCP se pronunciam em defesa do resgate para a esfera da Câmara do contrato de exploração do fornecimento, actualmente em mãos privadas, da água à população como forma de assegurar o direito universal de acesso às famílias, com melhores condições de qualidade e a custos mais justos, a resposta é, sempre, que tal resgate é financeiramente incomportável. 

Quantos 40 Milhões de euros de sobras se in)comportariam no resgate da água que nos é essencial para viver e que, dizemos nós, comunistas, não pode ser deixada nas mãos de alguns a quem, para lá da vida dos outros, o que mais interessa é garantir para si para os seus sócios o lucro máximo?

Quando defendemos que a taxa de IMI desça, que os impostos e as taxas que asfixiam os micros, pequenos e médios empresários do Concelho sejam reduzidas para que possam respirar melhor, fazer crescer os seus negócios e criar mais e melhores postos de trabalho, sistematicamente ouvimos por resposta que tais medidas são demagógicas e que seriam insustentáveis para o normal funcionamento da Câmara.  

Quanto dos absurdos 40 Milhões de euros receberia a Câmara a menos para que no bolso de todos os munícipes ficasse um pouco mais ?

Isto é o que pensamos e dizemos nós, comunistas, bradando no deserto (?).

Mas isto não é absolutamente o que pensam este Presidente da Câmara e o seu PSD-CDS, contrariamente ao que mandam dizer nas toneladas de propaganda em que também gastam tantos milhões do nosso dinheiro. Porque para eles o que conta mesmo é o “grande lucro”, não são as pessoas.

*Vereador do PCP

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1 comentário:

Anónimo disse...

Retrato fiel do que se passa em Cascais, acrescentando sómente que gastaram o nosso dinheiro para se auto elegerem , com obras superfluas e desnecessárias, esquecendo as PESSOAS, e não satisfeitos, não cumpriram com o estatuído no Acordão do Tribunal Constitucional 461/2017, nomeadamente a deliberação contida na acta 86/ Comissão Nacional de Eleições / XV , versando Jornal " C " ( distribuição efectuada pela Câmara Municipal de Cascais, que nos entra pela porta dentro sem pedir autorização ) em que a sua divulgação foi susceptivel de se incluir no âmbito da publicidade institucional proibida, por não se tratar de actos, programas, obras ou serviços que apontam um caracter urgente, ou correspondam a obras , serviços ou programas, cujo conhecimento dos cidadãos é essencial para a sua fruição.
Actualmente em Portugal vivemos num estado direito democrático, em que a génese da politica é liderar para as PESSOAS ....em Cascais vivemos uma democracia da América do Sul ... e são estes mesmos individuos que apregoam a descentralização de competências do Estado para as autarquias ...já estamos mesmo a ver como seria a factura a pagar pelos municipes.

The Real A BEM DE CASCAIS