Advogada suspeita de burlas de 10 milhões detida pela PJ em Cascais

ATUAL


Por Valdemar Pinheiro
A advogada, na foto quando recebida pelo Governador do Estado brasileiro do Piauí, foi agora detida pela PJ



Suspeita de burlas calculadas em mais de 10 milhões de euros com estrangeiros à procura de vistos Gold, a advogada Maria Antónia Cameira, foi detida esta terça-feira, de manhã, em Cascais, por inspetores da brigada Anticorrupção da Polícia Judiciária (PJ).



Aos 59 anos, a advogada arrisca ver a prisão preventiva confirmada, além de que, apurou Cascais24, conta com uma condenação, à revelia, em Inglaterra, a seis anos de prisão, por, em 2012, ter desviado 312 mil euros de um cliente das duas empresas de advocacia que dirigia em Londres.



Três dias depois de ter começado a ser julgada no país de Sua Majestade, a advogada voou para Portugal. "A senhora Cameira abusou da sua posição de confiança e autoridade. Assim que se apercebeu que as coisas não corriam bem em tribunal, fugiu de Inglaterra. A vítima merece justiça", avançou, então, John Schofield, da Unidade de Crime Financeiro, responsável pela investigação.



Em maio último, Maria Antónia foi ouvida pela 9.ª secção do Tribunal de Relação de Lisboa, na sequência de um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades inglesas e colocada sob Termo de Identidade e Residência (TIR) dado estar a tentar conseguir um segundo julgamento, por alegadamente ter ressarcido a alegada vítima.



No entretanto a advogada montou um luxuoso escritório nas Torres das Amoreiras, onde a maior parte das alegadas vítimas, todas cidadãos estrangeiros, na sua maioria oriundos da China, Macau, Brasil e África do Sul, em busca de um Visto Gold, terão sido defraudadas.



Algumas delas terão avançado mesmo aos inspetores da PJ que depois de atendidas nas Amoreiras eram levadas de carro com motorista até ao local onde pretendiam investir para ter o visto Gold, com elementos do escritório de advogados a acompanhá-los, inclusivamente, ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) com vista a iniciar-se o pedido de autorização de residência.



De acordo com a investigação da brigada Anticorrupção da PJ, coordenada pela 8.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, há indícios suficientes para acusar Maria Antónia Cameira dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.



Segundo uma nota divulgada esta terça-feira pela PJ, que não identifica a advogada suspeita, “o modus operandi consistia na suposta prestação de serviços a cidadãos estrangeiros na obtenção de vistos de residência, na modalidade para atividade de investimento (ARI), e na apropriação dos montantes entregues por estes para a aquisição de imóveis ou abertura de contas bancárias em território nacional”.



As vigilâncias e escutas telefónicas à advogada suspeita, que duraram alguns meses, revelaram que terá falsificado cadernetas prediais e certidões de vários imóveis, entre os quais um condomínio no concelho de Torres Vedras que estará registado em nome de uma offshore.



Para além de interesses no estado brasileiro do Piauí, onde chegou a ser recebida pelo governador do Estado, Maria Antónia Cameira fazia parte em 2013 da presidência do Centro Português de Estudos como vice-presidente, juntamente com João Cravinho. 


O Centro Português de Estudos não tem qualquer relação com a Fundação Champalimaud, ao contrário da noticia inicial de Cascais24, que foi induzido em erro. É verdade que a advogada Maria Antónia Cameira foi até há cerca de quatro anos vice-presidente, com João Cravinho, do Centro Português de Estudos, sediado em Londres e que, inclusivamente, chegou a organizar uma palestra em que participou, como convidada, Leonor Beleza, presidente daquela fundação. No entanto, não existe qualquer ligação entre aquele centro e a Fundação Champalimaud. Pelo lapso, pedimos desculpa aos leitores e à Fundação Champalimaud.














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